Viva Vicenzo,
Obrigada pela tua resposta. Ainda bem que gostaste dos exercícios.
Geralmente recomendo exercícios sobre uma crença específica sobre o eu. Assim sendo, de momento o que é que pensas que o eu é ou onde pensas que o eu está?
Fico com a ideia de que achas que é preciso tempo e esforço para chegar à realização de que um eu real não existe. Temos a tendência para abordar esta exploração como se fosse uma aprendizagem, algo que implica uma progressão numa determinada direção. Para aprender uma língua, por exemplo, é preciso dedicação, tempo, prática.
De certa forma sim, a realização de que um eu real não existe pode exigir trabalho, esforço, tempo. Por outro lado, é algo de muito simples. Basta olhar e ver que aqui agora, não existe um eu. Ver o que está aqui é imediato, prático, simples, sem esforço. Basta olhar e ver, aqui e agora, o que está aqui, tal como é. Como verificaste com o exercício dos labels, a linguagem, os pensamentos sobre o eu, criam a ilusão de que um eu é real, mas se olharmos para as evidências presentes, vemos que não é.
Fico a aguardar sugestões sobre o que queres explorar a seguir.
Abraço,
S
Hey!
- TheVipZo123
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Re: Hey!
Oi, tudo bem?
Eu estava pensando se eu gostaria de viver sem o eu. Apesar de ser a verdade que um eu concreto e separado não existe, na minha experiencia a vida fica meio chata sem o eu. Eu vejo as pessoas falarem que o mundo inteiro fica vivo ou cada momento é como voce tivesse nascido nele. E faz sentido, pois se nada é separado, tudo fica mais vivo mesmo.
Mas para mim, eu gostaria de ter uma experiencia que me convencesse que a vida seria mais legal sem o eu. Pois, parece que a vida fica mais chata ou silenciosa. O drama de ter uma missão, coisas para fazer, uma vida, amigos, familia, sonhos a ser conquistados, apesar de ser um fábula e talvez mais cansativo, não é mais divertido do que não ter um eu e cair nesse silencio? Eu gosto da verdade e respeito ela mas eu não estou convencido se é isso que eu quero. Caso a verdade não depende de eu querer ou nao, como eu vou dedicar esforço para ela sem querer? Peço perdão se estou sendo egoista, talvez isso tudo é uma forma de justificativa para escapar o medo do silencio.
Obrigado Sandra.
Abraço
Eu estava pensando se eu gostaria de viver sem o eu. Apesar de ser a verdade que um eu concreto e separado não existe, na minha experiencia a vida fica meio chata sem o eu. Eu vejo as pessoas falarem que o mundo inteiro fica vivo ou cada momento é como voce tivesse nascido nele. E faz sentido, pois se nada é separado, tudo fica mais vivo mesmo.
Mas para mim, eu gostaria de ter uma experiencia que me convencesse que a vida seria mais legal sem o eu. Pois, parece que a vida fica mais chata ou silenciosa. O drama de ter uma missão, coisas para fazer, uma vida, amigos, familia, sonhos a ser conquistados, apesar de ser um fábula e talvez mais cansativo, não é mais divertido do que não ter um eu e cair nesse silencio? Eu gosto da verdade e respeito ela mas eu não estou convencido se é isso que eu quero. Caso a verdade não depende de eu querer ou nao, como eu vou dedicar esforço para ela sem querer? Peço perdão se estou sendo egoista, talvez isso tudo é uma forma de justificativa para escapar o medo do silencio.
Pois é. Lendo isso da vontade de apagar o que escrevi lá em cima.De certa forma sim, a realização de que um eu real não existe pode exigir trabalho, esforço, tempo. Por outro lado, é algo de muito simples. Basta olhar e ver que aqui agora, não existe um eu. Ver o que está aqui é imediato, prático, simples, sem esforço. Basta olhar e ver, aqui e agora, o que está aqui, tal como é. Como verificaste com o exercício dos labels, a linguagem, os pensamentos sobre o eu, criam a ilusão de que um eu é real, mas se olharmos para as evidências presentes, vemos que não é.
Está em mim. Está pensando. Penso que o eu é apenas historias na minha cabeça ou na cabeça. Para mim, o eu não está mais no corpo.Geralmente recomendo exercícios sobre uma crença específica sobre o eu. Assim sendo, de momento o que é que pensas que o eu é ou onde pensas que o eu está?"
Obrigado Sandra.
Abraço
Re: Hey!
Viva Vicenzo, está tudo bem, obrigada, espero que contigo também.
Mas podes saber agora qual vai ser a tua experiência futura ou o que escreves acima é uma história sobre o que pensas que vai acontecer?
Porque é que falas sobre o silêncio? Aprendeste algures que o objetivo é entrar num estado silencioso?
Na minha experiência o que pode acontecer é mais o contrário. Sem a ilusão de um eu separado tudo pode parecer mais intenso, mais cru, mais imediato. Mas a tua experiência é única e só vais saber como é que isto vai ser para ti à medida que vai acontecendo.
E foi necessário convenceres-te de que o Pai Natal não existe?
Consegues convencer-te que o Pai Natal é real?
A ilusão do eu é semelhante à crença no Pai Natal. Acreditas na existência de um eu e depois tens a realização de que um eu não existe. E a vida continua.
Se olhares para os pensamentos o que é que vês a acontecer?
Consegues encontrar um eu a criar pensamentos?
Abraço,
S
Já estás a viver sem o eu. Não é uma questão de opções, a não existência de um eu real é um fato.Eu estava pensando se eu gostaria de viver sem o eu.
Hmm. Estás a falar sobre um determinado tipo de experiência, uma experiência de não separação, de foco intenso no momento. Este tipo de experiência pode acontecer ou não e, quando acontece, dura algum tempo e transforma-se em algo de diferente. Acho que ninguém consegue estar permanentemente a viver um único tipo de experiência.Apesar de ser a verdade que um eu concreto e separado não existe, na minha experiencia a vida fica meio chata sem o eu. Eu vejo as pessoas falarem que o mundo inteiro fica vivo ou cada momento é como voce tivesse nascido nele. E faz sentido, pois se nada é separado, tudo fica mais vivo mesmo.
Estás a ser honesto e ser honesto é a forma certa de fazer este caminho.Mas para mim, eu gostaria de ter uma experiencia que me convencesse que a vida seria mais legal sem o eu. Pois, parece que a vida fica mais chata ou silenciosa. O drama de ter uma missão, coisas para fazer, uma vida, amigos, familia, sonhos a ser conquistados, apesar de ser um fábula e talvez mais cansativo, não é mais divertido do que não ter um eu e cair nesse silencio?
Mas podes saber agora qual vai ser a tua experiência futura ou o que escreves acima é uma história sobre o que pensas que vai acontecer?
Porque é que falas sobre o silêncio? Aprendeste algures que o objetivo é entrar num estado silencioso?
Na minha experiência o que pode acontecer é mais o contrário. Sem a ilusão de um eu separado tudo pode parecer mais intenso, mais cru, mais imediato. Mas a tua experiência é única e só vais saber como é que isto vai ser para ti à medida que vai acontecendo.
Quando percebeste que o Pai Natal não existe, ponderaste se querias ou não saber se o Pai Natal existe?Eu gosto da verdade e respeito ela mas eu não estou convencido se é isso que eu quero. Caso a verdade não depende de eu querer ou nao, como eu vou dedicar esforço para ela sem querer?
E foi necessário convenceres-te de que o Pai Natal não existe?
Consegues convencer-te que o Pai Natal é real?
A ilusão do eu é semelhante à crença no Pai Natal. Acreditas na existência de um eu e depois tens a realização de que um eu não existe. E a vida continua.
Quais são as evidências que encontras em como isto que escreves é verdade?Está pensando.
Se olhares para os pensamentos o que é que vês a acontecer?
Consegues encontrar um eu a criar pensamentos?
Abraço,
S
- TheVipZo123
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Re: Hey!
Opa Sandra, comigo está tudo bem.
Ontem eu fiz um exercicio na cama, aonde observei os meus pensamentos um por um, principalmente o pensamento de que estou observando os pensamentos ou que quero chegar a algum lugar. Observei que fico mais honesto fazendo isso. Eu sei que a resposta é óbvia. Eu só preciso ser honesto. Vou continuar fazendo isso.
Obrigado Sandra.
Desculpe a demora na resposta e também a gastar o seu tempo.
Abraço
Ontem eu fiz um exercicio na cama, aonde observei os meus pensamentos um por um, principalmente o pensamento de que estou observando os pensamentos ou que quero chegar a algum lugar. Observei que fico mais honesto fazendo isso. Eu sei que a resposta é óbvia. Eu só preciso ser honesto. Vou continuar fazendo isso.
Não, não posso. O que eu escrevi é uma historia que espero acontecer. Mas é uma mentira. Estava errado em esperar algo.Mas podes saber agora qual vai ser a tua experiência futura ou o que escreves acima é uma história sobre o que pensas que vai acontecer?
Bom, sem os pensamentos ou percebendo os pensamentos falhos sou mais honesto e, precisa ser honesto para ver o óbvio. Portanto, o silencio surgiria naturalmente sem os pensamentos.Porque é que falas sobre o silêncio? Aprendeste algures que o objetivo é entrar num estado silencioso?
Pior que nao consigo fazer eu acreditar no Papai Noel (No Brasil, chamamos o cara com a toca vermelha e barba branca que faz propangada da coca-cola de Papai Noel Hahaha.) de novo. Seria uma mentira. Como alguém entra em uma mentira conscientemente? Eu posso falar para ti "Eu nao acredito em um eu." Mas parece uma mentira. Quando falo, "Eu nao acredito no Papai Noel." parece uma verdade.Quando percebeste que o Pai Natal não existe, ponderaste se querias ou não saber se o Pai Natal existe?
E foi necessário convenceres-te de que o Pai Natal não existe?
Consegues convencer-te que o Pai Natal é real?
A ilusão do eu é semelhante à crença no Pai Natal. Acreditas na existência de um eu e depois tens a realização de que um eu não existe. E a vida continua.
Eu posso perceber as minhas intenções ou os meus pensamentos e eles desaparecem por um tempo. Sera que o eu desaparece com eles? Ainda sinto o meu corpo ou minha cabeça. Mas isso pode ser um pensamento também.Quais são as evidências que encontras em como isto que escreves é verdade?
Se olhares para os pensamentos o que é que vês a acontecer?
Consegues encontrar um eu a criar pensamentos?
Obrigado Sandra.
Desculpe a demora na resposta e também a gastar o seu tempo.
Abraço
Re: Hey!
Viva Vicenzo,
Assim sendo o eu aparece e desaparece de acordo com o conteúdo dos pensamentos?
É isto que vês a acontecer?
Abraço,
S
Quando estiveres a observar os pensamentos vê se consegues encontrar um pensador, uma entidade que pensa os pensamentos, a pensar pensamentos.Ontem eu fiz um exercicio na cama, aonde observei os meus pensamentos um por um, principalmente o pensamento de que estou observando os pensamentos ou que quero chegar a algum lugar. Observei que fico mais honesto fazendo isso. Eu sei que a resposta é óbvia. Eu só preciso ser honesto. Vou continuar fazendo isso.
Acho que para partilhares o que vês só precisas de ser descritivo: vejo isto e isto, não vejo isto e isto.Bom, sem os pensamentos ou percebendo os pensamentos falhos sou mais honesto e, precisa ser honesto para ver o óbvio. Portanto, o silencio surgiria naturalmente sem os pensamentos.
Hosnestidade, verdades e mentiras. Sem ser nos pensamentos podemos encontrar mentiras no que é real? Consegues dar-me um exemplo de uma mentira que seja real?Pior que nao consigo fazer eu acreditar no Papai Noel (No Brasil, chamamos o cara com a toca vermelha e barba branca que faz propangada da coca-cola de Papai Noel Hahaha.) de novo. Seria uma mentira. Como alguém entra em uma mentira conscientemente? Eu posso falar para ti "Eu nao acredito em um eu." Mas parece uma mentira. Quando falo, "Eu nao acredito no Papai Noel." parece uma verdade.
Estás a dizer que quando não tens pensamentos sobre o eu o eu pode desaparecer?Eu posso perceber as minhas intenções ou os meus pensamentos e eles desaparecem por um tempo. Sera que o eu desaparece com eles? Ainda sinto o meu corpo ou minha cabeça. Mas isso pode ser um pensamento também.
Assim sendo o eu aparece e desaparece de acordo com o conteúdo dos pensamentos?
É isto que vês a acontecer?
No problem Vicenzo, é um prazer :)Desculpe a demora na resposta e também a gastar o seu tempo.
Abraço,
S
- TheVipZo123
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Re: Hey!
Opa Sandra, mais um dia! Obrigado pela tua resposta.
Sim. O eu depende do conteúdo dos pensamentos. Mas parece que tem um eu atrás de todos os eu's, um eu supremo. Hahahaha.
Abraço
Ok. Eu não estou conseguindo encontrar. Estou me esforçando. Tem uma tensão ali. Mas isso não quer dizer nada. Uma tensão não é uma entidade pensadora.Quando estiveres a observar os pensamentos vê se consegues encontrar um pensador, uma entidade que pensa os pensamentos, a pensar pensamentos.
Ok. Talvez tenho um problema porque, na maior parte do tempo, quando fecho os olhos vejo preto. Quando não estou imaginando. Deveria ver outra coisa?Acho que para partilhares o que vês só precisas de ser descritivo: vejo isto e isto, não vejo isto e isto.
Hahahaha! Te amo Sandra! Hahaaha! Não consigo. Tudo que é real existe sem desculpas. Sem precisar dar uma razão para existir.Hosnestidade, verdades e mentiras. Sem ser nos pensamentos podemos encontrar mentiras no que é real? Consegues dar-me um exemplo de uma mentira que seja real?
Hmmm. Eu não consigo achar o eu como uma entidade solida. É que, por exemplo, eu tenho um pensamento, "Eu quero tomar um sorvete agora." Eu posso observar esse pensamento e o eu desse pensamento não existe mais. Por exemplo, quando eu escrevi lá em cima, "Opa Sandra, mais um dia! Obrigado pela tua resposta." eu tenho que buscar esse eu que escreveu isso para eu lembrar o que eu estava sentindo naquele momento. Eu não me lembro quando eu não tive pensamentos sobre eu, musicas, filmes, problemas a ser resolvido, etc... tudo isso tem relaçao com um eu. Talvez não um mesmo eu mas um eu igual. Eu nunca tive pensamentos sem o eu, apenas quando fiz aquele exercicio de escrever o que está acontecendo sem o eu.Estás a dizer que quando não tens pensamentos sobre o eu o eu pode desaparecer?
Assim sendo o eu aparece e desaparece de acordo com o conteúdo dos pensamentos?
É isto que vês a acontecer?
Sim. O eu depende do conteúdo dos pensamentos. Mas parece que tem um eu atrás de todos os eu's, um eu supremo. Hahahaha.
Hehehehe. Valeu!No problem Vicenzo, é um prazer
Abraço
Re: Hey!
Viva Vicenzo e obrigada pela tua resposta :)
Tenho a impressão que estás stuck no acreditar que os pensamentos sobre o eu são reais?
Eu diria que os pensamentos são reais, sim, porque estão a acontecer.
Mas que o eu que está nas histórias que os pensamentos contam não é real.
Isto não quer dizer que quando se vê claramente a ilusão os pensamentos sobre o eu desapareçam, se transformem, etc, assim como as histórias sobre o eu.
Faz o exercício abaixo, de preferência deitado num sítio sossegado, durante uns 10 minutos. Pensar sobre isto não vale! Tens mesmo de fazer o exercício.
Com os olhos fechados - foca-te nas histórias sobre o eu: eu sou isto, eu fiz aquilo, aconteceu-me isto, etc.
Pensa em coisas que te façam acreditar que o eu existe, torna o eu tão sólido, tão real quanto possível, até teres a certeza de que ele existe.
Depois foca-te no está aqui presente, nas evidências que te rodeiam e não são pensamentos: o que é possível ver, ouvir, tocar, cheirar, saborear.
Observa a diferença entre pensar e ver e depois responde a estas questões:
- olhando para o que é evidente e presente, é possível encontrar um eu?
- os pensamentos sobre o eu/as sensações/as emoções/as histórias, têm o poder de criar um eu real?
- aqui e agora, neste momento, o eu que parecia tão real existe, é real? Encontras um eu real algures?
Abraço,
S
Tenho a impressão que estás stuck no acreditar que os pensamentos sobre o eu são reais?
Eu diria que os pensamentos são reais, sim, porque estão a acontecer.
Mas que o eu que está nas histórias que os pensamentos contam não é real.
Isto não quer dizer que quando se vê claramente a ilusão os pensamentos sobre o eu desapareçam, se transformem, etc, assim como as histórias sobre o eu.
Faz o exercício abaixo, de preferência deitado num sítio sossegado, durante uns 10 minutos. Pensar sobre isto não vale! Tens mesmo de fazer o exercício.
Com os olhos fechados - foca-te nas histórias sobre o eu: eu sou isto, eu fiz aquilo, aconteceu-me isto, etc.
Pensa em coisas que te façam acreditar que o eu existe, torna o eu tão sólido, tão real quanto possível, até teres a certeza de que ele existe.
Depois foca-te no está aqui presente, nas evidências que te rodeiam e não são pensamentos: o que é possível ver, ouvir, tocar, cheirar, saborear.
Observa a diferença entre pensar e ver e depois responde a estas questões:
- olhando para o que é evidente e presente, é possível encontrar um eu?
- os pensamentos sobre o eu/as sensações/as emoções/as histórias, têm o poder de criar um eu real?
- aqui e agora, neste momento, o eu que parecia tão real existe, é real? Encontras um eu real algures?
Abraço,
S
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