Tópico para Gerwa

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Riktam
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Re: Tópico para Gerwa

Postby Riktam » Sat May 25, 2013 7:28 pm

Gerwa,
Segundo percebi, com o tempo a lembrança por si só poderá ser suficiente?
Sim, no momento em a ausência de um "eu" separado da existência se tornar uma certeza, uma realidade para você, sem quaisquer dúvidas, não é mais necessário praticar os exercícios de investigação. Mesmo assim, devido ao hábito, muitas vezes pode haver o esquecimento do que foi visto e nos envolvemos com as "histórias". Mas o que foi visto uma vez não pode ser "desvisto", basta dar-se conta disso para voltar a enxergar através da ilusão do "eu".
O que falta para você ter essa certeza?
Nos momentos em que o "eu" desaparece, o que resta?

Bem, se a memória não me atraiçoa :) fica tudo igual, mas não parece existir mais identificação com pontos de vista de bom ou mau, as coisas parecem ter uma identidade comum e não individual. Essencialmente, resta um grande espaço para amar os outros, porque conseguimos ver além do nosso «casulo».
Ao invés de recorrer à memória, penetre novamente nesse espaço. Sem usar o pensamento, o que vês?

Abraços.
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Re: Tópico para Gerwa

Postby Gerwa » Sun May 26, 2013 3:20 pm

Riktam,
O que falta para você ter essa certeza?
Sinto que estou a construir essa certeza com o acumular de experiencias, de breves instantes. Não me falta propriamente nada :) Às vezes é a questão certa no momento certo, e de repente faz-se luz de novo.
Ao invés de recorrer à memória, penetre novamente nesse espaço. Sem usar o pensamento, o que vês?
Ok, falar de memória não é o ideal. Tentarei penetrar nesse espaço e colocar-me essa questão.

Abraço

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Re: Tópico para Gerwa

Postby Riktam » Sun May 26, 2013 9:13 pm

Gerwa,
Sinto que estou a construir essa certeza com o acumular de experiencias, de breves instantes. Não me falta propriamente nada :) Às vezes é a questão certa no momento certo, e de repente faz-se luz de novo.
Vamos continuar propondo novos exercícios para que você tenha mais perspectivas sobre o que estamos investigando.

Gostaria de esclarecer um outro ponto, a partir de uma pergunta sua anterior, que me esqueci de comentar:
Quando a resistência aparece, há alguma maneira ótima de proceder? Investigar sempre ?
Muitas vezes quando provamos a leveza do estado de "não-eu", somos tentados a desejar que esse estado se prolongue por muito tempo. É natural. Mas uma das coisas a ser entendida é que não há estado duradouro. Estados fazem parte do que é impermanente. O foco desta investigação não é produzir um "estado" e sim clareza para que enxerguemos através da ilusão do "eu". Com essa clareza esses estados se tornarão - não permanentes - porém mais fáceis de serem alcançados.
Ok, falar de memória não é o ideal. Tentarei penetrar nesse espaço e colocar-me essa questão.
OK. Pode ser mais uma perspectiva, mais uma luz.

Abraços.
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Re: Tópico para Gerwa

Postby Gerwa » Mon May 27, 2013 8:36 pm

Riktam
Muitas vezes quando provamos a leveza do estado de "não-eu", somos tentados a desejar que esse estado se prolongue por muito tempo. É natural. Mas uma das coisas a ser entendida é que não há estado duradouro. Estados fazem parte do que é impermanente. O foco desta investigação não é produzir um "estado" e sim clareza para que enxerguemos através da ilusão do "eu". Com essa clareza esses estados se tornarão - não permanentes - porém mais fáceis de serem alcançados.
Não me identifico tanto com um estado, de facto. Aliás, eu lebro-me que no dia que tive o primeiro lampejo, eu estava um pouco melancólico, e depois desse lampejo continuei a sentir a melancolia, o que prova que o estado não mudou. Contudo, a vivencia desse estado, a sua interpretação, era completamente original. A sensação de melancolia parecia que não «me pertencia», que «não era minha». Por outro lado, conseguia senti-la como se estivesse a partilhá-la com alguém, como fazemos com as pessoas quando queremos ajudar.

OK. Pode ser mais uma perspectiva, mais uma luz.
Tenho que admitir que não tenho investigado muito nos últimos dias. Não quero forçar nenhum insight, mas vou procurar aplicar-me melhor.

Espero trazer novidades em breve


Abraços

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Re: Tópico para Gerwa

Postby Riktam » Tue May 28, 2013 12:47 pm

OK Gerwa, aguardo seu contato.

Abraços.
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Re: Tópico para Gerwa

Postby Gerwa » Tue May 28, 2013 9:17 pm

Riktam,

Acabo de ter um lampejo intuitivo ao meditar sobre a não resistência

Penso que posso acrescentar/corrigir a minha resposta anterior. Nos momentos em que o «eu» desaparece, penso que surgem muito mais possibilidades, mais opções de escolha no momento presente, e uma capacidade de discernimento diferente. Várias preocupações egocentricas diminuem. O sistema de expectativa e preferencias parece colapsar-se, e isso parece abrir espaço. Ocorre um alinhamento com o momento presente.

Boa noite. Abraço

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Re: Tópico para Gerwa

Postby Riktam » Wed May 29, 2013 1:39 am

Gerwa,

Tente mais este exercício:

Quando estiver só, coloque uma música suave, feche os olhos e escute a música com totalidade, não apenas com seus ouvidos, mas com todo o seu ser.
Veja se consegue ouvir plenamente e pensar ao mesmo tempo.
Ou quando entra um pensamento a experiência da música deixa de ser completa?

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Gerwa, entre a quinta-feira e o domingo estarei a viajar e não terei acesso a um computador. Amanhã ainda terei, e poderei responder sua próxima mensagem. A partir de quinta não terei a mesma facilidade para escrever mas poderei ler suas mensagens pelo smartphone.
Continue investigando e postando, eu estarei vendo suas mensagens e até mesmo algumas respostas curtas vou poder enviar.

Abraços.
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Re: Tópico para Gerwa

Postby Gerwa » Thu May 30, 2013 6:19 pm

Riktam

Ok, irei postando.

Estou a realizar a experiência.

De facto a experiencia do som parece diminuir a corrente de pensamentos, e sim parece impossível focar no som se os pensamentos retornam, quase como se estivesse a escutar os meus pensamentos.

Abraço

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Re: Tópico para Gerwa

Postby Riktam » Fri May 31, 2013 7:43 pm

Isso mesmo, Gerwa. Quando voce não esta a pensar e se envolve totalmente na música, está em experiência direta.
Abraços.
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Re: Tópico para Gerwa

Postby Gerwa » Sat Jun 01, 2013 11:27 am

Riktam, bom dia

Tenho tido vários insights nos ultimos dias ao reflectir sobre o realismo naive ( a tendencia que temos para assumir que percepcionamos uma realidade distinta e separada da nossa percepção )

A realidade que experimentamos é sempre uma representação mental. Não podemos conhecer a realidade para além da percepção. Não parece viável defender a existencia de entidades concretas, de dualidades de qualquer género - uma vez que estamos sempre dependentes de uma percepção, e a percepção implica sempre a indissociabilidade entre sujeito-objecto. Inclusivé esta opinião não passa de uma percepção.

Espero não estar a ser demasiado teórico e a faltar aos compromissos com a LU, mas consigo traduzir estas perspectivas em experiencia directa, pelo menos até certo ponto. E penso que me pode ajudar imenso a ganhar certeza na ilusão de um «eu» separado da experiencia.

Boa continuação Riktam

Abraço

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Re: Tópico para Gerwa

Postby Riktam » Mon Jun 03, 2013 3:42 am

Gerwa, bom dia.

Estou de volta.

Não há problema em que você reflita. Faz parte da experiência. Apenas considere que a liberdade que você está buscando virá quando você puder ver o que está sendo investigado através da experiência direta, não é uma certeza que virá através de reflexões. Mas não há mal nenhum em refletir.

Quando você diz que não podemos conhecer a realidade para além da percepção está se referindo à realidade objetiva - coisas, objetos - e isso é verdade. Não há como vermos através dos sentidos dos outros, isso para não falar da realidade que não é captada por nenhum sentido. Como aquela flor que nasce, floresce e murcha no topo de uma montanha e que jamais é vista por ninguém.
A realidade a que nos referimos aqui não depende de nenhum sentido e pertence a todos. Você já a possui, só precisa dar-se conta disso.

Então vamos investigar um pouco sobre as suas reflexões acerca da indissociabilidade entre sujeito e objeto, porém esquecendo todas as reflexões e pensamentos, ok?

Com base na experiência direta e sem recorrer aos conceitos que assimilamos de que para que a percepção ocorra é necessário alguém a perceber, olhe para alguns objetos ao seu redor. Observe o processo com total atenção, sem conceitos.

Você vê alguém envolvido nesse processo? Há alguma separação entre alguém que vê e algo que é visto? Se há, onde termina o que vê e começa o que é visto?
Perceba os sons à sua volta. Antes que apareça um julgamento sobre o que está sendo ouvido, há alguém ouvindo ou apenas a audição acontece?

Me escreva contando o que viu.

Abraços.
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Re: Tópico para Gerwa

Postby Gerwa » Mon Jun 03, 2013 1:03 pm

Riktam,

Apercebo-me de que é necessário manter uma certa atitude contemplativa. Por exemplo, hoje tive alguns assuntos académicos que ocuparam grande espaço mental, e isso tirou algum espaço para reflexão. Quando é assim, apercebo-me do reaparecimento de certas tendências de pensamento.

Neste momento, depois de um fim de semana com reflexões e experiencias directas interessantes, sinto que não preciso de muito tempo para investigar e para afirmar pela experiencia directa que não existe um «eu». Compreendo que tudo são experiencias, e que o sujeito e objecto interpenetram-se, quando observo a um nível mais profundo. A um nivel mais superficial, a dualidade objecto-sujeito manifesta-se claro, mas consigo mudar rapidamente de perspectiva. pelo menos por enquanto :)

Quanto aos sons, mesmo quando aparece um julgamento, consigo observar que esse julgamento é uma experiencia. Tudo é uma experiencia, e para haver experiencia o sujeito não pode existir fora do objecto. Sinto que consigo manter esta perspectiva durante algum tempo, principalmente se estiver mais concentrado. No futuro, espero precisar menos e menos de tentar mudar de perspectiva, mas não tenho grandes duvidas de que é necessário manter um regime regular de contemplação.

As experiencias podem ser boas ou más, mas todas são experiencias, e consigo perceber a sua natureza altamente interdependente, indissociável.

Uma analogia que acho útil é a dos sonhos lúcidos. Durante um sonho lúcido, se a pessoa quiser pode reflectir e observar que aquilo que está a experimentar no sonho é indissociável da sua mente, mas mesmo assim existe a um nivel relativo ( a pessoa pode falar, comer, etc.). Normalmente aproveito estes sonhos para brincar, mas podem ser utilizados para investigar e observar muito mais directamente a natureza da mente. Aliás, várias tradições contemplativas utilizam esta forma de investigação. Sei que não faz parte da estratégia da LU, mas vale mesmo a pena.

Abraço

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Re: Tópico para Gerwa

Postby Riktam » Mon Jun 03, 2013 3:22 pm

Gerwa,

Excelente!

As suas constatações:
sinto que não preciso de muito tempo para investigar e para afirmar pela experiencia directa que não existe um «eu».
,
Compreendo que tudo são experiencias
, e
Tudo é uma experiencia
Indicam uma compreensão do que a LU está a apontar.
Se essas constatações, como você assinalou, partem da experiência direta, isso se aproxima da essência do que é enxergar através da ilusão.

Você se sente seguro para passar pelo processo de confirmação, respondendo ás perguntas finais?

Se responder positivamente vou explicar como é esse processo na LU, antes de enviar as perguntas, para que você entenda como funciona.

Se contudo ainda quiser explorar outros pontos, ou ainda tenha dúvidas, deixe-me saber o que mais podemos investigar.

Aguardo sua resposta.

Abraços.
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Re: Tópico para Gerwa

Postby Gerwa » Mon Jun 03, 2013 7:37 pm

Riktam,

Sei que as minhas dúvidas se dissolvem quando me involvo na experiencia, por exemplo ao lembrar-me que as minhas duvidas são já parte da experiencia ( da mesma forma como a minha pele nunca pode estar sem contactar com alguma coisa ).

Por exemplo, um espelho não pode ser dividido em imagem reflectida e espelho propriamente dito. Claro que pode, mas em termos absolutos é impossível, há sempre alguma imagem no espelho. a imagem e o espelho são indissociaveis, formam um só.

Consigo traduzir isto em experiencia directa, principalmente quando mantenho esta perspectiva. Por exemplo, quando me pergunto: « há alguma coisa completamente separada da minha mente, dos meus sentidos, da minha experiencia ? ». Nunca poderá haver.

Se tudo é a «minha» experiencia, então é porque é indissociável de «mim». De outra forma, qual seria o problema de aceitar algo que não é a «minha» experiencia ?

Riktam , se concordar que estou a «enxergar» direito podemos passar às perguntas finais. Não tenho qualquer pressa de discutir ou explorar outros pontos.

Abraço

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Re: Tópico para Gerwa

Postby Gerwa » Mon Jun 03, 2013 7:39 pm

Queria dizer que não tenho qualquer pressa em passar à frente :)


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