Oi Sandra,
Para chegares à resposta, começa por observar algo de relativamente simples, como o movimento dos dedos ou de um braço, por exemplo. Se neste momento observares o que acontece (ou não acontece) perante o pensamento "move um braço!", o que é que vês?
O pensamento "move um braço" sozinho não é capaz de fazer nada; além de pensar, é preciso querer mover o braço.
Quando está automatizado, o movimento se dá quase que automaticamente; p.ex., no digitar, dirigir etc.
Movimentos espontâneos, p.ex., de reflexo, autodefesa etc. se dão de modo totalmente automático, embora possam ser aperfeiçoados.
Movimentos fisiológicos, de coração, pulmões etc., são automáticos.
Olhando para fatos e relatando o observado, quais sãos as tuas respostas a estas questões?:
- o que é que faz mover (ou não) o braço?
- é possível ver alguma forma de controle a acontecer?
É preciso haver a vontade ou o desejo de mover o braço para pegar o mouse ou o copo d'água, p.ex.
Mas disso não se segue a necessidade de um ego que queira, deseje, controle etc.
Plantas, animais e recém-nascidos fazem movimentos, mas não têm ego.
Isso não é mais problema pra mim.
Estava pensando noutra coisa: no fato de sermos capazes de planejar e executar atos antinaturais (de amor --altruísmo, heroísmo-- ou de ódio --tortura, guerra-- etc.) sem que sequer existamos!
O que nos move, p.ex., a dar a vida por um estranho ou a torturá-lo por nada?
Talvez seja isso e coisas semelhantes que nos induzem a acreditar na existência de um ego, um agente, um sujeito livre e responsável.
Afinal, precisamos organizar a vida socialmente, com normas, leis etc.
Sim, as coisas simplesmente acontecem, mas explodir-se num ônibus cheio de crianças não é a mesma coisa que tomar um sorvete.
O que você e o pessoal da LU ensinam a respeito?
Abraço,
d.