Olá Scubadiver,
Peço desculpa pela demora na resposta. Comecei um trabalho novo a tempo inteiro e sobra-me muito pouco tempo livre para responder aos meus 'clientes' com regularidade. Espero conseguir hoje reorganizar as minhas rotinas e retomar os diálogos com regularidade.
...lidar com sensações físicas desconfortáveis e emoções reprimidas não é o meu forte, mas estou a trabalhar esse aspeto. A principal zona onde aparecem essas sensações é o meio do peito. Estou a seguir as suas recomendações sobre desligar a narrativa mental quando as sensações aparecem e apenas experiencia-las... No entanto, surge uma dúvida: até que ponto será proveitoso saber de onde vêm essas emoções reprimidas? Será benéfico ou uma perda de tempo?
Vai chegar uma fase em que a origem dessas emoções (traumas/memórias de infância) vem à superfície (da consciência) e as emoções como perda, raiva e tristeza se intensificam. Não é confortável nem agradável para ninguém :-)
Focares-te nas sensações sem alimentar a narrativa ajuda a libertar essas emoções reprimidas minimizando a reatividade que pode afetar as pessoas à tua volta de forma negativa (não te quero desmotivar, mas estive 10 meses nessa fase desconfortável). Depois chega a fase de acalmia em que essas memórias ou traumas não passam de estórias sem qualquer impacto no momento presente e sentes uma leveza que não tinhas antes.
A mente é como um iceberg, a ponta acima da água é aquilo de que temos consciência, mas todo o nosso comportamento, preferências, 'escolhas', etc. são condicionadas pelo nosso inconsciente que fica 'escondido abaixo da superfície'. Quando vires com clareza (ou gradualmente) que o 'EU, MEU, MIM' é uma construção mental que não existe em lado nenhum, como já viste, é como se tirasses a rolha que reprimia o teu inconsciente e tudo que está lá armazenado começa a vir à superfície gradualmente, à luz da consciência. Por isso se diz que o despertar espiritual é conheceres-te a ti mesmo. É um processo natural que se desenrola ao seu ritmo e intensidade, que difere de pessoa para pessoa. Ajuda reconhecer as diferentes fases do processo, mas o importante é aceitares e renderes-te ao processo natural com paciência.
Pode um sentimento escolher? A escolha acontece, parece-me, devido a gostos/aversões presentes no subconsciente, que, por sua vez, parece-me que fazem surgir esses sentimentos... Existe uma preferência, que pode dar lugar a um sentimento, que leva a uma escolha... Faz sentido?
Muito bem observado.
Mas as escolhas não acontencem independentemente desse 'sentimento de EU'?
Embora percebas que não há um observador/testemunha, ainda pode haver a sensação de identificação de ser o ‘fazedor’. Que ainda “parece” que existe um EU que é o “escolhedor”. Então, vamos ver isso em mais detalhe com o sentido da VISÂO. Respire algumas vezes relaxadamente para acalmar e depois:
Olhe à sua direita.
Depois olhe para a sua esquerda.
Por fim, traga a cabeça de volta ao centro, feche os olhos e olhe para a frente.
Ok, então quando você olha para a direita, a visão à direita é vista (seja lá o que for).
Quando você olha para a esquerda, a vista à esquerda é vista (seja lá o que for).
E depois, quando você olha à sua frente com os olhos fechados, a visão à sua frente é vista (ou seja, 'espaço preto').
Então, quando a visão à direita é vista, você tem a “escolha” de não a ver?
Eu não estou perguntando se pode 'escolher' ver algo diferente como o 'espaço preto' se fechar seus olhos.
A questão é;
Você pode desligar a visualização? Você pode ESCOLHER não ver o que é visto?
A mesma coisa com a vista à esquerda, você pode escolher não ver a vista à esquerda?
A mesma coisa com a vista de frente com os olhos fechados, você pode escolher não ver o ‘espaço preto’?
Você pode desligar a visão?
O que o 'selecionador' escolheu? Um 'EU' escolheu alguma coisa?
Se você não consegue escolher aquilo de que tem consciência, então o que mais há para escolher?
Abraço,
Atmajnani