Olá Guga,
gugabuga wrote:É tão verdadeiro quanto outros fenômenos mentais, tão verdadeiro quanto uma alucinação no deserto.
Com isto queres dizer que o eu separado só existe como um pensamento? Uma construção mental, uma ideia?
É uma construção que advem das memórias, emoções, da relações que estabelecemos, a própria linguagem reinfora isso. A estrutura sujeito + verbo + predicado reinforça esse. Enfim é um epifenômeno feito por vários outros fenômenos. Isso esta claro, de um ponto de vista intelectual e perceptual. Ainda que a idenficação exista e forte.
gugabuga wrote:Sim, a sensação de um eu separado que tem atende pelo nome na minha carteira de identidade é um fenômeno perceptível.
O eu que referes aqui - a sensação de um eu separado, o nome na carteira de identidade - é um fenômeno perceptível só em pensamento? Ou tem alguma realidade física?
Como dito acima tem vários componentes. A sensação física de estar incarnado é parte da sensação de se ser um eu que existe, e etc... O nome na carteira de identidade é o primeiro elemento do pacote que faz o eu que é fácil de deixar para trás. Meu nome não é tão bonito assim, poderia ser João, Pedro, José, etc... É apenas uma relação com o mundo que me chama pelo meu nome.
gugabuga wrote:Há as sensações associadas com a percepção do eu que se pode colocar a atenção, por exemplo os pensamentos ou sentimentos. Eu esqueci de dizer que o objetivo de penetrar o objeto de meditação é ver uma das três características, impermanência, não-self e insatifação. Ver a não existência de um self é um dos objectivos centrais do devenvolvimento da fator mental vipassana. Vipassana significa ver através de, ou ver profundamente. É isso que estamos tentando fazer aqui, ver a ausência do nosso próprio "eu". Lembrando novamente isso é a "teoria", o que esta em jogo aqui é insight, é morder a fruta. Sinto que os laços se afrouxam, mas não estou livre.
Nestas frases acima há uma série de ideias. Este eu que não está livre, é também ele uma ideia, um pensamento?
Como já referido acima e anteriormente. É um fenômeno mental, essencialmente, é mais fácil trocar de nome.
Este ego que referes, em que medida é um objeto? Se procurares um ego na realidade é possível encontrá-lo? Ou ego é um pensamento?
Encontra-se vários bilhões de egos pelo mundo afora. É só perguntar quem esta passando na rua, a probabilidade de um arahant passeando pela brisa da tarde é baixíssima. Dito isso o ego/eu/self é um truque que acontece e transcendê-lo é a nossa tarefa.
Este eu que aparece e desaparece... existe ou é um fenómeno mental, um pensamento? Um pensamento que aparece e desaparece?
Isso já foi respondido
Encontras um eu ou pensamentos sobre um eu?
Encontra-se a identificação com as coisas que fazem o eu. O pensamento parece no momento ser o grande obstáculo para mim. A pensamentos sutis que acontecem e vão fora da minha atenção. Assim como o coração produz batimentos o cérebro produz pensamentos, e os rins filtram e etc... Encontra-se a produção da mente que nós então nos identificamos e chamamos nosso eu.
Continuar a acreditar na alucinação é continuar a pensar que ela é real? Mais pensamentos?
A nossa mente é só histórias veiculadas pelos pensamentos.
Como é que consegues ver o que não está presente? Isto não é uma descrição daquilo que pensas que está a acontecer, em vez do que está realmente a acontecer? Como é que uma ausência pode aparecer?
Quando o ruído dos pensamentos e das emoções diminui. No silêncio, consegue-se liberdade. O silêncio traz a luz, o insight e vendo-se mais claramente tem-se mais liberdade.
Provavelmente porque os pensamentos são sobre coisas diferentes. Parece-me normal. Se não fosse assim, funcionar no dia-a-dia seria impossível, não seria?
O problema é voltar a estar envolvido com as histórias da nossa cabeça. O problema é essa identificação.
Este eu que pode fazer algo e este eu que não existe, são só pensamentos? Como é que um pensamento pode fazer o que quer que seja?
Enfim, está-se tramado mesmo.
Não. Mas é possível ver que o eu é só um pensamento.
O problema é "esquecer-se" disso, voltar a cair na identificação.
Abraço,
Guga.