Obrigado, Liber, fico no aguardo.
Abraços,
Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
- LiberNihilo
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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Oi Riktam, tudo bem? Espero que sim.
Há algum tempo atrás me lembrei deste tópico, e me lembrei que o abandonei. Não me lembro ao certo o motivo (já fazem quase 2 anos), mas especulo alguns:
- Penso que posso ter subestimado muito cedo a eficácia do método.
- Provavelmente me senti pressionado pela necessidade de postagem diária.
Quanto ao segundo ponto, entendo perfeitamente a necessidade de uma certa disciplina. Posso ter considerado que não estava funcionando muito bem...
Enfim, independente dos motivos, volto um pouco envergonhado, mas ainda muito desejoso por uma percepção mais assertiva da realidade.
Gostaria de saber se você me aceitaria novamente como seu discípulo e se haveria a possibilidade de continuarmos o processo.
Seja qual for sua resposta, desde já agradeço.
Grande abraço!
Há algum tempo atrás me lembrei deste tópico, e me lembrei que o abandonei. Não me lembro ao certo o motivo (já fazem quase 2 anos), mas especulo alguns:
- Penso que posso ter subestimado muito cedo a eficácia do método.
- Provavelmente me senti pressionado pela necessidade de postagem diária.
Quanto ao segundo ponto, entendo perfeitamente a necessidade de uma certa disciplina. Posso ter considerado que não estava funcionando muito bem...
Enfim, independente dos motivos, volto um pouco envergonhado, mas ainda muito desejoso por uma percepção mais assertiva da realidade.
Gostaria de saber se você me aceitaria novamente como seu discípulo e se haveria a possibilidade de continuarmos o processo.
Seja qual for sua resposta, desde já agradeço.
Grande abraço!
Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Olá, Liber.
Não se preocupe. Na existência as coisas só acontecem quando têm de acontecer.
Eu particularmente estou atravessando alguns problemas pessoais, inclusive de saúde, e talvez não esteja num bom momento para acompanhá-lo.
Vou tentar encaminhá-lo para outro guia que fale Português para que você não tenha que ficar muito tempo aguardando.
Por favor, aguarde um novo contato.
Abraços,
Riktam
Não se preocupe. Na existência as coisas só acontecem quando têm de acontecer.
Eu particularmente estou atravessando alguns problemas pessoais, inclusive de saúde, e talvez não esteja num bom momento para acompanhá-lo.
Vou tentar encaminhá-lo para outro guia que fale Português para que você não tenha que ficar muito tempo aguardando.
Por favor, aguarde um novo contato.
Abraços,
Riktam
Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Olá, Liber e bem vindo de volta ao fórum!
O meu nome é Sandra e sou portuguesa. O Riktam falou comigo e, se estiveres de acordo, vou ser a tua guia.
Gostava que me dissesses o que é que na tua experiência é o eu separado.
Como é que descreves este eu?
Abraço,
Sandra
O meu nome é Sandra e sou portuguesa. O Riktam falou comigo e, se estiveres de acordo, vou ser a tua guia.
Gostava que me dissesses o que é que na tua experiência é o eu separado.
Como é que descreves este eu?
Abraço,
Sandra
- LiberNihilo
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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Obrigado, Riktam, por essa nova possibilidade. Faço votos de que as coisas se ajustem pra ti da melhor maneira possível.
Olá, Sandra. Te agradeço pela solicitude em me auxiliar.
Eu descreveria como sendo um corpo físico, com características singulares, que comporta um cérebro. Este emite pensamentos em um certo padrão lógico que me sugerem as características mentais deste eu. A junção dessa lógica mental com o corpo físico formam o eu pleno e, aparentemente, separado das outras coisas.
_____________________
Confio bastante na hipótese de que a desconexão com o todo se dá pela capacidade do pensamento lógico. Pensar no passado e no futuro. Acreditar/saber da morte e, por consequência, ter a consciência de estar vivo. Por outro lado isso me incomoda. Me sinto preso em uma ilusão. Uma ilusão muito real. Mas com alguma coisa estranha. Uma sensação latente de que algo não convence... Mas isso é só um comentário, um desabafo... haha
Abraço!
Olá, Sandra. Te agradeço pela solicitude em me auxiliar.
Estou absolutamente de acordo :)O Riktam falou comigo e, se estiveres de acordo, vou ser a tua guia.
Bem. Na minha experiência o eu separado é um ser à parte do funcionamento do todo. Por mais que minha mente esteja cheia de teorias que apontem para o contrário, na minha experiência o eu é um ser pensante, com pensamentos próprios, moral e ética construídos, uma certa coerência de personalidade, preferências, desejos, nome, enfim todas as nuances que indicam que eu não seja um membro do todo.Gostava que me dissesses o que é que na tua experiência é o eu separado.
Como é que descreves este eu?
Eu descreveria como sendo um corpo físico, com características singulares, que comporta um cérebro. Este emite pensamentos em um certo padrão lógico que me sugerem as características mentais deste eu. A junção dessa lógica mental com o corpo físico formam o eu pleno e, aparentemente, separado das outras coisas.
_____________________
Confio bastante na hipótese de que a desconexão com o todo se dá pela capacidade do pensamento lógico. Pensar no passado e no futuro. Acreditar/saber da morte e, por consequência, ter a consciência de estar vivo. Por outro lado isso me incomoda. Me sinto preso em uma ilusão. Uma ilusão muito real. Mas com alguma coisa estranha. Uma sensação latente de que algo não convence... Mas isso é só um comentário, um desabafo... haha
Abraço!
Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Eu diria que o que descreves acima são os teus pensamentos sobre o que é o eu e não o eu em si.Na minha experiência o eu separado é um ser à parte do funcionamento do todo. Por mais que minha mente esteja cheia de teorias que apontem para o contrário, na minha experiência o eu é um ser pensante, com pensamentos próprios, moral e ética construídos, uma certa coerência de personalidade, preferências, desejos, nome, enfim todas as nuances que indicam que eu não seja um membro do todo.
Eu descreveria como sendo um corpo físico, com características singulares, que comporta um cérebro. Este emite pensamentos em um certo padrão lógico que me sugerem as características mentais deste eu. A junção dessa lógica mental com o corpo físico formam o eu pleno e, aparentemente, separado das outras coisas.
Se eu te pedir para descreveres um copo, podes pensar num copo e descrever os teus pensamentos sobre o copo ou agarrar num copo e descrever o que vês. Consegues ver a diferença entre uma forma de perceber o mundo e a outra? Se recorreres aos pensamentos nesta investigação, não vais ver o que é real, vais continuar preso nos pensamentos sobre o que a realidade é.
O nosso objetivo é encontrar o eu separado, ver se este eu existe - uma entidade constante, imutável, sólida - da mesma forma que é possível encontrar e comprovar a existência de uma mão, água, céu, gato, computador... O que só é possível olhando para o aqui e agora, esta experiência imediata.
Se deixares de lado as teorias e olhares à tua volta, o eu está presente da forma como o descreves? Não penses sobre isto, olha mesmo em redor... é possível experimentar o eu de que falas?
Se agarrares na tua lista sobre o que é o eu e a comparares com o que consegues ver aqui e agora, continuavas a afirmar que o eu é feito de "moral e ética construídos, uma certa coerência de personalidade, preferências, desejos, nome". Se estas coisas não estão aqui, como é que podem ser consideradas um eu? :)
Vamos começar então a olhar para as partes que parecem compor o eu:
Porquê? O que é que te leva a pensar que o corpo é um eu?Eu descreveria como sendo um corpo físico
Há um eu dentro do corpo?
- LiberNihilo
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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Sim, certamente.Se eu te pedir para descreveres um copo, podes pensar num copo e descrever os teus pensamentos sobre o copo ou agarrar num copo e descrever o que vês. Consegues ver a diferença entre uma forma de perceber o mundo e a outra?
Preciso da sua ajuda!Se recorreres aos pensamentos nesta investigação, não vais ver o que é real, vais continuar preso nos pensamentos sobre o que a realidade é.
Quando olho ao redor não encontro este eu de que falei, sobretudo porque estou focado em olhar ao redor, não em pensar sobre isso. Sem os pensamentos só resta a experiência de ver. Mas, ainda assim, observo com a impressão de que "sou eu que estou olhando".Se deixares de lado as teorias e olhares à tua volta, o eu está presente da forma como o descreves? Não penses sobre isto, olha mesmo em redor... é possível experimentar o eu de que falas?
Se agarrares na tua lista sobre o que é o eu e a comparares com o que consegues ver aqui e agora, continuavas a afirmar que o eu é feito de "moral e ética construídos, uma certa coerência de personalidade, preferências, desejos, nome". Se estas coisas não estão aqui, como é que podem ser consideradas um eu? :)
Não sei como, só sei que considero... haha. Creio que o cérebro é muito forte nessa questão.
Não sei, creio que o hábito, a cultura, os padrões, o modo como as coisas sempre foram, enfim o cérebro. Todas as pessoas, assim como eu, consideram ter um eu. Eu vivo neste mundo junto com esse outro monte de eus. Eu pra lá, eu pra cá. Todo mundo é um eu. E todo mundo tem um corpo físico próprio. Aparentemente todos estão separados. No fim do dia cada um vai pra sua casa, tem vidas distintas, horários diferentes, desejos diferentes... Tudo isso (e mais um pouco) me leva a crer que o corpo é um eu.Vamos começar então a olhar para as partes que parecem compor o eu:Porquê? O que é que te leva a pensar que o corpo é um eu?Eu descreveria como sendo um corpo físico
Parece que sim. Quero dizer, não em experiência (física). Não posso tocar esse eu, nem ver, nem sentir seu cheiro, nem ouví-lo ou sentir seu sabor. Mas constatar isso não altera em nada quanto a sensação de existência desse eu. Ou seja, entendo que este eu é algo completamente virtual, abstrato, "ilusório" e, além de entender também percebo, uma vez que este eu não pode ser experimentado fisicamente. Entretanto, mesmo que eu não o experiencie fisicamente, não deixo de ter a experiência do eu. Ele ainda está presente.Há um eu dentro do corpo?
Não encontraremos. Não fisicamente. Não imediatamente. Mas é difícil pra mim dizer que o eu não existe só porque não é físico. Entende?O nosso objetivo é encontrar o eu separado, ver se este eu existe - uma entidade constante, imutável, sólida - da mesma forma que é possível encontrar e comprovar a existência de uma mão, água, céu, gato, computador... O que só é possível olhando para o aqui e agora, esta experiência imediata.
Em resumo: Entendi e percebi a "ilusão" do eu, mas isso não alterou minha relação com o mundo ao meu redor.
Sandra, quando alcançarmos o que pretendemos minha experiência de existência será diferente? Quero dizer, existe de fato alguma alteração na percepção? Me desculpe se estiver sendo apressado em fazer essa pergunta. Caso não possa respondê-la, por qualquer motivo que seja, por favor desconsidere-a.
Abraço!
Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Esta impressão de que é um eu que está a olhar é a prova de que um eu está a olhar?Quando olho ao redor não encontro este eu de que falei, sobretudo porque estou focado em olhar ao redor, não em pensar sobre isso. Sem os pensamentos só resta a experiência de ver. Mas, ainda assim, observo com a impressão de que "sou eu que estou olhando".
Consegues encontrar este eu que é suposto estar a olhar?
Uma sensação é uma sensação. Se olhares para esta sensação de ser um eu o que é que encontras? Uma sensação + o pensamento "está é a sensação de que existe um eu" ou um eu a dar origem à sensação?Parece que sim. Quero dizer, não em experiência (física). Não posso tocar esse eu, nem ver, nem sentir seu cheiro, nem ouví-lo ou sentir seu sabor. Mas constatar isso não altera em nada quanto a sensação de existência desse eu.
Como é que algo que não é experimentado está presente? Isto não é apenas uma ideia sobre o que está ou não presente?Entretanto, mesmo que eu não o experiencie fisicamente, não deixo de ter a experiência do eu. Ele ainda está presente.
Entendo. Sabes, a ideia não é mudar o conteúdo dos teus pensamentos. É ver se eles são verdadeiros. Para isso não precisas de acreditar em nada do que eu ou as outras pessoas dizem. Basta comparar o que é pensado com o que existe aqui e agora.Não encontraremos. Não fisicamente. Não imediatamente. Mas é difícil pra mim dizer que o eu não existe só porque não é físico. Entende?
Entender e perceber é pensar sobre o assunto e chegar a uma conclusão. Já reparaste que estamos sempre a mudar a forma como pensamos sobre as coisas? Como é que se pode confiar em algo que se contradiz constantemente? Num dia vemos a vida cor de rosa e no outro estamos fartos de tudo. A vida é a mesma. Os nossos pensamentos sobre ela é que mudam.Em resumo: Entendi e percebi a "ilusão" do eu, mas isso não alterou minha relação com o mundo ao meu redor.
Esta não é a tua experiência de existência. Existir não é nosso, não nos pertence. Não existe um eu aqui separado da vida a quem a vida esteja a acontecer.Sandra, quando alcançarmos o que pretendemos minha experiência de existência será diferente? Quero dizer, existe de fato alguma alteração na percepção? Me desculpe se estiver sendo apressado em fazer essa pergunta. Caso não possa respondê-la, por qualquer motivo que seja, por favor desconsidere-a.
Assim sendo, a tua experiência de existência sempre foi vivida sem separação. O que causa a percepção de uma aparente separação são os pensamentos sobre a realidade.
De qualquer forma, tudo o que eu possa dizer são só palavras. És tu quem tem de percorrer o caminho e ver a paisagem :) eu só te posso apontar para isto e para aquilo e perguntar o que é que estás a ver, até que consigas ver a diferença entre o que é um conceito e uma experiência, um pensamento e o que existe sem o pensamento.
- LiberNihilo
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Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Certo, eu já sei que entender não é "ver", e isso já renova minhas esperanças.
Sabe, eu agora me recordo porque abandonei este tópico no passado: tive a sensação de que não conseguiria. Lembro porque estou sentido a mesma coisa agora...
Eu sei que o eu não está presente fisicamente. Quando o procuro não o vejo. Mas ainda assim me sinto separado. Não porque estou pensando sobre isso. Medito há bastante tempo e consigo sem muita dificuldade algo próximo de "não pensar". Consigo, por exemplo, olhar para qualquer lugar e focar minha atenção nesta direção com tamanha intensidade que, ou eu não penso ou penso mas nem percebo. A questão é: não estou pensando num eu ou na separação, mas estou separado.
Então chego à conclusão de que o que estamos buscando é a percepção de unidade. Certo?
Te pergunto: Existe algum exercício que você poderia me propor? Parece que pedir pra eu procurar o eu não funciona muito comigo, pois procuro, não acho e isso não altera em nada.
Essa dificuldade que sinto é normal? Você sugere que eu esteja dificultando de algum modo. Há algo em que eu possa melhorar para facilitar o processo?
Ou será que eu já estou vendo o que deveria ver mas estou esperando algo mais "sofisticado", quando na verdade não é? Do modo como voce fala creio que não, ou seja, eu de fato ainda não "vi" do modo como você propõe.
Sabe, eu agora me recordo porque abandonei este tópico no passado: tive a sensação de que não conseguiria. Lembro porque estou sentido a mesma coisa agora...
Eu sei que o eu não está presente fisicamente. Quando o procuro não o vejo. Mas ainda assim me sinto separado. Não porque estou pensando sobre isso. Medito há bastante tempo e consigo sem muita dificuldade algo próximo de "não pensar". Consigo, por exemplo, olhar para qualquer lugar e focar minha atenção nesta direção com tamanha intensidade que, ou eu não penso ou penso mas nem percebo. A questão é: não estou pensando num eu ou na separação, mas estou separado.
Então chego à conclusão de que o que estamos buscando é a percepção de unidade. Certo?
Te pergunto: Existe algum exercício que você poderia me propor? Parece que pedir pra eu procurar o eu não funciona muito comigo, pois procuro, não acho e isso não altera em nada.
Essa dificuldade que sinto é normal? Você sugere que eu esteja dificultando de algum modo. Há algo em que eu possa melhorar para facilitar o processo?
Ou será que eu já estou vendo o que deveria ver mas estou esperando algo mais "sofisticado", quando na verdade não é? Do modo como voce fala creio que não, ou seja, eu de fato ainda não "vi" do modo como você propõe.
Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Claro que é :)Essa dificuldade que sinto é normal?
Ui, penso que não sugeri que estás a dificultar. Se eu quisesse dizer que estás a dificultar dizia, não sugeria. Nada do que eu diga é uma critica ou um julgamento. O meu único objetivo é ajudar.Você sugere que eu esteja dificultando de algum modo.
Alguma paciência e confiança neste processo ajudavam. Do que é que serve começar logo a pensar que algo deve estar a correr mal ou a pensar que não se consegue?Há algo em que eu possa melhorar para facilitar o processo?
Estás a tentar encaixar este processo nas tuas expetativas, como se fosse um meio para alcançar um fim. Não é. O único objetivo é ver a realidade como ela é, nada mais.
Então chego à conclusão de que o que estamos buscando é a percepção de unidade. Certo?
O que é a percepção da unidade? Se com isto queres dizer que a tua experiência vai passar a ser de unidade com a totalidade da existência, com sensações, pensamentos e uma história completamente diferente da atual, um estado beatífico de transcendência, posso garantir desde já que o objetivo não é esse. O que estamos a fazer não tem a ver com provocar estados alterados de consciência. Ou experiências misticas.
O receio de não conseguir pode ser uma forma subtil de evitar fazer este processo. Há mais alguma coisa que receies?
Podes descrever esta experiência de separação? Se olhares à tua volta, o que é que está separado do quê? O corpo está separado do resto da vida? Os pensamentos estão separados das sensações? O que é que vês que esteja separado?Eu sei que o eu não está presente fisicamente. Quando o procuro não o vejo. Mas ainda assim me sinto separado.
- LiberNihilo
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- Joined: Sat Jul 13, 2013 10:03 pm
Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Eu me expressei de modo totalmente equivocado nesta frase. Me desculpe! Era pra ser uma pergunta, não uma afirmação. E a conjugação também está errada... O que eu quis dizer era "Você sugeriria que eu esteja dificultando de algum modo?".Ui, penso que não sugeri que estás a dificultar. Se eu quisesse dizer que estás a dificultar dizia, não sugeria. Nada do que eu diga é uma critica ou um julgamento. O meu único objetivo é ajudar.Você sugere que eu esteja dificultando de algum modo.
O que eu falo por percepção não seria um estado de consciência alterado. Seria uma percepção mesmo, imediata, clara, presente. Olhar e ver, em qualquer direção, pra qualquer ser ou objeto, que eu não estou aqui e ele lá, mas que estamos juntos. É isso que buscamos despertar? Ou eu estou "sofisticando"?O que é a percepção da unidade? Se com isto queres dizer que a tua experiência vai passar a ser de unidade com a totalidade da existência, com sensações, pensamentos e uma história completamente diferente da atual, um estado beatífico de transcendência, posso garantir desde já que o objetivo não é esse. O que estamos a fazer não tem a ver com provocar estados alterados de consciência. Ou experiências misticas.
Então, essa é minha principal dúvida, pois eu sei que não estou separado. Eu sei que todas as minhas ações interferem no meio, e tudo que acontece ao meu redor interfere na minha experiência. Há um som e meu ouvido escuta. Não posso escolher, é instantâneo. Se vejo tristeza me comovo. Se alguém conta uma piada, acho graça. Se o sol bate na minha pele ela arde. E assim continua a lista infinitamente. Eu sei disso. Eu percebo isso. O que seria, exatamente, "ver a realidade como ela é"? Seria observar todas essas coisas e compreendê-las? Seria, até mesmo, constatar? Porque até aqui estou ok. Mas quando você diz "ver a realidade como ela é" eu tenho a impressão de que não estamos falando apenas da constatação lógica do fato de eu não estar separado, mas de uma percepção mesmo. Sensação. Experiência (não se apegue muito aos termos que uso, estou tentando explicitar o que quero dizer dentro das possibilidades da linguagem; estou "rodeando" a ideia). Ver. Não é observar e pensar sobre a realidade, certo? É "bater o olho" e saber "não estou separado", correto? Imagino que isso só seja possível se minha experiência for modificada de algum modo, pois sei que estou conectado, mas sinto-me separado. Sinto-me eu.O único objetivo é ver a realidade como ela é, nada mais.
Ou o receio de conseguir... Segundo o budismo, a mente está sempre criando artifícios para não ser derrotada. :)O receio de não conseguir pode ser uma forma subtil de evitar fazer este processo. Há mais alguma coisa que receies?
Quando olho à minha volta tudo está separado de tudo. Por exemplo, o computador não está separado da eletricidade. Se eu tirar o cabo da tomada ele para de funcionar. Mas ele está separado da mesa. Eu posso tirar a mesa e ele continua a funcionar. Estão separados.Podes descrever esta experiência de separação? Se olhares à tua volta, o que é que está separado do quê? O corpo está separado do resto da vida? Os pensamentos estão separados das sensações? O que é que vês que esteja separado?Eu sei que o eu não está presente fisicamente. Quando o procuro não o vejo. Mas ainda assim me sinto separado.
O meu corpo não esta grudado à nada. Está separado de tudo. Eu preciso, sim, alimentá-lo. Essa é a minha "tomada". Mas estou solto. Vou pra qualquer lugar livremente. Não estou preso. Não estou junto. Estou separado.
Quando meu corpo morrer eu vou morrer. A vida vai continuar, mas eu não. Meus pensamentos, meus movimentos, minha interação no espaço. Tudo isso vai acabar. E a vida lá fora vai continuar...
Então, como disse mais acima, entendo de que modo não estou separado das coisas ao redor, mas isso não é uma experiência direta. É uma observação somada à uma racionalização.
Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Não precisas de pedir desculpas! Ainda estamos na fase de adaptação à forma como o outro comunica.Eu me expressei de modo totalmente equivocado nesta frase. Me desculpe! Era pra ser uma pergunta, não uma afirmação. E a conjugação também está errada... O que eu quis dizer era "Você sugeriria que eu esteja dificultando de algum modo?".
Sim, é mesmo isso. Ver que não existe separação. Coisa que já vês, embora não te apercebas disso :)O que eu falo por percepção não seria um estado de consciência alterado. Seria uma percepção mesmo, imediata, clara, presente. Olhar e ver, em qualquer direção, pra qualquer ser ou objeto, que eu não estou aqui e ele lá, mas que estamos juntos. É isso que buscamos despertar? Ou eu estou "sofisticando"?
Ui. É difícil colocar este tipo de coisas em palavras. Não de trata de compreender usando os pensamentos como "ferramenta" de compreensão. É mais constatar do que compreender.O que seria, exatamente, "ver a realidade como ela é"? Seria observar todas essas coisas e compreendê-las? Seria, até mesmo, constatar? Porque até aqui estou ok.
Não tem nada a ver com uma constatação lógica. Não tem nada de nada a ver com lógica! É bem mais simples do que isso. Mas sim, percepção e sensação tem tudo a ver com aquilo a que chamo "ver".Mas quando você diz "ver a realidade como ela é" eu tenho a impressão de que não estamos falando apenas da constatação lógica do fato de eu não estar separado, mas de uma percepção mesmo. Sensação.
Eu peço que faças o mesmo, não te apegues muito aos termos que uso. A linguagem é bastante limitada.Experiência (não se apegue muito aos termos que uso, estou tentando explicitar o que quero dizer dentro das possibilidades da linguagem; estou "rodeando" a ideia).
Pensas sobre a realidade há anos... dá resultado? Ver é ver, ver é sentir, ver é experiênciar. Simples, simples.Não é observar e pensar sobre a realidade, certo?
Tão simples que se torna difícil de aceitar porque é mal interpretado.
Não. É olhar e ver que não existe separação. Que não é possível encontrar um eu separado porque só é possível encontrar a totalidade. Não tem nada a ver com saber. Os pensamentos podem continuar a ser os mesmos.É "bater o olho" e saber "não estou separado", correto?
Sim e não. Eu continuo a sentir que sou um eu. Esta sensação de que se é um eu é normal e não creio que vá desaparecer.Imagino que isso só seja possível se minha experiência for modificada de algum modo, pois sei que estou conectado, mas sinto-me separado. Sinto-me eu.
Eu diria que se tiver que acontecer, acontece. Como tudo na vida, não é o tipo de coisa que se consiga controlar :)Ou o receio de conseguir... Segundo o budismo, a mente está sempre criando artifícios para não ser derrotada. :)
Compreendo o que queres dizer.Quando olho à minha volta tudo está separado de tudo.
Vamos fazer uma experiência.
Com os olhos fechados, num sítio sossegado - deitado é mais confortável - respira profundamente algumas vezes e "foca-te" o melhor que conseguires no aqui e agora:
- usando os sentidos, é possível sentir onde o corpo começa e acaba? é possível encontrar os limites, a fronteira, entre um "dentro" e um "fora", um "eu" e um "não eu"?
- sensações, emoções, pensamentos estão a acontecer... usando os sentidos, é possível encontrar um "contentor", um eu separado, dentro do qual as sensações, as emoções, os pensamentos acontecem? Um bocado de vida dentro de um corpo e uma imensidade de vida fora de um corpo?
- usando os sentidos, é possível experiênciar "separação"? Um corpo separado de tudo?
- LiberNihilo
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- Joined: Sat Jul 13, 2013 10:03 pm
Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Oi Sandra. Estive um pouco ocupado nas últimas horas, e agora um pouco cansado pra detalhar minha experiência nesta atividade que você propôs.Vamos fazer uma experiência.
Com os olhos fechados, num sítio sossegado - deitado é mais confortável - respira profundamente algumas vezes e "foca-te" o melhor que conseguires no aqui e agora:
- usando os sentidos, é possível sentir onde o corpo começa e acaba? é possível encontrar os limites, a fronteira, entre um "dentro" e um "fora", um "eu" e um "não eu"?
- sensações, emoções, pensamentos estão a acontecer... usando os sentidos, é possível encontrar um "contentor", um eu separado, dentro do qual as sensações, as emoções, os pensamentos acontecem? Um bocado de vida dentro de um corpo e uma imensidade de vida fora de um corpo?
- usando os sentidos, é possível experiênciar "separação"? Um corpo separado de tudo?
Estou passando pra dar uma resposta rápida e me comprometer a escrever com mais detalhes amanhã.
Mas de modo geral, posso dizer que sinto os limites do meu corpo, mas não exatamente do meu eu. Não quero ser apressado agora em responder porque achei sua proposta interessante. Despertou algumas sensações. Quero praticar isso mais um pouco antes de dar uma resposta definitiva.
Abraço e até amanhã!
Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Oi Liber e obrigada pelo post. Aguardo os detalhes :)
- LiberNihilo
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- Joined: Sat Jul 13, 2013 10:03 pm
Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Caramba, complicado explicar o que eu senti...
Bom, ontem, quando te respondi, fiz o que você propôs aqui onde estou, no meu quarto, na cama. Não pude encontrar onde eu acabava e o restante começava, embora pude sentir onde meu corpo terminava, como te disse.
Ainda agora, há alguns minutos atrás, fiz este mesmo exercício lá fora, sentado em uma cadeira onde costumo fumar. É madrugada agora, está silencioso e pude me concentrar com tranquilidade. É bem interessante! Não me senti separado. Senti como se eu ainda fosse eu, senti meu corpo, mas não como algo separado do resto. Senti como se fosse um pedaço do resto. Como se eu fosse um ponto, mas conectado. Apenas isso. Não um ser separado. É engraçado dizer isso, mas me senti um pouco redondo, como o planeta... haha
Não sei explicar muito bem porque, mas nesse lugar que te falei sempre experimento sensações distintas. Talvez porque lá corra uma brisa, seja mais amplo, talvez me faça sentir mais próximo da natureza.
De volta no meu quarto, tentei novamente o exercício mas não obtive a mesma sensação. Somente a mesma sensação de ontem que te relatei.
Gostaria de dizer que isso ainda me deixa confuso quanto ao fato de eu ter conseguido de fato ou não "ver" o que você me propõe, sobretudo porque ao abrir os olhos esta sensação se perdeu.
Gostaria de saber se há um modo de sentir isso em todos os lugares que eu estiver e se é possível reforçar essa sensação e, principalmente, mantê-la com os olhos abertos, e como.
Volto a dizer que não estou muito seguro sobre o que eu experimentei, até que ponto não foi uma sugestão da mente... Enfim, é complicado explicar isso. Vou fazer essa experiência mais vezes pra tentar investigar melhor, mas realmente não posso afirmar se tive uma experiência real. Mas sei que fiquei bastante arrepiado. ^^
Abraço!!!
Bom, ontem, quando te respondi, fiz o que você propôs aqui onde estou, no meu quarto, na cama. Não pude encontrar onde eu acabava e o restante começava, embora pude sentir onde meu corpo terminava, como te disse.
Ainda agora, há alguns minutos atrás, fiz este mesmo exercício lá fora, sentado em uma cadeira onde costumo fumar. É madrugada agora, está silencioso e pude me concentrar com tranquilidade. É bem interessante! Não me senti separado. Senti como se eu ainda fosse eu, senti meu corpo, mas não como algo separado do resto. Senti como se fosse um pedaço do resto. Como se eu fosse um ponto, mas conectado. Apenas isso. Não um ser separado. É engraçado dizer isso, mas me senti um pouco redondo, como o planeta... haha
Não sei explicar muito bem porque, mas nesse lugar que te falei sempre experimento sensações distintas. Talvez porque lá corra uma brisa, seja mais amplo, talvez me faça sentir mais próximo da natureza.
De volta no meu quarto, tentei novamente o exercício mas não obtive a mesma sensação. Somente a mesma sensação de ontem que te relatei.
Gostaria de dizer que isso ainda me deixa confuso quanto ao fato de eu ter conseguido de fato ou não "ver" o que você me propõe, sobretudo porque ao abrir os olhos esta sensação se perdeu.
Gostaria de saber se há um modo de sentir isso em todos os lugares que eu estiver e se é possível reforçar essa sensação e, principalmente, mantê-la com os olhos abertos, e como.
Volto a dizer que não estou muito seguro sobre o que eu experimentei, até que ponto não foi uma sugestão da mente... Enfim, é complicado explicar isso. Vou fazer essa experiência mais vezes pra tentar investigar melhor, mas realmente não posso afirmar se tive uma experiência real. Mas sei que fiquei bastante arrepiado. ^^
Abraço!!!
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