Kanashibari

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Canfora
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Re: Kanashibari

Postby Canfora » Tue Jul 01, 2014 10:50 am

Então não devo tentar atravessar o "portal" propositalmente? Não devo tentar produzir a experiência de liberar-me?
Se não consegues encontrar um eu, o que é que atravessa o portal e o que é que se liberta?
Neste momento, o que é que precisa de libertar-se? Esta entidade existe?
O mundo parece que está quebrado, e que devo concertá-lo, mesmo que não havendo evidências de algo estar tão ruim assim. Se eu não corrigir o mundo, ele vai deteriorar por si, vai ficar pior do que é.
Estás a dizer que existe um eu que tem de corrigir o mundo?
"Se eu não corrigir o mundo" é um pensamento que diz que há um eu e um mundo, separados um do outro.
Se isto é verdade, onde é que no mundo vês este eu?

Tenho a impressão que a tua crença num eu passa muito por pensamentos sobre o futuro, que provocam ansiedade, medo - o que pensas que tens de fazer, o que pensas que tens de mudar. Se olhares para o conteúdo dos pensamentos, o que estou a dizer é verdade?

Ivan, este futuro existe? É possível experimentar o futuro?
Quem diz o futuro diz o passado...
Existe algo a acontecer fora deste momento? Ou este momento é o único momento real?

Não acredites na primeira resposta que ocorrer, nos pensamentos que aparecerem. Vê o que está a acontecer, experimenta o que está a acontecer. Olha para o que é.
Não, tudo está onde deveria estar, tudo é como deveria ser. Se você me pedir para "apontar para os problemas" eu não vou conseguir, pois eles existem somente como pensamentos.
Sim. É capaz de ser uma boa ideia tentares apontar para os problemas quando pensas que eles existem. Eu vou fazer o mesmo :)
É, acho que a expressão "eu real" é contraditória em si, sendo que esse "eu" é instável, muda constantemente. Não existe um "eu real", somente o "eu insconstante".
O que é que te leva a pensar que existe um eu inconstante, onde é que este eu existe? Na realidade ou em pensamentos?
Parece que existem pois estão sempre afirmando sua posição no mundo. Está sempre a pensar "eu isto, eles aquilo", "eu isto, as coisas aquilo". Sim, tudo isso são somente pensamentos. Então não são os eus que estão pensando, mas esses "eus" são os próprios pensamentos.

Usando uma expressão complicada, esse "eu" não passa de um artifício verbal. Esse "eu" é somente um elemento linguístico de auto-referência. Enfim, "eu" é pensamento.
De onde é que vêm os pensamentos?
Se olhares para a sua origem, o que é que vês?
Hoje não me senti confuso. Pelo contrário, acho que tive alguns insights.
Uh, quais insights? Por isto queres dizer que olhar aconteceu de uma forma consciente?

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Re: Kanashibari

Postby ivan.sato » Wed Jul 02, 2014 4:01 am

Se não consegues encontrar um eu, o que é que atravessa o portal e o que é que se liberta?
Neste momento, o que é que precisa de libertar-se? Esta entidade existe?
Não sei o que se liberta, talvez haja somente a experiêcia de libertação. Se tento libertar-me afirmo a existência do "eu", e acho que essa não é a proposta. Essa entidade existe somente como pensamentos.
Estás a dizer que existe um eu que tem de corrigir o mundo?
Se isto é verdade, onde é que no mundo vês este eu?
Sim, pensa-se que "devo corrigir e aprimorar o mundo". Não compreendi a segunda pergunta.
Se olhares para o conteúdo dos pensamentos, o que estou a dizer é verdade?
Sim.
Ivan, este futuro existe? É possível experimentar o futuro?
Existe algo a acontecer fora deste momento? Ou este momento é o único momento real?
O futuro existe somente como pensamento, e posso somente experimentar esses pensamentos. Como imaginar comer uma jaca na próxima refeição, somente um pensamento. O passado, da mesma forma, é somente imaginação. Sim, este momento é real pois todas as experiências que tenho acontecem nele.

O que é que te leva a pensar que existe um eu inconstante, onde é que este eu existe? Na realidade ou em pensamentos?
Esse eu inconstante existe somente nos pensamentos. Da mesma forma, os "problemas do mundo" existem somente no pensamento, e o "ímpeto de corrigí-los" também.
De onde é que vêm os pensamentos?
Se olhares para a sua origem, o que é que vês?
Vejo o "eu", como se criasse pensamentos para que possa existir.

[quote="Canfora]Uh, quais insights? Por isto queres dizer que olhar aconteceu de uma forma consciente?[/quote]
Percebi que o "eu" é somente um artifício verbal. Olhei para o "eu" e vi somente pensamentos. Não sei se olhar aconteceu de forma consciente, parece mais que o olhar simplesmente aconteceu.

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Re: Kanashibari

Postby Canfora » Wed Jul 02, 2014 4:56 pm

Estás a dizer que existe um eu que tem de corrigir o mundo?
Se isto é verdade, onde é que no mundo vês este eu?

Sim, pensa-se que "devo corrigir e aprimorar o mundo". Não compreendi a segunda pergunta.
O que eu queria perguntar era isto, mais ou menos: se existe um eu que tem de corrigir o mundo, onde é que no mundo vês este eu? Este eu que tem de corrigir o mundo é real?
Percebi que o "eu" é somente um artifício verbal. Olhei para o "eu" e vi somente pensamentos. Não sei se olhar aconteceu de forma consciente, parece mais que o olhar simplesmente aconteceu.
Podes falar mais sobre o que está a acontecer?
Viste que não há um eu... com 100% de certeza?
Ou viste que é o acreditar nos pensamentos, na linguagem que cria a ilusão do eu, mas ainda pensas ou sentes que há um eu, um Ivan?

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Re: Kanashibari

Postby Canfora » Wed Jul 02, 2014 5:12 pm

Existe uma página da LU no Facebook, feita por um guia brasileiro :)
Pensei que eras capaz de gostar de a ver, aqui está o endereço: https://www.facebook.com/#!/LibertacaoD ... da?fref=ts

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Re: Kanashibari

Postby ivan.sato » Thu Jul 03, 2014 3:56 am

onde é que no mundo vês este eu? Este eu que tem de corrigir o mundo é real?
Esse eu está nos pensamentos. Se os pensamentos não são reais, esse eu não existe.
Podes falar mais sobre o que está a acontecer?
Viste que não há um eu... com 100% de certeza?
Sim, percebi que o "eu" é somente um elemento do pensamento. Não existe um "eu" que pensa, mas esse eu é só uma parte do pensamento.

Uma analogia. Quando as pessoas fazem o selfie se enquadram bem grandes e bonitas na fotografia. Mas a pessoa que está lá é somente uma imagem junto com outras, como a paisagem, os objetos, etc. E o selfie é somente mais uma fotografia, não é melhor que as outras. Na verdade, as fotografias mais belas não são "selfies".

Assim, pensar que o "eu" existe é como admirar um selfie de si mesmo. O "eu" não é mais importante que os outros pensamentos. E, na verdade, há algo mais iminente que o "eu" que é aquilo que existe nesse exato instante.
Ou viste que é o acreditar nos pensamentos, na linguagem que cria a ilusão do eu, mas ainda pensas ou sentes que há um eu, um Ivan?
Esta perpectiva oscila. Quando estou no trabalho, esse "eu" é bastante imperativo. Quando estou em casa, respondendo suas perguntas, a idéia do "eu" é efêmera e banal.

Existe uma página da LU no Facebook, feita por um guia brasileiro :)
Pensei que eras capaz de gostar de a ver
Que bom que isso existe! Curti. Mas não sou um usuário assíduo de Facebook, na verdade estou evitando de acessá-lo.

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Re: Kanashibari

Postby Canfora » Thu Jul 03, 2014 12:59 pm

Esta perpectiva oscila. Quando estou no trabalho, esse "eu" é bastante imperativo. Quando estou em casa, respondendo suas perguntas, a idéia do "eu" é efêmera e banal.
Sim, pode dizer-se que é uma simples mudança de perspetiva.

Quando o "eu" é bastante imperativo, isso é um problema? Ver que não existe um eu devia fazer com que algo mudasse?

Não falámos sobre escolhas e decisões. Se não existe um eu, como é que uma escolha, uma decisão acontecem? Consegues descrever com exemplos?

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Re: Kanashibari

Postby ivan.sato » Fri Jul 04, 2014 4:17 am

Quando o "eu" é bastante imperativo, isso é um problema? Ver que não existe um eu devia fazer com que algo mudasse?
Quando o "eu" surte efeito, cria pensamentos como "o eu não deveria ser tão imperativo" e "minhas experiências serão melhores quando o ele sumir de uma vez por todas". Expectativas.

É engraçado, o "eu" cria pensamentos contra si, mas isto somente o sustenta. Isso é paradoxal, e engraçado.

Agora, quando não há "eu", não há problema que ele surta efeito, não há expectativas.
Se não existe um eu, como é que uma escolha, uma decisão acontecem?
Quando não existe um eu, as decisões são amenas, brandas, naturais. Em contrapartida, para o "eu", as decisões são sempre difíceis. O "eu" sempre quer fazer as melhores escolhas, está sempre focado nos resultados, o importante é produzir as melhores experiências. Quando não há um "eu", mais importante que os resultados das decisões, é a experiência da escolha em si. Pois, na verdade, não existe resultado, mas existe somente processo.

Claro que todas ações tem causas e consequências. Mas controlar ações para produzir um resultado no futuro claramente é um tipo de pensamento, é produto de um "eu" auto-centrado.
Consegues descrever com exemplos?
Por exemplo, quando pego o metrô para ir trabalhar. O "eu" pode querer aproveitar cada instante do trajeto, então deve escolher se vai ouvir uma músca ou ler um livro. Se for ouvir uma música, deve-se escolher a música correta para o "clima" do dia. Se for ler um livro, é preciso escolher o livro correto. Pode-se também decidir por acessar o Facebook, para ver as últimas atualizações e compartilhar qualquer coisa. Se, por coincidência, um conhecido encontrar-se com você no meio do trajeto, será um desastre, sendo que lhe distraiu da música correta, do livro ideal, ou do entretenimento das redes sociais.

Se não há um "eu", há somente "andar de metrô". Ver as pessoas no vagão, ver as pessoas que entram ou saem nas estações, ver a paisagem ou as decorações das estações, ouvir os sons do trem e dos anúncios. Se quiser ouvir uma música, ouve-se a música. Se quiser ler um livro, lê-se o livro. Não é demasiadamente importante aproveitar cada momento, ser sempre produtivo.

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Re: Kanashibari

Postby Canfora » Fri Jul 04, 2014 12:59 pm

Ivan, começas a ver as duas perspetivas, a do "eu" e a da experiência do momento presente. Bravo!
Mas controlar ações para produzir um resultado no futuro claramente é um tipo de pensamento, é produto de um "eu" auto-centrado.
A ilusão de ser um eu, que tem controle sobre si, sobre os outros e sobre a realidade, é uma das mais difíceis de ver. Por isso, gostava que olhasses para a ideia de que "existe um eu que tem controle" de uma forma mais aprofundada:

Consegues ver um eu a controlar o corpo?
Consegues ver um eu a controlar os pensamentos?
Consegues ver um eu a controlar as ações que acontecem?
Consegues ver um eu a controlar a vida - o que acontece ou vai acontecer?
Consegues ver um eu com controle sobre os outros?

Enfim, exite um eu que tem controle sobre a experiência do momento presente?

Se possível justifica as tuas respostas com exemplos. Penso que quando procuramos exemplos é mais fácil sair da tentação de dar uma explicação racional e entrar no ver como as coisas realmente são...

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Re: Kanashibari

Postby ivan.sato » Sat Jul 05, 2014 5:46 am

A ilusão de ser um eu, que tem controle sobre si, sobre os outros e sobre a realidade, é uma das mais difíceis de ver.
Realmente. A própria busca pela transcendência da mente comum pode tornar um obstáculo, se tentarmos controlar os pensamentos e regular as experiências.
Consegues ver um eu a controlar o corpo?
Consegues ver um eu a controlar os pensamentos?
Consegues ver um eu a controlar as ações que acontecem?
Consegues ver um eu a controlar a vida - o que acontece ou vai acontecer?
Consegues ver um eu com controle sobre os outros?
São muitas perguntas. Oque o "eu" mais deseja é controlar, ou tentar controlar.

Por exemplo, quando tenho pressa acelero os passos, faço as coisas rapidamente. Por outro lado, o corpo não depende do controle do "eu" para funcionar. O coração bate sozinho, a respiração acotece sozinha, o sistema digestivo também. Às vezes o "eu" está pensando em muitas coisas, enquanto o corpo faz tantas outras. Enqunanto a mente está no trabalho, o corpo está caminhando na rua.

O "eu" tenta controlar os pensamentos, mas eles vêm e vão sozinhos. Posso até tentar mudar o assunto do pensamento, mas tentar fazer isso propositalmente não funciona - os assuntos mudam nos seus próprios meandros. Posso tentar interromper os pensamentos, mas somente param quando param.

Esta semana, ao dirigir, tive a experiência de uma freiada brusca. Não houve colisão, mas foi um grande susto. Fiquei com o coração acelerado, a respiração ofegante, senti um nervosismo contra os motoristas à minha frente. Nessa situação não tive controle sobre nada, a frenagem simplesmente aconteceu, o coração simplesmente acelerou, a respiração mudou por si.

"Eu" ainda desejo algumas coisas, como uma casa própria e um carro. De certa forma, tento exercer controle sobre minhas finanças. Por outro lado, a vida é aquilo que acontece, controlando-a ou não.

Às vezes tento controlar alguém em específico, para que não seja muito centrado somente nas coisas materiais, para gue goste de uma coisa em vez de outra, para que faça algo de um jeito e não de outro. Na verdade poucas das minhas tentativas deram certo. As vezes que não dão certo fico pensando como sou prepotente em esperar que as pessoas sejam como "eu". Mas, na realidade, nenhuma pessoa precisa ser controlada e corrigida, cada pessoa vive em seu mundo, cada pessoa faz o que bem entende.

Enfim, exite um eu que tem controle sobre a experiência do momento presente?
Às vezes sim, às vezes não. O "eu" sempre quer algo a mais. Mas o momento presente é "flúido" demais para o "eu" segurar e controlar. Às vezes tenho o vislumbre de que a vida não é aquilo que está para acontecer, mas é a experiência que tenho nesse exato instante.

Acho que as experiências reagem às nossas ações, mas não temos controle absoluto sobre a realidade.

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Re: Kanashibari

Postby Canfora » Sat Jul 05, 2014 6:55 pm

Obrigada pelas tuas respostas, Ivan.

Neste momento, no aqui e agora, há alguma coisa a acontecer que te faz pensar que o eu existe?

O que é o eu?

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Re: Kanashibari

Postby ivan.sato » Sun Jul 06, 2014 12:00 am

Neste momento, no aqui e agora, há alguma coisa a acontecer que te faz pensar que o eu existe?
Sim, estou um pouco apreensivo pois vou receber algumas pessoas para jantar em casa. O "eu" não quer que dê nada errado.

Se algo der errado, qual seria o problema? E onde está aquilo que poderia dar errado? Somente nos pensamentos.
O que é o eu?
Uma coleção de pensamentos auto-centrados. Um elemento verbal de auto-referência. Não é real, no sentido de que é intangível, não pode ser tocado, visto, ou apontado, não existe senão em forma de pensamento. Uma idéia, um delírio, um sonho.

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Re: Kanashibari

Postby Canfora » Sun Jul 06, 2014 11:36 am

No teu primeiro post disseste que: "I know I'm just dreaming, I struggle to wake up, but I just can't."
Ainda te sentes assim? Alguma coisa mudou na tua forma de estar na vida desde que começamos a falar?
Ainda sentes que é necessária uma Sangha e um mestre?

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Re: Kanashibari

Postby ivan.sato » Sun Jul 06, 2014 10:08 pm

Ainda te sentes assim? Alguma coisa mudou na tua forma de estar na vida desde que começamos a falar?
Não me sinto mais assim. Não estava percebendo que a busca estava sabotando a si mesma. Percebi que o esforço que eu fazia era somente parte do "eu", somente pensamentos confusos.

Por enquanto mudou a postura diante dos pensamentos e do "eu". Reconheço um pouco melhor quando o "eu" procura afirmar-se ou satisfazer-se, e reconheço que não passam de pensamentos passageiros.
Ainda sentes que é necessária uma Sangha e um mestre?
Não no sentido tradicional. Mas pode ser positivo estar envolvido com pessoas que compartilham a mesma perspectiva.

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Re: Kanashibari

Postby Canfora » Mon Jul 07, 2014 10:26 am

Olá, Ivan, viste com uma certeza absoluta que um eu separado, permanente, com controle, livre arbítrio e escolha não existe? Que na realidade há zero eu?

Tens alguma dúvida, existe algo que te faça pensar que o eu Ivan é real, habita o corpo e tem pensamentos próprios?

Quando pensamentos sobre o eu acontecem ou esta nova perspetiva é encoberta pelo dia-a-dia, consegues voltar a ver o que é real, para além do condicionamento?

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Re: Kanashibari

Postby ivan.sato » Tue Jul 08, 2014 4:26 am

Oi Sandra, estou certo de que o "eu" não passa de pensamento, e que a noção de separação é puramente ilusão.

Controle é somente uma falsa impressão. Acho que pelas experiências serem reativas, dinâmicas, e pelo pensamento ser mais ou menos capaz de simulá-las, acabamos acreditando que temos controle sobre algo. Mas na verdade as coisas simplesmente acontecem. Livre-arbítrio talvez seja somente um argumento para responsabilizar totalmente uma pessoa, isentando completamente todas as outras, um jeito de dividir e separar culpados e inocentes.

No trabalho existe um "eu" que deseja mostrar serviço aos gerentes. Nunca fui cobrado para ser mais produtivo, entretanto o Ivan gosta de onde está, e não deseja perder o serviço, como se o "eu" possuísse algo e tivesse algo a perder. Posse e propriedade privada, outro delírio da mente. Tentarei ver isto durante o trabalho.

Mas a nossa conversa ajuda muito a lembrar de ver, ouvir, sentir, perceber o que é ilusão e o que é real. Ultimamente surgiram alguns momentos de clareza durante o trabalho.

Sei que nada disto é mérito dos esforços de um "eu" que vive separado ou dentro de um corpo.


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