Re: João
Posted: Fri Dec 23, 2016 8:20 pm
Olá grande Sandra!!!
Apenas felicidade quando recebo orientação tua. Nada mais. Seguramente, o "espaço" sem palavras, que colocas em luz, quando lês o meu post, é o mesmo no qual "mergulho" quando me colocas questões!!! Afigura-se também reciproca a ressonância de tudo o que me dizes. A tranquilidade interior que experimento impregna-me de tal forma que...disponho de alguma dificuldade em escrever-te de forma clara, consistente e articulada. Nem sei mesmo o que diga. Ergue-se a sensação de que eventualmente tenha chegado a um ponto tal, no percurso que fazemos juntos, que NÃO SEI bem se me escapa "qualquer coisa" no reconhecimento de que o João não existe.
No entanto, parece-me uma questão sem importância posto que, "aquilo que vejo agora" (unicamente este instante e tudo o que está justamente a ocorreu aqui e agora, enquanto te escrevo), "o modo como vejo o que ocorre" neste instante (apenas o que está aqui...no qual a ausência de separação entre "o suposto João" e aquilo que está diante de si se afigura uma ilusão) e o reconhecimento da inexistência "daquele que vê aquilo que ocorre agora" (não há João aqui...apenas vida que se expressa aqui e agora).
Estou maravilhado com tudo isto...fugiu-me a sensação esmagadora inicial diante do reconhecimento de que o eu não existe. Agora, a serenidade tomou o seu lugar. É, de facto como dizes Sandra, é uma "lua de mel"...Diante de tudo o que ocorre ao longo do dia, ainda se ergue o pensamento de que "está aqui dentro alguém", mas dilui-se tão rapidamente e com uma facilidade tão incrível...que gera espanto. E a paz torna a emergir.
Vou tentar responder à única questão que amorosamente teces:
"A vida é feita de bons e maus momentos. Dirias que esta nova perspectiva é suficientemente clara para sobreviver às tempestades? "
"NÃO SEI!!!" é a afirmação que se impõe com delicadeza. Mas se procurar pensar com total serenidade sobre a questão e tudo o que ela aponta...diria que esta nova perspectiva que se levantou parece ser capaz que irromper sempre como "o pano de fundo" que sustentará "o modo de ver" cada adversidade que ocorrer. "A quem ocorre aquilo que ocorre?" A ninguém. O que ocorre...simplesmente ocorre. Muito embora, sinta que despontarão sempre - e talvez progressivamente com menor frequência - pensamentos que apontem para a existência daquele que os pensa. Embora sejam apenas pensamentos...que não são expressão da existência do João...mas que ilusoriamente procuram "cria-lo".
Não sei o que sublinhe mais...
Nem sei se estou pronto para "algum passo" que necessite ser dado.
Simplesmente experimento - neste instante- a alegria de chegar até aqui, contigo Sandra!!!
Um santo Natal...no qual a gratidão por tudo que existe seja a única palavra.
Falamos brevemente.
Abraço, J
Apenas felicidade quando recebo orientação tua. Nada mais. Seguramente, o "espaço" sem palavras, que colocas em luz, quando lês o meu post, é o mesmo no qual "mergulho" quando me colocas questões!!! Afigura-se também reciproca a ressonância de tudo o que me dizes. A tranquilidade interior que experimento impregna-me de tal forma que...disponho de alguma dificuldade em escrever-te de forma clara, consistente e articulada. Nem sei mesmo o que diga. Ergue-se a sensação de que eventualmente tenha chegado a um ponto tal, no percurso que fazemos juntos, que NÃO SEI bem se me escapa "qualquer coisa" no reconhecimento de que o João não existe.
No entanto, parece-me uma questão sem importância posto que, "aquilo que vejo agora" (unicamente este instante e tudo o que está justamente a ocorreu aqui e agora, enquanto te escrevo), "o modo como vejo o que ocorre" neste instante (apenas o que está aqui...no qual a ausência de separação entre "o suposto João" e aquilo que está diante de si se afigura uma ilusão) e o reconhecimento da inexistência "daquele que vê aquilo que ocorre agora" (não há João aqui...apenas vida que se expressa aqui e agora).
Estou maravilhado com tudo isto...fugiu-me a sensação esmagadora inicial diante do reconhecimento de que o eu não existe. Agora, a serenidade tomou o seu lugar. É, de facto como dizes Sandra, é uma "lua de mel"...Diante de tudo o que ocorre ao longo do dia, ainda se ergue o pensamento de que "está aqui dentro alguém", mas dilui-se tão rapidamente e com uma facilidade tão incrível...que gera espanto. E a paz torna a emergir.
Vou tentar responder à única questão que amorosamente teces:
"A vida é feita de bons e maus momentos. Dirias que esta nova perspectiva é suficientemente clara para sobreviver às tempestades? "
"NÃO SEI!!!" é a afirmação que se impõe com delicadeza. Mas se procurar pensar com total serenidade sobre a questão e tudo o que ela aponta...diria que esta nova perspectiva que se levantou parece ser capaz que irromper sempre como "o pano de fundo" que sustentará "o modo de ver" cada adversidade que ocorrer. "A quem ocorre aquilo que ocorre?" A ninguém. O que ocorre...simplesmente ocorre. Muito embora, sinta que despontarão sempre - e talvez progressivamente com menor frequência - pensamentos que apontem para a existência daquele que os pensa. Embora sejam apenas pensamentos...que não são expressão da existência do João...mas que ilusoriamente procuram "cria-lo".
Não sei o que sublinhe mais...
Nem sei se estou pronto para "algum passo" que necessite ser dado.
Simplesmente experimento - neste instante- a alegria de chegar até aqui, contigo Sandra!!!
Um santo Natal...no qual a gratidão por tudo que existe seja a única palavra.
Falamos brevemente.
Abraço, J