What brings you to Liberation Unleashed?:
Algum tempo atrás estava planejando mudanças na minha carreira e no meio desse processo me dei conta de que mais uma vez eu estava insatisfeito com o presente e imaginando que alcançar algum objetivo no futuro me traria satisfação. Algo que eu fiz a minha vida inteira e que, claro, nunca funcionou. A satisfação em alcançar algum objetivo sempre durou apenas o tempo de encontrar um novo problema, ou de criar um. Percebi que isso não fazia sentido, devia existir um outro caminho, alguma alternativa, e foi então que comecei a busca que me trouxe aqui.
No meio das pesquisas, uns dois anos atrás, esbarrei em textos e vídeos sobre enlightenment e não-dualismo. No começo, fui cético sobre o tema, mas por algum motivo eu simplesmente não conseguia me afastar dele. Precisava saber mais, ler mais. E se isso fosse realmente verdade?! Apesar de sempre ter acreditado que existe algo maior, nunca fui um homem religioso, e sempre tive uma visão bastante mecânica sobre tudo, mas, por algum motivo, eu via verdade naquilo. Seria algo fascinante e ao mesmo tempo um grande alívio.
Confesso que muitas vezes, e ainda hoje, me pergunto se não estou me enganando, vendo verdade apenas onde quero ver. Mas já tentei algumas vezes voltar para meus objetivos antigos, que antes pareciam tão importantes, como sucesso pessoal, e hoje eles parecem tão vazios, sem sentido. Existe uma necessidade muito forte de resolver isto, de uma vez por todas.
Foi nesse caminho que alguns meses atrás encontrei a LU, e a simplicidade e generosidade de vocês sempre me deram esperança. Assim, ficaria imensamente agradecido se alguém pudesse me guiar neste caminho. De coração.
What are you looking for? What do you expect from this?:
Gostaria de estar mais presente em cada momento, poder honrar cada momento. Hoje cada segundo parece apenas um meio para um fim, sendo soterrado por pensamentos sobre o futuro, possíveis cenários, problemas, medo.
Gostaria de, quem sabe, vendo a verdade, entender melhor porque as coisas são como são.
Gostaria de sair dessa prisão, que há anos pareço estar.
Gostaria de por um fim nesta busca.
What is your background in terms of seeking and inquiry?:
Medito diariamente há algum tempo e costumo acompanhar autores como Jed Mckenna, Adyashanti, Rupert Spira, Alan Watts, Eckhart Tolle, Sam Harris e Bruce Hood. Costumo acompanhar também a LU, já li o Gateless Gatecrashers, e atualmente estou lendo o Liberation Unleashed: A Guide to Breaking Free from the Illusion of a Separate Self.
Aparentemente, eu consigo entender intelectualmente que o "Eu" não existe, que é apenas um pensamento, e as vezes inclusive pareço ver lampejos disso através da experiência, dos sentidos. Mas no fundo ainda sinto como se fosse aquele que pensa, aquele que têm o controle sobre os pensamentos e ações.
How ready are you to question your beliefs about who you are and see the truth no matter what?: 9
Alguém para me guiar nesta busca?
Alguém para me guiar nesta busca?
Cordialmente,
Viajante
Viajante
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Olá Viajante, bem vindo ao fórum da LU. O meu nome é Sandra e vou ser o teu guia. Obrigada pela tua introdução, fiquei com uma ideia do que se passa contigo atualmente.
Era importante que durante a duração deste diálogo não lesses nem visses vídeos sobre estes temas, mas podes continuar a ler o Liberation Unleashed: A Guide to Breaking Free from the Illusion of a Separate Self.
Escreves na tua introdução que já leste o Gateless Gatecrashers e que já algum tempo que segues a LU. O que me leva às seguintes questões:
Tentaste fazer os exercícios do livro ou usar as sugestões apresentadas, para ver se existe ou não um eu separado? Se tentaste como é que correu?
Deves ter lido imensas vezes o pointer "look". O que é que pensas que este pointer significa?

Percebeste como é que se "olha" para ver se um eu separado pode ser encontrado ou não?
O que é que pensas que o eu separado é?
Um abraço,
S
Era importante que durante a duração deste diálogo não lesses nem visses vídeos sobre estes temas, mas podes continuar a ler o Liberation Unleashed: A Guide to Breaking Free from the Illusion of a Separate Self.
Escreves na tua introdução que já leste o Gateless Gatecrashers e que já algum tempo que segues a LU. O que me leva às seguintes questões:
Tentaste fazer os exercícios do livro ou usar as sugestões apresentadas, para ver se existe ou não um eu separado? Se tentaste como é que correu?
Deves ter lido imensas vezes o pointer "look". O que é que pensas que este pointer significa?

Percebeste como é que se "olha" para ver se um eu separado pode ser encontrado ou não?
O que é que pensas que o eu separado é?
Um abraço,
S
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Olá Sandra, agradeço de coração pela sua disposição em ajudar. O valor de se ter um guia nessa jornada é realmente inestimável. Espero conseguir ser o mais honesto possível nas respostas. Vamos lá.
Desde que realizei esse exercício percebi que a minha relação com os pensamentos mudou um pouco. Já não me prendo tanto a eles. E esso me trouxe uma certa tranquilidade e, em alguns momentos, uma sensação de expansão. Entretanto parece que com o tempo esse "Eu" vai voltando a se consolidar.
> Percebeste como é que se "olha" para ver se um eu separado pode ser encontrado ou não?
Não sei se entendi corretamente essa orientação, mas o que faço é buscar através dos sentidos.
> O que é que pensas que o eu separado é?
Aparentemente parece ser apenas uma crença. Percebo os pensamentos e assumo que sou eu que estou gerando eles. Algo dentro da cabeça e que por isso não posso ser visto, ouvido, sentido, etc. Mas, como comentei, acredito que se existissem apenas perceções, sem ninguém percebendo, a experiência seria a mesma, apenas pensamentos sendo percebidos. O problema é que ambas as versões parecem razoáveis, e ainda não encontrei uma maneira de invalidar a primeira.
Obrigado por me ouvir. Até mais!
Realizei alguns dos exercícios, mas um foi realmente marcante, quando procurei por esse "Eu" através de cada sentido, separadamente. Na ocasião, tudo o que percebi foram sons, imagens, sensações, sabores, cheiros, e pensamentos, mas nenhuma evidência que suportasse a ideia de existir alguém no comando, tomando todas as decisões, iniciando todas as ações. Se não existe nem nunca existiu nenhuma evidência disso, da onde surgiu essa ideia? Por que acredito tão firmemente nela? Se existissem apenas percepções, sem ninguém percebendo, acredito que a experiência seria a mesma, então por que eu assumo que existe esse "Eu"? É como se eu assumisse que esse "Eu" é simplesmente necessário.Tentaste fazer os exercícios do livro ou usar as sugestões apresentadas, para ver se existe ou não um eu separado? Se tentaste como é que correu?
Desde que realizei esse exercício percebi que a minha relação com os pensamentos mudou um pouco. Já não me prendo tanto a eles. E esso me trouxe uma certa tranquilidade e, em alguns momentos, uma sensação de expansão. Entretanto parece que com o tempo esse "Eu" vai voltando a se consolidar.
Acredito que seja uma orientação para parar e ver que na experiência não existe nenhum "Eu".Deves ter lido imensas vezes o pointer "look". O que é que pensas que este pointer significa?
> Percebeste como é que se "olha" para ver se um eu separado pode ser encontrado ou não?
Não sei se entendi corretamente essa orientação, mas o que faço é buscar através dos sentidos.
> O que é que pensas que o eu separado é?
Aparentemente parece ser apenas uma crença. Percebo os pensamentos e assumo que sou eu que estou gerando eles. Algo dentro da cabeça e que por isso não posso ser visto, ouvido, sentido, etc. Mas, como comentei, acredito que se existissem apenas perceções, sem ninguém percebendo, a experiência seria a mesma, apenas pensamentos sendo percebidos. O problema é que ambas as versões parecem razoáveis, e ainda não encontrei uma maneira de invalidar a primeira.
Obrigado por me ouvir. Até mais!
Cordialmente,
Viajante
Viajante
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Olá Viajante,
Obrigada pelas tuas respostas!
Lembras-te de quando percebeste que o Pai Natal não é real? Continuaste a ter pensamentos sobre o Pai Natal, mas deixou de ser razoável acreditar na existência do velhinho de barbas brancas a distribuir prendas na noite de natal. Os pensamentos sobre o Pai Natal continuaram, a crença na entidade Pai Natal desapareceu e, muito provavelmente, não precisaste de invalidar uma hipótese para concluir que a outra era a verdadeira. Sabias porque era óbvio que não existia o Pai Natal.
Assim, existem pensamentos que são sobre o que existe - o que pode ser percepcionado, o que não desaparece mesmo quando não estamos a pensar sobre isso - e pensamentos que são sobre o que não existe, exemplos: Pai Natal, Equador, Batman, Universidade, Brasil, etc, etc.
Aquilo que estamos a fazer é verificar se os pensamentos sobre a existência de um eu, provam a existência de um eu. Da mesma forma que podemos verificar se os pensamentos sobre a existência de um iogurte no frigorífico podem ser confirmados quando abrimos o frigorífico e lá está o iogurte na prateleira de cima, à espera de ser comido.
Faz este pequeno exercício (usar a imaginação não vale - faz mesmo o exercício):
Aponta com um dedo para o que te rodeia: o computador, a secretária, a parede, um braço, uma perna, uma mosca no ar.... E depois aponta para o eu. Descreve aquilo para onde estás a apontar e explica a razão pela qual achas que é (ou não é) um eu.
Abraço,
S
Obrigada pelas tuas respostas!
Estes pensamentos, estas questões, que são normais e compreensíveis estão a bloquear o teu "caminho". Por um lado, tens a necessidade de compreender, o que te leva a questionar o que é fácil de verificar se observares a tua experiência imediata, por outro lado, este questionamento reforça a crença num eu que questiona, um eu aqui dentro separado do que está lá fora.Se não existe nem nunca existiu nenhuma evidência disso, da onde surgiu essa ideia? Por que acredito tão firmemente nela? Se existissem apenas percepções, sem ninguém percebendo, acredito que a experiência seria a mesma, então por que eu assumo que existe esse "Eu"? É como se eu assumisse que esse "Eu" é simplesmente necessário.
Sim, é isso mesmo.Deves ter lido imensas vezes o pointer "look". O que é que pensas que este pointer significa?
Acredito que seja uma orientação para parar e ver que na experiência não existe nenhum "Eu".
> Percebeste como é que se "olha" para ver se um eu separado pode ser encontrado ou não?
Não sei se entendi corretamente essa orientação, mas o que faço é buscar através dos sentidos.
Ok, compreendo. Existem pensamentos em como um eu tem de existir e pensamentos em como um eu não existe e parece que uma coisa invalida a outra.O problema é que ambas as versões parecem razoáveis, e ainda não encontrei uma maneira de invalidar a primeira.
Lembras-te de quando percebeste que o Pai Natal não é real? Continuaste a ter pensamentos sobre o Pai Natal, mas deixou de ser razoável acreditar na existência do velhinho de barbas brancas a distribuir prendas na noite de natal. Os pensamentos sobre o Pai Natal continuaram, a crença na entidade Pai Natal desapareceu e, muito provavelmente, não precisaste de invalidar uma hipótese para concluir que a outra era a verdadeira. Sabias porque era óbvio que não existia o Pai Natal.
Assim, existem pensamentos que são sobre o que existe - o que pode ser percepcionado, o que não desaparece mesmo quando não estamos a pensar sobre isso - e pensamentos que são sobre o que não existe, exemplos: Pai Natal, Equador, Batman, Universidade, Brasil, etc, etc.
Aquilo que estamos a fazer é verificar se os pensamentos sobre a existência de um eu, provam a existência de um eu. Da mesma forma que podemos verificar se os pensamentos sobre a existência de um iogurte no frigorífico podem ser confirmados quando abrimos o frigorífico e lá está o iogurte na prateleira de cima, à espera de ser comido.
Faz este pequeno exercício (usar a imaginação não vale - faz mesmo o exercício):
Aponta com um dedo para o que te rodeia: o computador, a secretária, a parede, um braço, uma perna, uma mosca no ar.... E depois aponta para o eu. Descreve aquilo para onde estás a apontar e explica a razão pela qual achas que é (ou não é) um eu.
Abraço,
S
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Olá Sandra, muito obrigado pelas explicações, bastante claras.
Sobre o exercício:
Abraços
Sobre o exercício:
O primeiro objeto para o qual apontei foi a televisão. Meu primeiro impulso foi dizer que a televisão não era eu porque não podia sentí-la, nem controlá-la, mas então lembrei que posso sentir e controlar minha perna, e ainda assim também não considero que sou minhas pernas. Esses então não eram critérios válidos. Percebi então que no fundo eu achava que eles não eram eu porque não eram eles que estavam pensando. Então apontei para a minha cabeça, entre os olhos, pois ali estaria eu, de alguma forma, no cérebro. Foi então que notei o quão arbitrário isso era. Na experiência não existe nenhuma evidência de que os pensamentos estão sendo gerados ali. Há apenas a cabeça, a televisão, as pernas, etc, e pensamentos aparecendo e desaparecendo. Parece apenas uma convenção. Por alguns instantes senti um nó no estômago, mas logo passou. Venho repetindo o exercício mas pareço estagnado.Faz este pequeno exercício (usar a imaginação não vale - faz mesmo o exercício):
Aponta com um dedo para o que te rodeia: o computador, a secretária, a parede, um braço, uma perna, uma mosca no ar.... E depois aponta para o eu. Descreve aquilo para onde estás a apontar e explica a razão pela qual achas que é (ou não é) um eu.
Abraços
Cordialmente,
Viajante
Viajante
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Viva Viajante,
Estagnado porque aquilo que pensas e aquilo que vês (percepcionas) te parece contraditório?
Vamos olhar para isto de outro ângulo: como é que sabes que um eu existe?
Não te preocupes se o que te ocorrer como resposta te parecer incorreto, contraditório, estagnado, estranho, etc. Escreve o que te parece estar mais próximo da verdade.
PS - não sei se é o caso, mas sentir frustração, dúvidas, receios ao fazer este inquérito é normal. Se começares a sentir que estás bloqueado por este tipo de resistências diz, para lidarmos com isso e poderes prosseguir...
Abraço,
S
O que é que queres dizer com pareço estagnado?Venho repetindo o exercício mas pareço estagnado.
Estagnado porque aquilo que pensas e aquilo que vês (percepcionas) te parece contraditório?
Vamos olhar para isto de outro ângulo: como é que sabes que um eu existe?
Não te preocupes se o que te ocorrer como resposta te parecer incorreto, contraditório, estagnado, estranho, etc. Escreve o que te parece estar mais próximo da verdade.
PS - não sei se é o caso, mas sentir frustração, dúvidas, receios ao fazer este inquérito é normal. Se começares a sentir que estás bloqueado por este tipo de resistências diz, para lidarmos com isso e poderes prosseguir...
Abraço,
S
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Olá Sandra!
Agradeço pelas respostas. Demorei um pouco pois aguardava por um tempo sozinho para meditar sobre essas questões.
Sobre o exercício:
Como eu sei que esse eu existe? Ótima pergunta. Procurei por respostas, mas parece que eu não sei, parece que apenas acredito, e acredito aparentemente porque não existir alguém no comando seria algo inconcebível. Tentei, por exemplo, provar que eu estou no controle das ações. Decidi levantar a mão, e a levantei. Mas noto que nada na experiência realmente prova que essa decisão foi minha. Há o pensamento, e depois a ação. Mas não há nada que prove que eu esteja no centro disso. É como se eu acreditasse que alguém simplesmente precisasse estar e não conseguisse sequer imaginar alguém não estando.
Obrigado pela atenção, Sandra. É muito bom ter alguém com quem dividir essas questões.
Abraços.
Agradeço pelas respostas. Demorei um pouco pois aguardava por um tempo sozinho para meditar sobre essas questões.
De fato, parece contraditório. Ainda assim a sensação de estar no controle persiste e as vezes surgem pensamentos como "isso não é pra mim", "nunca vou conseguir", "cuidado", etc. Mas imagino que essas dúvidas sejam naturais e, por hora, acho que não chegam a ser um problema.O que é que queres dizer com pareço estagnado?
Estagnado porque aquilo que pensas e aquilo que vês (percepcionas) te parece contraditório?
Sobre o exercício:
Ignorando tudo o que já li a respeito, é, difícil, inclusive saber sobre que eu essa pergunta se refere. É algo vago. Surgem pensamentos como "Eu sou esse corpo, oras". Ou "Eu sou esse que está pensando, viu?", "Aqui!!". No fim, contudo, noto que para mim esse eu é aquele que percebe tudo, pensa e inicia as ações.Vamos olhar para isto de outro ângulo: como é que sabes que um eu existe?
Não te preocupes se o que te ocorrer como resposta te parecer incorreto, contraditório, estagnado, estranho, etc. Escreve o que te parece estar mais próximo da verdade.
Como eu sei que esse eu existe? Ótima pergunta. Procurei por respostas, mas parece que eu não sei, parece que apenas acredito, e acredito aparentemente porque não existir alguém no comando seria algo inconcebível. Tentei, por exemplo, provar que eu estou no controle das ações. Decidi levantar a mão, e a levantei. Mas noto que nada na experiência realmente prova que essa decisão foi minha. Há o pensamento, e depois a ação. Mas não há nada que prove que eu esteja no centro disso. É como se eu acreditasse que alguém simplesmente precisasse estar e não conseguisse sequer imaginar alguém não estando.
Obrigado pela atenção, Sandra. É muito bom ter alguém com quem dividir essas questões.
Abraços.
Cordialmente,
Viajante
Viajante
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Olá Viajante,
Um pensamento pode pensar outro pensamento?
Existe um eu que pensa ou "eu" é um pensamento como os outros?
Abraço,
S
Sim, é muito natural. Quando tomamos um caminho aparentemente diferente, os nossos macanismos de proteção começam a enviar sinais para termos cuidado. Dúvidas, medos, ansiedades, aparecem para nos impedir de fazer algo que nos coloque em perigo. Ainda bem que achas que não são um problema. Se começarem a ser diz.De fato, parece contraditório. Ainda assim a sensação de estar no controle persiste e as vezes surgem pensamentos como "isso não é pra mim", "nunca vou conseguir", "cuidado", etc. Mas imagino que essas dúvidas sejam naturais e, por hora, acho que não chegam a ser um problema.
O que dirias que esse eu é? E como é que sabes que é um eu?Surgem pensamentos como "Eu sou esse corpo, oras". Ou "Eu sou esse que está pensando, viu?", "Aqui!!". No fim, contudo, noto que para mim esse eu é aquele que percebe tudo, pensa e inicia as ações.
De onde é que vêm estes pensamentos? Se observares estes pensamentos, o que é que vês a pensar?É como se eu acreditasse que alguém simplesmente precisasse estar e não conseguisse sequer imaginar alguém não estando.
Um pensamento pode pensar outro pensamento?
Existe um eu que pensa ou "eu" é um pensamento como os outros?
Sim, é :)É muito bom ter alguém com quem dividir essas questões.
Abraço,
S
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Olá Sandra!
Intelectualmente entendo que esse eu no controle aparentemente não faz sentido, mas essa identificação parece um encanto difícil de quebrar.
Obrigado pela ajuda.
Abraços.
Realmente não sei, Sandra. Na experiência tudo o que percebo são imagens, sons, cheiros, sabores, sensações e pensamentos, sendo que o mais próximo que percebo de um "Eu" é o pensamento "Eu". Se presto atenção quando estou fazendo algo, por exemplo, percebo pensamentos como "eu fiz isso, eu fiz aquilo". Mas quando tento perceber para onde esse "Eu" aponta, tudo o que consigo ou é o silêncio, ou explicações como "esse eu aponta para esse corpo, mais precisamente, para algo interno que controla esse corpo, mas que não pode ser percebido", o que, claro, são apenas mais pensamentos.O que dirias que esse eu é? E como é que sabes que é um eu?
Pensamentos são apenas percebidos. O "eu" é apenas um pensamento.De onde é que vêm estes pensamentos? Se observares estes pensamentos, o que é que vês a pensar?
Um pensamento pode pensar outro pensamento?
Existe um eu que pensa ou "eu" é um pensamento como os outros?
Intelectualmente entendo que esse eu no controle aparentemente não faz sentido, mas essa identificação parece um encanto difícil de quebrar.
Obrigado pela ajuda.
Abraços.
Cordialmente,
Viajante
Viajante
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Viva Viajante,
Obrigada pelas respostas.
Abraço,
S
Obrigada pelas respostas.
A identificação é útil no dia a dia. Não é necessário quebrar o seu encanto para ver que o eu separado é uma ilusão. O que é que te leva a pensar que a identificação dever ser quebrada?essa identificação parece um encanto difícil de quebrar.
Podes dar-me um exemplo ou dois, de situações do dia a dia, em que parece que um eu está no controle - explicando porque é que pensas que um eu está presente a exercer esse controle?Intelectualmente entendo que esse eu no controle aparentemente não faz sentido
Abraço,
S
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Olá Sandra,
Agradeço, de coração, pelas respostas.
Engraçado como não imaginamos a chuva controlando a chuva, mas imagino o corpo controlando o corpo. Não faz sentido.
Obrigado pela ajuda.
Abraços,
Agradeço, de coração, pelas respostas.
Percebo essa identificação com o corpo, mais especificamente com o cérebro, e imagino que seja essa identificação que deva ser quebrada. Estou errando ao pensar assim?A identificação é útil no dia a dia. Não é necessário quebrar o seu encanto para ver que o eu separado é uma ilusão. O que é que te leva a pensar que a identificação dever ser quebrada?
Sei que não faz sentido, mas tentarei ser o mais honesto possível na resposta. Quando pego um copo de água, acredito estar no controle pois penso "vou pegar o copo de água" e então alcanço o copo. Isso porque acredito que eu seja esse corpo, que percebe essas imagens, sons, sensações, sabores, cheiros e os próprios pensamentos. Alguns pontos chamam a atenção: (i) em nenhum momento me percebi controlando os músculos para pegar o copo, mas existe essa crença de que eu simplesmente não perceberia esse tipo de coisa; (ii) eu apenas percebi o pensamento "vou pegar o copo de água", mas existe essa crença de que gerei o pensamento; (iii) na frase acima 'eu apenas percebi o pensamento "vou pegar o copo de água"' fica nítida a ideia de que para o pensamento ser percebido, ele precisa ser percebido por algo, o que no caso assumo ser o próprio corpo.Podes dar-me um exemplo ou dois, de situações do dia a dia, em que parece que um eu está no controle - explicando porque é que pensas que um eu está presente a exercer esse controle?
Engraçado como não imaginamos a chuva controlando a chuva, mas imagino o corpo controlando o corpo. Não faz sentido.
Obrigado pela ajuda.
Abraços,
Cordialmente,
Viajante
Viajante
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Olá Viajante,
Não estamos a tentar alterar o que quer que seja e sim a observar o que está presente, aqui e agora, tal como é.
Se consegues perceber que há uma identificação com o cérebro pensas realmente que o eu é o cérebro ou está no cérebro?
Existe [identificação] + [o que se identifica]?
É possível encontrar este eu, que é suposto estar a identificar-se com o cérebro? O que é este eu?
Abraço,
S
Depende do que entendes por "quebrada". Imagina que deixas de te identificar totalmente com o corpo. Não ficas em perigo? O que é que te ia impedir de te enfiares à frente de um carro quando queres passar de um lado da rua para o outro?Percebo essa identificação com o corpo, mais especificamente com o cérebro, e imagino que seja essa identificação que deva ser quebrada. Estou errando ao pensar assim?
Não estamos a tentar alterar o que quer que seja e sim a observar o que está presente, aqui e agora, tal como é.
Se consegues perceber que há uma identificação com o cérebro pensas realmente que o eu é o cérebro ou está no cérebro?
Existe [identificação] + [o que se identifica]?
É possível encontrar este eu, que é suposto estar a identificar-se com o cérebro? O que é este eu?
Uma ideia que pode ser comprovada se observares o que te rodeia? O que é que vês a perceber os pensamentos? Um pensamento tem a percepção de outro pensamento? Existe um eu que está consciente dos pensamentos? O que é este eu?fica nítida a ideia de que para o pensamento ser percebido, ele precisa ser percebido por algo
Abraço,
S
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Olá Sandra!
Existe sempre essa impressão de estar procurando esse eu da forma errada e que por isso a ilusão não é revelada. Ou que talvez eu não tenha o que é preciso para percebê-la. Alguma frustração também.
Obrigado pela ajuda.
Abraços.
Essa identificação com o corpo/cérebro aparentemente é uma tentativa minha de explicar logicamente o que está acontecendo. Na prática, sinto como se esse eu estivesse no cérebro, por trás dos olhos.Se consegues perceber que há uma identificação com o cérebro pensas realmente que o eu é o cérebro ou está no cérebro?
Não é possível encontrar esse eu. Mas existe essa sensação de estar por trás dos olhos, e de cada pensamento ser eu falando comigo mesmo.Existe [identificação] + [o que se identifica]?
É possível encontrar este eu, que é suposto estar a identificar-se com o cérebro? O que é este eu?
Não é possível encontrar algo a perceber os pensamentos. Eles apenas são percebidos.Uma ideia que pode ser comprovada se observares o que te rodeia? O que é que vês a perceber os pensamentos? Um pensamento tem a percepção de outro pensamento? Existe um eu que está consciente dos pensamentos? O que é este eu?
Existe sempre essa impressão de estar procurando esse eu da forma errada e que por isso a ilusão não é revelada. Ou que talvez eu não tenha o que é preciso para percebê-la. Alguma frustração também.
Obrigado pela ajuda.
Abraços.
Cordialmente,
Viajante
Viajante
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Viva Viajante,
Esta sensação de um eu, é o eu? Ou é uma sensação?
Está sempre presente ou só reparas nela quando estás a tentar encontrar um eu?
Pensas que estes pensamentos são a prova de que existe um eu a falar com um eu?
Onde é que esperas encontrar um eu?
O que é que esperas que aconteça quando a ilusão for revelada?
Abraço,
S
Se fosses operado, o cirurgião ia encontrar um eu no cérebro, por trás dos olhos?Na prática, sinto como se esse eu estivesse no cérebro, por trás dos olhos.
Esta sensação de um eu, é o eu? Ou é uma sensação?
Está sempre presente ou só reparas nela quando estás a tentar encontrar um eu?
Essa sensação ou esses pensamentos sucessivos que parecem ser um diálogo interno?essa sensação (...) de cada pensamento ser eu falando comigo mesmo.
Pensas que estes pensamentos são a prova de que existe um eu a falar com um eu?
A frustração é normal.Existe sempre essa impressão de estar procurando esse eu da forma errada e que por isso a ilusão não é revelada. Ou que talvez eu não tenha o que é preciso para percebê-la. Alguma frustração também.
Onde é que esperas encontrar um eu?
O que é que esperas que aconteça quando a ilusão for revelada?
Abraço,
S
Re: Alguém para me guiar nesta busca?
Olá Sandra!
Agradeço pelas respostas.
Vejo, contudo, que isso é uma crença, pois da mesma forma que não há nada que prove que essa separação não exista, não há nada que prove que ela exista. Na experiência há apenas as ações, e pensamentos sobre elas, sendo percebidos. Além disso, faz muito mais sentido não haver essa separação, do que haver. Entretanto, essa sensação de estar no comando persiste.
E, de fato, isso não parece passar de uma sensação. Sensação essa que parece ficar mais forte quando estou a pensar sobre esse "eu". Particularmente sobre o passado e futuro dele. Ou quando estou a me relacionar com outras pessoas.
Ao mesmo tempo percebo que existe essa crença de que esse eu não precisaria ser encontrado.
Noto também algum receio em relação a perceber que esse eu não existe. É como se eu tivesse medo de que quando esse corpo deixasse de acreditar nesse eu, ele ficasse mais vulnerável aos outros que ainda acreditam. Tenho medo de com isso não poder cuidar da mesma forma daqueles que amo. Ou que ao não acreditar mais nesse personagem, esse corpo passe a agir diferente, de alguma maneira que prejudique a ele, ao aos que estão a sua volta.
Por fim, talvez esse não seja o fórum adequado para isso. Mas se não se importares, gostaria de compartilhar uma questão. Desde que comecei a estudar sobre não-dualismo, muitas das minhas crenças começaram a perder força. Em geral isso é bom, libertador, mas as vezes é como se eu não tivesse no que me agarrar. Noções de certo e errado, de propósito de vida, de objetivos, que antes eram quase certezas, hoje parecem mais algo fabricado. Apenas ideias. O que em alguns momentos é bastante desorientador.
Não sei se isso é comum, mas recomendarias alguma estratégia para lidar com isso, ou algum livro sobre o assunto? Não é nada que esteja atrapalhando muito a minha vida, mas as vezes me sinto um pouco perdido. O que tenho feito é geralmente voltar mais para o presente. Dar uma atenção um pouco maior para a intuição. Para o que gosto e não gosto. Etc.
Obrigado, de coração, pelo apoio.
Abraços.
Agradeço pelas respostas.
Se fosse operado, não seria encontrado um eu no cérebro. Mas aparentemente acredito que o fato desse eu não ser encontrado, não serve como prova de que não exista. Como se eu fosse essa pessoa, que percebe tudo, e age de maneira independente do ambiente, mas que naturalmente não percebe como o faz, simplesmente porque é assim que os corpos funcionam.Se fosses operado, o cirurgião ia encontrar um eu no cérebro, por trás dos olhos? Esta sensação de um eu, é o eu? Ou é uma sensação? Está sempre presente ou só reparas nela quando estás a tentar encontrar um eu?
Vejo, contudo, que isso é uma crença, pois da mesma forma que não há nada que prove que essa separação não exista, não há nada que prove que ela exista. Na experiência há apenas as ações, e pensamentos sobre elas, sendo percebidos. Além disso, faz muito mais sentido não haver essa separação, do que haver. Entretanto, essa sensação de estar no comando persiste.
E, de fato, isso não parece passar de uma sensação. Sensação essa que parece ficar mais forte quando estou a pensar sobre esse "eu". Particularmente sobre o passado e futuro dele. Ou quando estou a me relacionar com outras pessoas.
Na verdade não acredito que sirva como prova. Se todos esses pensamentos fossem respostas ao ambiente, e eu apenas percebesse os pensamentos, acredito que a experiência seria a mesma.Essa sensação ou esses pensamentos sucessivos que parecem ser um diálogo interno? Pensas que estes pensamentos são a prova de que existe um eu a falar com um eu?
Recentemente me peguei perguntando porque estou a procurar um eu separado. Qual seria o ponto disso? Pensando sobre o assunto, o que me veio a mente foi o seguinte. Se acredito que tomo as decisões desse corpo, é porque acredito que existe algo que funcionaria independente do ambiente, por vontade própria, e seria esse algo que estamos procurando, estou certo? Algo que, de fato, não consigo encontrar.Onde é que esperas encontrar um eu?
Ao mesmo tempo percebo que existe essa crença de que esse eu não precisaria ser encontrado.
Sei que expectativas atrapalham mas, sendo sincero, sempre me percebo aguardando alguma mudança. Por exemplo, ver as coisas de outro modo, como se esse corpo fosse só mais um no ambiente, e não o "meu corpo". Maior liberdade, agindo mais em relação ao momento e menos em relação ao que esse "personagem" faria. Menos medo.O que é que esperas que aconteça quando a ilusão for revelada?
Noto também algum receio em relação a perceber que esse eu não existe. É como se eu tivesse medo de que quando esse corpo deixasse de acreditar nesse eu, ele ficasse mais vulnerável aos outros que ainda acreditam. Tenho medo de com isso não poder cuidar da mesma forma daqueles que amo. Ou que ao não acreditar mais nesse personagem, esse corpo passe a agir diferente, de alguma maneira que prejudique a ele, ao aos que estão a sua volta.
Por fim, talvez esse não seja o fórum adequado para isso. Mas se não se importares, gostaria de compartilhar uma questão. Desde que comecei a estudar sobre não-dualismo, muitas das minhas crenças começaram a perder força. Em geral isso é bom, libertador, mas as vezes é como se eu não tivesse no que me agarrar. Noções de certo e errado, de propósito de vida, de objetivos, que antes eram quase certezas, hoje parecem mais algo fabricado. Apenas ideias. O que em alguns momentos é bastante desorientador.
Não sei se isso é comum, mas recomendarias alguma estratégia para lidar com isso, ou algum livro sobre o assunto? Não é nada que esteja atrapalhando muito a minha vida, mas as vezes me sinto um pouco perdido. O que tenho feito é geralmente voltar mais para o presente. Dar uma atenção um pouco maior para a intuição. Para o que gosto e não gosto. Etc.
Obrigado, de coração, pelo apoio.
Abraços.
Cordialmente,
Viajante
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