Olá Pedro,
espero não ter incomodado :), eu estive a ver o forum internacional e reparei que havia em pt e vi que tu escrevias nessa lingua. como senti que as coisas ultimamente tinham emperrado então lembrei-me que talvez em português a transmissão de informação e consequente clareza fosse melhor. talvez faça sentido, talvez não, se não houver problema da tua parte, gostava de tentar :).
É para isso que aqui estou. Tentemos :)
com o Jim estive cerca de 3/4 semanas, no início houve claramente uma ruptura com o "eu", desliguei-me bastante dos filmes mentais (a maioria deles até era sobre a minha evolução espiritual :D), até tive uma experiência de unicidade (se é que se pode definir assim) que foi fantástica. mas algum tempo depois parece que a dureza da vida entra, o stress e por aí fora, e de repente já sou outra vez um "eu" necessitado e reativo. as coisas novas que descobri foi a não-localização, ou seja, vejo que não há um "eu" em qualquer lado, ninguém comanda, o autor não existe, as coisas simplesmente decorrem da maneira como decorrem, neste momento.
Ok, obrigada.
atualmente acho que há duas perspectivas. intelectualmente tudo o que aprendi e algumas coisas que já sabia fazem sentido, e algumas experiências que tive comprovam isso, no entanto experiencialmente acho que ainda não "vi" com profundidade, as mudanças foram efémeras. ainda tenho uma sensação de insatisfação sabes, como se as circuntâncias de vida atuais não fossem corretas, completas e precisassem de melhorar. ou então certos estados físicos ou emocionais fossem defeituosos e devessem ser corrigidos. portanto no fundo acho que ainda acredito num "eu", pelo menos a minha atitude e comportamento mostram isso. a busca permanece.
Compreendo.
Aquilo que descreves é muito comum. Existe em nós o desejo de mudar para melhor, de ter experiências especiais, de nos sentirmos bem, de progredir, de aprender. Todas estas coisas podem acontecer com maior ou menor intensidade, ao longo desta exploração, mas a verdade é que também podem não acontecer da forma como esperamos e desejamos que aconteçam, nem quando gostariamos que acontecessem.
Para uma realização ocorrer, nada precisa de mudar pela simples razão de que uma realização não é bem uma experiência. Uma realização é uma mudança na forma como se acreditava que as coisas eram e não necessariamente na forma como as coisas são. Já deves conhecer a analogia do Pai Natal, neste contexto da LU. Quando a realização de que o Pai Natal não existe acontece, não é possível acreditar novamente na sua existência e, apesar de nada ter mudado, existe uma percepção diferente sobre o que é o Natal.
Se queres realmente ver isto, tens de progressivamente por de lado as tuas expetativas e olhar para a realidade tal como ela é, em vez de esperares ver/experimentar algo de diferente.
Dirias que tens receios sobre o que pode acontecer quando vires que o eu é ilusório?
Se eu te sugerir que olhes para algo e me digas o que vês, o que é que fazes? Por exemplo. se eu te perguntar se vês um eu separado, o que é que fazes?
O que é que pensas que o real é? Por outras palavras, como é que sabes se algo é real?
Se eu estiver a ir muito depressa diz, sff.
Abraço,
C