Quem sou eu?

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Edson
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Quem sou eu?

Postby Edson » Fri Sep 26, 2025 4:31 am

LU is focused guiding for seeing there is no real, inherent 'self' - what do you understand by this?
Que nossa consciência não é, em si, pessoal.

What are you looking for at LU?
Eu procuro interlocução esclarecedora acerca da busca espiritual, iluminação, despertar etc. Espero poder conversar sobre esses assuntos com alguém que tenha experiência e conhecimento em primeira mão.

What do you expect from a guided conversation?
Apontamentos válidos e eficientes. Além, é claro, de uma conversa esclarecedora e amigável com base em experiência e não em teorias. Mas é claro que indicações de textos e autores também são bem-vindas.

What is your experience in terms of spiritual practices, seeking and inquiry?
Tenho 63 anos e uma longa história de busca espiritual, desde os 14.

On a scale from 1 to 10, how willing are you to question any currently held beliefs about 'self? 11

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Maylson
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Re: Quem sou eu?

Postby Maylson » Tue Sep 30, 2025 2:19 pm

Oi Edson, tudo bem?

Sou May e posso ser o seu "guia".

Obrigado por compartilhar um pouco da sua história e perspectiva.

Aqui, nosso foco é olhar diretamente para a sua própria experiência, sem depender de conceitos ou histórias, apenas o que está acontecendo aqui e agora. Vamos investigar juntos quem ou o que é esse “EU” que parece estar vivendo tudo isso.

Para começar, algumas perguntas para trazer atenção ao que está presente:

Neste instante, quando você olha para a sua experiência, consegue encontrar algum “eu” que esteja controlando ou possuindo o que acontece?

Onde, exatamente, você sente esse “você” que supostamente vive a experiência?


Se você observar sem buscar mudar nada, o que sobra quando tenta localizar esse “eu”?


Por favor, assista a este vídeo sobre como usar corretamente a função de citação. Isso vai nos ajudar a manter o diálogo claro e focado:
https://www.youtube.com/watch?v=-fAToDNh9hQ
May.

"The moment I am aware that I am aware I am not aware. Awareness means the observer is not"
― Jiddu Krishnamurti

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Edson
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Re: Quem sou eu?

Postby Edson » Tue Sep 30, 2025 7:44 pm

Oi Edson, tudo bem? Sou May e posso ser o seu "guia".
Oi May, tudo bem e você? Obrigado pela disponibilidade!
Obrigado por compartilhar um pouco da sua história e perspectiva. Aqui, nosso foco é olhar diretamente para a sua própria experiência, sem depender de conceitos ou histórias, apenas o que está acontecendo aqui e agora. Vamos investigar juntos quem ou o que é esse “EU” que parece estar vivendo tudo isso.
Ótimo.
Para começar, algumas perguntas para trazer atenção ao que está presente: Neste instante, quando você olha para a sua experiência, consegue encontrar algum “eu” que esteja controlando ou possuindo o que acontece?
Compreendo o sentido da sua pergunta, mas confesso que tenho dificuldade com esse apontamento. Você já deve ter visto alguém procurando os óculos estando com eles sobre o próprio nariz. A mesma coisa ocorre conosco: é claro que não vamos encontrar nosso eu, pois o eu não é um objeto e sim o sujeito. A única maneira seria por meio de um espelho, mas mesmo assim o que veríamos seria apenas um reflexo objetivo e não o próprio sujeito. (Hume já argumentava isso, ou seja, que não encontrava em si nada que parecesse com um eu. Esquecera-se de si mesmo, como sujeito da busca. O ato de procurar, independentemente do resultado, já prova que existo. Como Descartes mostrou: o ato de duvidar já prova que existo.)
Onde, exatamente, você sente esse “você” que supostamente vive a experiência? Se você observar sem buscar mudar nada, o que sobra quando tenta localizar esse “eu”?
O ego é sentido como uma unidade entre corpo e mente, sem localização definida. Às vezes parece mais presente na cabeça, às vezes no coração; no caso de dor no corpo ou dor emocional, parece mais presente na região dolorida. Mas quando tento localizar o centro do meu ego, evidentemente não consigo. Tanto o corpo quanto a mente parecem ser apenas objetos para um sujeito que não se confunde com o ego, com a pessoa do Edson. Um sujeito impessoal. Como se esse sujeito estivesse um passo atrás, observando tudo, inclusive o meu corpo, meus pensamentos etc.

Abraço e, mais uma vez, obrigado.

Edson
PS: Você é brasileiro?

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Maylson
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Re: Quem sou eu?

Postby Maylson » Tue Sep 30, 2025 10:54 pm

Oi Edson!

Perceba como você trouxe referências (Hume, Descartes) e também a ideia de um ‘sujeito impessoal’ por trás da experiência. Esses pensamentos filosóficos podem ser interessantes, mas o objetivo aqui não é confirmar nem construir conceitos, nem mesmo os filosóficos. Pelo contrário: é justamente questionar toda crença ou ideia pré-estabelecida e olhar diretamente para o que está acontecendo agora.

Ficar na conceitualização e nos rótulos é apenas contar mais histórias. O que estamos investigando não é uma teoria, mas aquilo que se mostra diretamente na sua própria experiência.

Então, vamos simplificar.

Feche os olhos por um instante e observe:
– Sons estão acontecendo.
– Sensações no corpo estão acontecendo.
– Pensamentos estão acontecendo.

Agora veja:

Esse “sujeito que observa” pode ser encontrado em algum lugar fora desses sons, sensações e pensamentos? Ou ele aparece apenas como mais um pensamento, junto com o resto?

Quando surge a frase “há um sujeito que observa”, isso é diferente de qualquer outro pensamento, como “acho que vai chover hoje”?

Experimente olhar agora mesmo. Sem analisar ou filosofar, só ver direto: onde exatamente o “sujeito” aparece, além das palavras que o descrevem?
May.

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Edson
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Re: Quem sou eu?

Postby Edson » Wed Oct 01, 2025 11:44 am

Oi May,
Perceba como você trouxe referências (Hume, Descartes) e também a ideia de um ‘sujeito impessoal’ por trás da experiência. Esses pensamentos filosóficos podem ser interessantes, mas o objetivo aqui não é confirmar nem construir conceitos, nem mesmo os filosóficos. Pelo contrário: é justamente questionar toda crença ou ideia pré-estabelecida e olhar diretamente para o que está acontecendo agora.
Bem, "sujeito impessoal" é um conceito como qualquer outro. É impossível dizer qualquer coisa sem usar conceitos. Apenas lancei mão de conceitos que me parecem mais adequados para descrever minha experiência. Se, em vez de sujeito impessoal, eu tivesse escrito "consciência", você diria que se trata de uma teorização?
Ficar na conceitualização e nos rótulos é apenas contar mais histórias. O que estamos investigando não é uma teoria, mas aquilo que se mostra diretamente na sua própria experiência.
May, "conceitualização" e "rótulos" não são também conceitos ou rótulos? O que se mostra na minha expeirência é que, às vezes, como agora, parece que "minha" consciência está apenas a "observar" o que acontece.
Então, vamos simplificar.
Feche os olhos por um instante e observe:
– Sons estão acontecendo.
– Sensações no corpo estão acontecendo.
– Pensamentos estão acontecendo.
Agora veja:
Esse “sujeito que observa” pode ser encontrado em algum lugar fora desses sons, sensações e pensamentos? Ou ele aparece apenas como mais um pensamento, junto com o resto?
Não é um pensamento, mas uma capacidade: capacidade de atender a pensamentos, sensações, percepções, sentimentos etc. Não sei se se poderia chamar isso de atenção. Atenção parece ser uma caracaterística da consciência.
Quando surge a frase “há um sujeito que observa”, isso é diferente de qualquer outro pensamento, como “acho que vai chover hoje”?
Sim, é diferente. Pensamentos não observam, não fazem nada. Sem consciência, não são nada. Pensamentos aparecem na consciência, tudo no Edson (e fora dele) aparece na consciência. Portanto, o Edson, a pessoa (corpo e mente) ou o ego do Edson é mais um objeto da ou para a consciência. Tradicionalmente se chama aquilo para o que objetos aparecem de sujeito. Mas não faço questão de usar esse termo.
Experimente olhar agora mesmo. Sem analisar ou filosofar, só ver direto: onde exatamente o “sujeito” aparece, além das palavras que o descrevem?
O sujeito não aparece; as coisas, as palavras e tudo mais é que aparecem nele, ou seja, na consciência.

Você nega a consciência, que seja consciente, que sabe que existe, que tem pensamentos etc.? Ou acha que a consciência seja um pensamento ou algum tipo de mentação?

A experiência que tentei descrever talvez possa ser mais bem descrita como uma mudança de perspectiva. Na maior parte do tempo, encontro-me perdido no mundo (interno e externo). Mas às vezes, como agora, é como se minha consciência desse um passo atrás e passasse a contemplar o Edson e seu mundo "de fora". Como se ela se desse conta da diferença entre ela e tudo o mais. Por isso a chamei de impessoal, porque se distingue de tudo, inclusive da minha pessoa.

Obrigado,
Edson

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Re: Quem sou eu?

Postby Maylson » Wed Oct 01, 2025 4:09 pm

Edson, obrigado pela riqueza da sua resposta. Percebo que você já caminhou bastante e tem um repertório muito vasto de referências, o que é valioso. O que estamos fazendo aqui não é negar ou desconsiderar nada disso, mas olhar de um jeito diferente: direto, sem precisar recorrer a descrições.
“Se, em vez de sujeito impessoal, eu tivesse escrito ‘consciência’, você diria que se trata de uma teorização?”
Quando você traz termos como “consciência”, “sujeito” ou mesmo “capacidade de atender”, eu entendo perfeitamente o que quer dizer. Mas veja: tudo isso são nomes que usamos para tentar explicar algo. O convite aqui é ir além da explicação.
“Você nega a consciência, que seja consciente, que sabe que existe, que tem pensamentos etc.? Ou acha que a consciência seja um pensamento ou algum tipo de mentação?”
Não se trata de negar nem afirmar. A palavra “consciência” é um pensamento. O que quero te convidar a investigar é:

Além da palavra, o que aparece?

Se você olha agora mesmo, consegue encontrar “consciência” como encontra um som, uma dor ou uma imagem?

É claro que ela parece apontar para algo real, mas a questão é: além da palavra, o que aparece?
“Pensamentos aparecem na consciência, tudo no Edson (e fora dele) aparece na consciência.”
Isso é uma formulação válida como descrição, mas vamos olhar aqui e agora:

Sons aparecem.
Sensações no corpo aparecem.
Pensamentos aparecem.

Isso é direto, imediato. Não precisa de explicação. Mas qualquer palavra sobre “consciência”, “atenção” ou “sujeito”… isso aparece apenas como mais um pensamento, junto com os outros.

A diferença que quero que você veja é essa: sons, sensações e pensamentos aparecem diretamente. Já esse “lugar” chamado consciência… aparece mesmo, ou só é mencionado como explicação?

Nosso objetivo é justamente questionar cada conceito, por mais refinado ou espiritualizado que seja, para ver o que sobra quando paramos de nomear e apenas olhamos para o que está aqui, agora.

Sente-se confortavelmente e feche os olhos por um instante. Pare agora mesmo e dedique atenção completa a isto, faça quantas vezes for necessário. O mais importante é que você veja por si mesmo, diretamente, na sua experiência imediata, sem recorrer a ideias ou explicações aprendidas.

Observe com atenção total o que está acontecendo neste momento:

- os sons ao seu redor,

- as sensações no corpo,

- os pensamentos que surgem.

Agora, pergunte a si mesmo: onde exatamente aparece aquele “alguém” que observa tudo isso?

Tente perceber se ele surge como algo concreto ou apenas como uma ideia junto com o restante da experiência.

Escreva aqui apenas o que você percebe diretamente, sem recorrer a narrativas, explicações ou conceitos. Foque no que você vê e sente com seus sentidos, no aqui e agora.
May.

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Edson
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Re: Quem sou eu?

Postby Edson » Thu Oct 02, 2025 1:01 pm

May,
O que estamos fazendo aqui não é negar ou desconsiderar nada disso, mas olhar de um jeito diferente: direto, sem precisar recorrer a descrições.
Entendo o que você quer, mas para lhe dar isso eu preciso recorrer a descrições. Se você me pergunta o que aparece além das palavras e pensamentos, eu tenho que tentar descrever a minha experiência. Minha resposta não é uma explicação, mas uma descrição.
Quando você traz termos como “consciência”, “sujeito” ou mesmo “capacidade de atender”, eu entendo perfeitamente o que quer dizer. Mas veja: tudo isso são nomes que usamos para tentar explicar algo. O convite aqui é ir além da explicação.
Desculpe, mas discordo. Ou então não entendi direito o que você quis dizer. A palavra consciência é um nome. A diferença é que ela não se refere a sensações, percepções, sentimentos, pensamentos etc., ou seja, consciência não é o nome de nenhum objeto da minha experiência.
Não se trata de negar nem afirmar. A palavra “consciência” é um pensamento.
A palavra consciência expressa sim um pensamento, como toda e qualquer palavra que faça sentido. Mas a experiência de estar consciente não depende de nenhum pensamento. Para saber que estou consciente, não preciso pensar. Mas para expressar isso, é claro que preciso.
O que quero te convidar a investigar é:
Além da palavra, o que aparece?
Se você olha agora mesmo, consegue encontrar “consciência” como encontra um som, uma dor ou uma imagem?
A sua pergunta se dirige à "minha" consciência. A consciência não encontra a si mesma como um som ou uma imagem. Ela não precisa encontrar a si mesma, não precisa sair de si mesma, só precisa ser o que ela é.
É claro que ela parece apontar para algo real, mas a questão é: além da palavra, o que aparece?
Não aparece nada. Porque tudo o que aparece aparece para ou na consciência. Aparecer quer dizer surgir, emergir na consciência. A consciência não aparece, não surge nem emerge para ou nela mesma.
Sons aparecem.
Sensações no corpo aparecem.
Pensamentos aparecem.
Isso é direto, imediato. Não precisa de explicação. Mas qualquer palavra sobre “consciência”, “atenção” ou “sujeito”… isso aparece apenas como mais um pensamento, junto com os outros.
Toda e qualquer palavra aparece depois do fato. A diferença é que algumas nomeiam ou descrevem coisas, objetos do mundo externo ou interno. E outras nomeiam ou descrevem o "espaço" onde surgem, aparecem esses objetos.
A diferença que quero que você veja é essa: sons, sensações e pensamentos aparecem diretamente. Já esse “lugar” chamado consciência… aparece mesmo, ou só é mencionado como explicação?
Como disse, a consciência não aparece. Tudo o mais é que aparece nela ou para ela. Por isso não se pode encontrá-la. Como os óculos no nosso nariz, mal comparando.
Nosso objetivo é justamente questionar cada conceito, por mais refinado ou espiritualizado que seja, para ver o que sobra quando paramos de nomear e apenas olhamos para o que está aqui, agora.
O que está aqui e agora é a consciência de existir, de estar presente, independentemente de tudo o mais. Essa presença não se confunde com sensações, pensamentos, com nada.
Sente-se confortavelmente e feche os olhos por um instante. Pare agora mesmo e dedique atenção completa a isto, faça quantas vezes for necessário. O mais importante é que você veja por si mesmo, diretamente, na sua experiência imediata, sem recorrer a ideias ou explicações aprendidas.
Observe com atenção total o que está acontecendo neste momento:
- os sons ao seu redor,
- as sensações no corpo,
- os pensamentos que surgem.
Agora, pergunte a si mesmo: onde exatamente aparece aquele “alguém” que observa tudo isso?
Não aparece ninguém. O Edson, com tudo que lhe diz respeito, não é o "observador", ele é observado juntamente com todos os demais objetos.
Tente perceber se ele surge como algo concreto ou apenas como uma ideia junto com o restante da experiência.
Escreva aqui apenas o que você percebe diretamente, sem recorrer a narrativas, explicações ou conceitos. Foque no que você vê e sente com seus sentidos, no aqui e agora.
Não é uma ideia. É uma certeza existencial, uma presença. Os sentidos apenas me dão sensações, sentimentos, percepções. Se nos restringíssemos ao que nos informam os sentidos, inclusive o pensar, nem saberíamos que existimos.

Abraço,
Edson

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Maylson
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Re: Quem sou eu?

Postby Maylson » Thu Oct 02, 2025 2:13 pm

Edson, bom dia, tudo bem?
“Não aparece ninguém. O Edson, com tudo que lhe diz respeito, não é o 'observador', ele é observado juntamente com todos os demais objetos.”
Isso é muito importante, porque mostra que até a ideia de “Edson” surge na experiência como qualquer outra coisa: um som, uma sensação, um pensamento.
“Desculpe, mas discordo. Ou então não entendi direito o que você quis dizer. A palavra consciência é um nome. A diferença é que ela não se refere a sensações, percepções, sentimentos, pensamentos etc., ou seja, consciência não é o nome de nenhum objeto da minha experiência.”
Exatamente. Não estou pedindo para negar a consciência nem para descrevê-la como se fosse um objeto. O que queremos investigar é o que aparece antes de qualquer nome ou conceito. Sons, sensações e pensamentos surgem diretamente. A palavra “consciência” aparece depois, como uma tentativa de apontar para algo, mas não é a própria experiência.
“Como disse, a consciência não aparece. Tudo o mais é que aparece nela ou para ela. Por isso não se pode encontrá-la. Como os óculos no nosso nariz, mal comparando.”
Perfeito. A consciência não é algo que surge como um som, uma dor ou uma imagem, não há nada concreto para apontar ou tocar, concorda? Tudo o que percebemos, incluindo o corpo, os pensamentos e os sentimentos, surge na consciência. Comparar com óculos no nariz ajuda a perceber que, assim como não conseguimos ver os óculos estando sobre o nariz, também não conseguimos localizar a consciência como objeto.
“Não é uma ideia. É uma certeza existencial, uma presença. Os sentidos apenas me dão sensações, sentimentos, percepções. Se nos restringíssemos ao que nos informam os sentidos, inclusive o pensar, nem saberíamos que existimos.”
É exatamente isso que estamos tentando perceber, a experiência de existir não depende de pensamento nem de palavra. Os sentidos mostram apenas partes da experiência - sons, sensações, imagens, pensamentos - mas a consciência de estar aqui surge antes de qualquer descrição.

Agora, vamos transformar isso em prática: pare um instante, faça a experiência com atenção total e veja:

Quais sons aparecem?

Quais sensações no corpo aparecem?

Quais pensamentos aparecem?

Quando o “Edson observado” surge, há realmente um observador separado olhando? Ou tudo isso - corpo, pensamentos, sensação de consciência - aparece igualmente, sem alguém por trás?

Escreva apenas o que percebe diretamente nessa investigação, não narrativas, explicações ou conceitos, apenas o que se mostra no momento da experiência. Dedique tempo completo a isso e repita quantas vezes sentir necessidade.

Você também comentou anteriormente:
“Às vezes, como agora, é como se minha consciência desse um passo atrás e passasse a contemplar o Edson e seu mundo 'de fora'. Como se ela se desse conta da diferença entre ela e tudo o mais. Por isso a chamei de impessoal, porque se distingue de tudo, inclusive da minha pessoa.”
Vamos olhar mais de perto isso. Esse “de fora” que parece observar… ele aparece como algo concreto tipo som, sensação, imagem ou é apenas mais um pensamento, mais uma ideia que surge junto com o restante?

Essa é a chave: em vez de assumir que existe um “lugar de fora” ou uma “presença especial”, investigue diretamente se isso pode ser encontrado da mesma forma que encontramos um som ou uma dor.
May.

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Edson
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Re: Quem sou eu?

Postby Edson » Fri Oct 03, 2025 1:28 pm

Oi May,
Agora, vamos transformar isso em prática: pare um instante, faça a experiência com atenção total e veja: Quais sons aparecem? Quais sensações no corpo aparecem? Quais pensamentos aparecem?
Sons de um canteiro de obras, do trânsito, de um avião, de uma escola, passarinhos... Sensação de incômodo na cervical, da pressão das nádegas e costas na cadeira, dos pés no chão, braços na mesa, da roupa na pele... Sono, cansaço... Pensamentos que tentam classificar isso tudo, pensamentos aleatórios... Sentimentos diversos, sem intensidade...
Quando o “Edson observado” surge, há realmente um observador separado olhando? Ou tudo isso - corpo, pensamentos, sensação de consciência - aparece igualmente, sem alguém por trás?
Não se trata de um "observador" no sentido estrito de um sujeito determinado. Nem está separado dos objetos todos. Mas não se confunde com eles. Não sei como descrever, muito menos explicar... Simplesmente sei que há consciência.
Vamos olhar mais de perto isso. Esse “de fora” que parece observar… ele aparece como algo concreto tipo som, sensação, imagem ou é apenas mais um pensamento, mais uma ideia que surge junto com o restante?
"De fora" é apenas uma metáfora espacial para dizer que não, isso não aparece como uma coisa. Mas também não parece ser um pensamento. O pensamento tenta entender, explicar essa "instância" que simplesmente está aí.
Essa é a chave: em vez de assumir que existe um “lugar de fora” ou uma “presença especial”, investigue diretamente se isso pode ser encontrado da mesma forma que encontramos um som ou uma dor.
Não é de fora, por isso se pode dizer que é de dentro da experiência total, mas, ao mesmo tempo, não é algo localizável, definível ou determinável como um som ou uma dor ou mesmo um pensamento.

Obrigado,
Edson

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Re: Quem sou eu?

Postby Maylson » Fri Oct 03, 2025 8:43 pm

Boa noite, Edson, tudo bem?

Percebo que você já notou algo fundamental: essa sensação de “consciência” não é algo separado, nem um pensamento, nem um objeto, ela simplesmente aparece junto com tudo o mais que surge na experiência.

Vamos olhar ainda mais de perto: se você observa sem buscar entender, explicar ou nomear, perceberá que tudo (sons, sensações, pensamentos, sentimentos e essa própria sensação de estar ciente) surge no mesmo nível. Nada está “por trás” ou “fora”, tudo simplesmente acontece, sem necessidade de um observador.

É interessante notar como essa percepção transforma o que chamamos de “eu”. O “eu” que parece observar não é algo fixo, ele surge e desaparece junto com os outros elementos da experiência. Ele não controla, não dirige, não existe como objeto separado.

Agora, uma sugestão prática: sente-se, feche os olhos, respire naturalmente e perceba o fluxo inteiro da experiência. Observe o surgimento de sons, sensações, pensamentos e da própria sensação de estar presente. Sem interferir, apenas registre:

Como o “eu que observa” surge e se dissolve?

Há algo consistente ou ele é apenas mais uma parte do que aparece?

Sinta isso no seu próprio tempo. Quando quiser, compartilhe o que percebeu aqui!
May.

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Re: Quem sou eu?

Postby Edson » Mon Oct 06, 2025 5:20 pm

Olá,
sente-se, feche os olhos, respire naturalmente e perceba o fluxo inteiro da experiência. Observe o surgimento de sons, sensações, pensamentos e da própria sensação de estar presente. Sem interferir, apenas registre:
Como o “eu que observa” surge e se dissolve?
Enquanto a consciência parece sempre estar presente, o eu parece aparecer sempre depois de alguma decisão, percepção ou pensamento. E então tenta se apropriar do processo, afirmando-se como seu autor. É uma espécie de ladrão ou plagiador insidioso. E, além disso, não é estável, como supomos. Às vezes nem se encontra presente, e às vezes vem e se vai em seguida. E também não é sempre igual. Ou talvez nem seja um, mas vários. Ou, então, nenhum, mas apenas o resultado de uma confusão ou de carência.
Há algo consistente ou ele é apenas mais uma parte do que aparece?
Definitivamente, é parte. A consciência é também parte, ou talvez seja melhor dizer que ela é o todo do qual o eu é apenas uma parte, como tudo o mais.

Gostaria muito de ter mais clareza sobre tudo isso. Por enquanto são apenas observações pouco definidas e consistentes.

Você conheceria alguém de São Paulo, capital, com quem eu pudesse conversar? Trocar mensagens ajuda bastante, mas gostaria de conversar pessoalmente com alguém. Se falar sobre essas coisas com amigos e colegas, eles vão achar que estou enlouquecendo...

Obrigado,
Edson

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Re: Quem sou eu?

Postby Maylson » Mon Oct 06, 2025 6:06 pm

Oi, Edson, boa tarde! Como está esse inicio de semana?

Você trouxe algo muito importante:
“Enquanto a consciência parece sempre estar presente, o eu parece aparecer sempre depois de alguma decisão, percepção ou pensamento. E então tenta se apropriar do processo, afirmando-se como seu autor. É uma espécie de ladrão ou plagiador insidioso. E, além disso, não é estável, como supomos. Às vezes nem se encontra presente, e às vezes vem e se vai em seguida. E também não é sempre igual. Ou talvez nem seja um, mas vários. Ou, então, nenhum, mas apenas o resultado de uma confusão ou de carência.”
Exatamente. Esse “eu” é um amontoado de histórias e narrativas construídas a partir de pensamentos e sensações. Esse processo é comum a todos e inevitável. A percepção de individualidade é útil nas interações cotidianas, mas, quando tomada como algo real e separado, gera sofrimento. A crença de que somos esse corpo e de que estamos escolhendo e decidindo o tempo todo é a raiz da sensação de falta e de não pertencimento.
“Definitivamente, é parte. A consciência é também parte, ou talvez seja melhor dizer que ela é o todo do qual o eu é apenas uma parte, como tudo o mais.”
Quem é que está ciente dessa consciência? Como acontece essa percepção?

Esse ponto merece ser olhado de perto com calma:

Quando surge um som, há separação entre o som e a consciência desse som?
Quando surge uma sensação, dá para encontrar a consciência de um lado e a sensação de outro?
Ou será que sensação e consciência são, na prática, inseparáveis?

Se olhar diretamente, será que há mesmo essa linha divisória? Como e onde ela aparece?
Ou o que chamamos de “consciência” é apenas outro nome dado à própria experiência viva, sem precisar de um fundo separado?

“Gostaria muito de ter mais clareza sobre tudo isso. Por enquanto são apenas observações pouco definidas e consistentes.”
E é justamente aqui que a investigação pode clarear. Porque não se trata de chegar a uma explicação mais refinada/clara, mas de olhar para o que já está acontecendo agora, na sua experiência direta!

Você comentou sobre procurar alguém em São Paulo para conversar. Infelizmente não conheço.
Essa troca pode ser valiosa, mas observe, toda clareza que surge vem da sua própria observação imediata. O que alguém pode fazer, seja por mensagem ou pessoalmente, é apenas apontar de volta para o que já está aqui.

Então, minha proposta é que faça uma pausa agora mesmo e investigue:
Quando um som ou uma sensação surge, consegue localizar a consciência em algum lugar separado disso?
Ou som, sensação e consciência se mostram como uma única coisa acontecendo?
May.

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Re: Quem sou eu?

Postby Edson » Tue Oct 07, 2025 1:32 pm

Olá,
“Definitivamente, é parte. A consciência é também parte, ou talvez seja melhor dizer que ela é o todo do qual o eu é apenas uma parte, como tudo o mais.” Quem é que está ciente dessa consciência? Como acontece essa percepção?
Não sei se se trata de uma percepção. Estritamente falando, acho que não. Pois não se trata de um sujeito percebendo um objeto. Mas de algo que simplesmente sabe de si. É autoconsciente. Acho que a palavra mais adequada é apercepção.
Quando surge um som, há separação entre o som e a consciência desse som?
Não, são simultâneos.
Quando surge uma sensação, dá para encontrar a consciência de um lado e a sensação de outro?
Não, não há sensação sem consciência da sensação.
Ou será que sensação e consciência são, na prática, inseparáveis?
São inseparáveis. Mas são distinguíveis, pois se tem consciência da sensação e de que há algo percebendo a sensação (apercepção).
Se olhar diretamente, será que há mesmo essa linha divisória? Como e onde ela aparece?
Não há divisão. Não há sensação sem consciência.
Ou o que chamamos de “consciência” é apenas outro nome dado à própria experiência viva, sem precisar de um fundo separado?
O fundo não é a forma, mas sem fundo não há forma. Assim como a tela do cinema não é o filme, mas sem a tela não há filme. Não sei se essa metáfora é adequada...
E é justamente aqui que a investigação pode clarear. Porque não se trata de chegar a uma explicação mais refinada/clara, mas de olhar para o que já está acontecendo agora, na sua experiência direta!
Sim, não estou procurando por explicações, embora tenha feito isso por muito tempo.
toda clareza que surge vem da sua própria observação imediata. O que alguém pode fazer, seja por mensagem ou pessoalmente, é apenas apontar de volta para o que já está aqui.
Sim, é isso, obrigado.
Quando um som ou uma sensação surge, consegue localizar a consciência em algum lugar separado disso?
Ou som, sensação e consciência se mostram como uma única coisa acontecendo?
De fato, não dá pra separar. É tudo uma coisa, um processo só. Entretanto, se não estou me enganando, eu sei que existo independentemente de sensações, percepções, pensamentos etc. Mas não se trata aqui do Edson. A identificação com o corpo e com a mente do Edson vem depois da certeza existencial.

Abraço,
Edson

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Re: Quem sou eu?

Postby Maylson » Tue Oct 07, 2025 5:03 pm

Edson, bom dia, tudo bem contigo?

Você fala de uma “certeza silenciosa de estar consciente”.
Mas olhe com total honestidade: essa certeza, ela é algo fixo, sólido, ou apenas mais um movimento aparecendo agora, junto com sons, sensações e pensamentos?

Veja diretamente: há mesmo algo aí que “sabe” de si, ou essa sensação de “saber” é também algo que surge, muda e desaparece como qualquer outra coisa?

Perceba como, às vezes, essa presença parece intensa e clara… e em outros momentos, quase se apaga, como no sono profundo ou numa distração.
Se aquilo que você chama de “consciência” pode variar, então o que é que realmente permanece?
O que é que não depende nem de estar lúcido, nem desperto, nem consciente de si?


E antes mesmo que o pensamento diga “eu sei que existo”, já há o simples acontecer: sons, o corpo respirando, o ar tocando a pele. Independente de um "Eu" obsrvandor, tudo simplemsente já é!

Talvez seja uma ilusão imaginar um fundo, uma “consciência” estável, imóvel, sobre a qual tudo acontece.
Mas e se não houver fundo?
E se o que chamamos de “consciência” for apenas o nome dado ao próprio aparecer, sem dentro, sem fora, sem quem saiba?

Fique um momento com isso, sem tentar entender, sem tentar sustentar uma ideia.
Veja se realmente há dois lados: o que aparece e aquele que sabe que aparece.
Ou se tudo é apenas isso, já acontecendo, sem ninguém por trás.

Talvez o que chamam de despertar não seja descobrir algo novo, mas simplesmente deixar cair o último reflexo da busca, o que tenta se afirmar como aquele que sabe.
May.

"The moment I am aware that I am aware I am not aware. Awareness means the observer is not"
― Jiddu Krishnamurti

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Edson
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Re: Quem sou eu?

Postby Edson » Wed Oct 08, 2025 11:11 am

Oi, May, tudo bem?
Você fala de uma “certeza silenciosa de estar consciente”. Mas olhe com total honestidade: essa certeza, ela é algo fixo, sólido, ou apenas mais um movimento aparecendo agora, junto com sons, sensações e pensamentos?
Ela está sempre presente, até nos sonhos. Não é sensação, percepção, sentimento, nem pensamento. Isso tudo passa, muda, mas a certeza de si não.
Veja diretamente: há mesmo algo aí que “sabe” de si, ou essa sensação de “saber” é também algo que surge, muda e desaparece como qualquer outra coisa?
Não é um algo, no sentido de coisa, de objeto. É mais que uma sensação. Não surge, nem desaparece.
Perceba como, às vezes, essa presença parece intensa e clara… e em outros momentos, quase se apaga, como no sono profundo ou numa distração.
Pode ser que quase se apague, mas isso nunca acontece. Do sono profundo, nada sei. Mas acho possível que a consciência perdure mesmo sem objetos.
Se aquilo que você chama de “consciência” pode variar, então o que é que realmente permanece? O que é que não depende nem de estar lúcido, nem desperto, nem consciente de si?
Variar de intensidade não é a mesma coisa que deixar de existir, como acontece com os objetos em geral. Neste sentido, a consciência não varia. Talvez você não esteja me entendendo. Consciência de si, para mim, neste contexto, quer dizer apenas certeza de existir, de ser, de estar aí, presente. Não diz nada sobre os modos de ser, existir, estar, por exemplo, como ser humano, pessoa, brasileiro etc.
E antes mesmo que o pensamento diga “eu sei que existo”, já há o simples acontecer: sons, o corpo respirando, o ar tocando a pele. Independente de um "Eu" obsrvandor, tudo simplemsente já é!
A certeza existencial antece a proposição "eu existo". Só posso pensar porque existo. Tenho um conhecimento não proposional de que existo.
Talvez seja uma ilusão imaginar um fundo, uma “consciência” estável, imóvel, sobre a qual tudo acontece.
Mas e se não houver fundo?
Se estou sendo iludido, enganado, então continuo sendo e sabendo que sou. A certeza de si é inescapável, incontornável. Negá-la é incorrer em contradição consigo mesmo.
E se o que chamamos de “consciência” for apenas o nome dado ao próprio aparecer, sem dentro, sem fora, sem quem saiba?
Nesse caso se trata de consciência objetiva, de objetos. Mas, como disse, a consciência está sempre presente, acompanhando o surgir, aparecer (e desaparecer) de tudo.
Fique um momento com isso, sem tentar entender, sem tentar sustentar uma ideia. Veja se realmente há dois lados: o que aparece e aquele que sabe que aparece. Ou se tudo é apenas isso, já acontecendo, sem ninguém por trás.
"Alguém por trás" é apenas uma metáfora, como a do cinema. Estou me restringindo àquilo que me parece ser. Indo mais fundo, poderia arriscar que tudo é consciência, ou seja, que forma e fundo, objetos e consciência, são tudo a mesma coisa, consciência, ser, ou seja lá como se queira chamar. Mas isso é especulação, pelo menos para mim.
Talvez o que chamam de despertar não seja descobrir algo novo, mas simplesmente deixar cair o último reflexo da busca, o que tenta se afirmar como aquele que sabe.
Mas não se trata de saber isso ou aquilo, mas antes de um não-saber, ou seja, de estar certo de apenas uma coisa: de ser, de estar presente. Sem saber como nem por quê.

Abraço,
Edson


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