Ainda bem. Por vezes é difícil arranjar palavras para falar sobre este tipo de assuntos.Não, pelo contrário, foi bastante clara. A palavra pensamento pode ser interpretada de muitas formas, e costumo entender que os pensamentos tem característica verbal. Mas entendi o que você e o texto querem dizer com "pensamento".
Não percas tempo a preocupar-te com o certo e o errado, com o correto e o incorreto - no que estamos a fazer é coisa que não existe. Sê só 100% honesto sobre o que se está a passar. A minha função é ver se te estás a desviar do caminho e trazer-te de volta :)Como saberei que estou fazendo isto corretamente?
Claro que não. Tudo o que acontece no teu dia a dia é uma porta, uma oportunidade para olhares para o que é real.Vocês da LU acham prejudicial que eu esteja envolvido em atividades que me fazem pensar e ter esse tipo de sentimento?
Aquilo que descreves tem tudo a ver com o que estamos a fazer, não é um assunto paralelo.Sandra, posso escrever sobre um assunto paralelo? Hoje surgiu um problema no meu trabalho, senti bastante ansiedade para solucioná-lo. Eu estava com esse sentimento até pouco agora. Ler a sua resposta e respondê-la acalmou-me bastante.
Da próxima vez que sentires ansiedade, sugiro que olhes para o que se está a passar com curiosidade, como se fosse pela primeira vez, e que vejas:
- como é sentir a experiência (onde é sentida, qual a intensidade, que tipo de pensamentos estão a acontecer, qual é a relação entre os pensamentos e a ansiedade);
- se a experiência se altera quando olhas para ela (a ansiedade fica mais intensa, menos intensa, transforma-se noutra experiência, desaparece?);
- o que é que provoca a ansiedade (o que é que consegues ver na sua origem? um eu, outra causa?).
Aquilo que te estou a pedir para fazeres é capaz de ser difícil de início, porque a ansiedade - como reação condicionada que é - pode ocupar toda a tua atenção no momento e não te lembrares de nada disto. É preciso alguma prática e distanciamento para olhar para algo intenso como a ansiedade. De qualquer forma, se fizeres o que te sugeri, diz-me como é que correu, o que é que descobriste ao olhar para a experiência.
Sempre que eu te peço para olhares, para veres - e é algo que eu vou repetir as vezes que forem precisas - é exatamente isso que eu quero dizer: olha, vê. Olhar, ver não tem nada de complicado, na verdade é tão simples de fazer que pensamos que não conseguimos, que não pode ser tão simples.
Por exemplo, se eu te perguntar se consegues ver o teu pé direito, tu não tens de pensar. Basta olhar e lá está o pé, no sítio em que esperas que ele esteja.
E se eu te perguntar se consegues ver um eu, o que é que acontece?
Olha agora para o que te rodeia. Consegues ver um eu? Se um eu está presente, onde é que está? Consegues apontar para o eu, da mesma forma que consegues apontar para o pé direito?
Diz-me, se faz favor, o que é que acontece, o que é que pensas, quando tentas encontrar o eu desta forma, com os sentidos.

