Oi Sandra,
Fiquei na mesma. Consegues dar-me exemplos, em vez de definições?
Peço-lhe um pouco de paciência, que chegarei lá.
Objeto é tudo que pode ser percebido no tempo...: sensações (5 sentidos), sentimentos, volições, pensamentos etc.
...e/ou no espaço: seres naturais (3 reinos) e artificiais.
Todas essas coisas são singulares, individuais.
Os respectivos conceitos (objeto, sujeito, ser, sensação etc.), embora refiram classes de coisas, são dados a nós como pensamentos, portanto, como singulares, indivíduos.
O sujeito (awareness, "consciência", atma etc.) não pode ser percebido, observado ou conhecido objetivamente: nunca é objeto, sempre sujeito.
O sujeito é condição de possibilidade dos objetos.
Tente imaginar o seu campo visual, ou seja, os limites do que você pode ver em todas as direções do espaço.
Suponhamos que esse campo tenha a forma de um balão.
Tudo que pode ser visto neste balão é objeto.
Pergunto-lhe agora: os seus olhos podem ser vistos neste balão?
Evidentemente que não; os olhos veem objetos, mas eles mesmos não se veem.
Você poderia objetar, p.ex., que com a ajuda de um espelho você pode sim ver os seus olhos.
Certo, nesse caso, o espelho seria dado (juntamente com o reflexo do seu rosto e de seus olhos) dentro do balão, do campo visual.
Porém, esses olhos objetivos não podem eles mesmos enxergar nada; são apenas reflexos, imagens dos seus olhos reais; são meramente objetos, assim como tudo o mais.
Esse exercício de pensamento ilustra a relação sujeito-objeto: os olhos reais representam o sujeito, o campo visual, inclusive os olhos espelhados, é o mundo objetivo, dos objetos.
Quando percebemos, observamos, conhecemos o sujeito como objeto (p.ex., por meio das ciências humanas e sociais), o sujeito deixa de ser o que é, sendo por assim dizer degradado à condição de objeto.
O ego ou eu empírico é resultado da objetivação daquilo que não pode ser objetivado, do sujeito.
O ego são os olhos espelhados, que não passam de imagem; olhos que não veem, cegos.
O sujeito só pode ser "conhecido" por identidade, quando nós somos e sabemos que somos o sujeito: simplesmente percebemos e sabemos que percebemos (awareness, apercepção, percepção consciente).
Neste instante, percebo uma série de objetos: computador, ventilador, janela, parede, canto de passarinhos, barulho de gente trabalhando, água caindo, sensações táteis nas pontas dos dedos, cores, calor, dor nas costas etc., e também pensamentos, desejos, volições etc. Percebo também uma sensação, um sentimento de que sou alguma coisa, uma entidade, algo como um ego.
Mas se presto mais atenção, verifico que se trata de um sentimento-pensamento como outro qualquer, não havendo nada de real, substancial, por trás disso.
Apercebo ademais que sou "eu" que estou percebendo e discriminando tudo isso.
Mas esse "eu" não é nada que possa ser percebido como tudo o mais, cores, sons, sensações etc.
É algo que precede e possibilita tudo isso.
"Eu" não sou um objeto.
Sou a instância, a condição que possibilita todo o campo perceptivo, inclusive daquilo que chamo de dognaldo, o ego.
Não faço questão de empregar as palavras Eu e sujeito ou atman etc.
Pode chamar isso como quiser: vida, ser, pura consciência etc.
Obrigado pela atenção,
d.