Oi! Bem legais as coisas que você falou. Vamos lá!
Se a nossa percepção não fosse aparentemente diferente da dos outros, como é que seriamos o que somos?
Sim… só digo que existem “outros” porque existe um eu que eles não são.
Quando falas de um lapso, um "gap" entre as ideias e a observação estás a pensar ou a verificar?
Aqui e agora, se observares sem interpretares, sem começares a pensar sobre o assunto, consegues ver evidências sobre a existência de um ponto de observação da realidade para além do teu?
Se não conseguires, podemos assumir que para as outras pessoas é igual, o seu ponto de observação é único?
E, já agora, esse ponto de observação pertence a um indivíduo, uma entidade separada? O que é que encontras quando voltas a tua atenção para onde é suposto estar o teu eu?
Aqui que você me pegou! Fiquei meio sem resposta e tive que ler várias vezes para “entender”.
Para começar o que eu queria falar é: quando vejo esse gap entre a ideia e o que observo é porque creio estar fazendo as duas coisas - observando a vida, no caso, observando agora essa nossa conversa e percebendo que existe eu que digito e penso daqui e você que conversa comigo daí, e essa observação entra em conflito com a ideia, a imaginação ou pensamento de que devo crer que não existe um eu individual, um eu separado, já que a observação me mostra que existem dois “eus” (não no sentido de Arthur e Sandra, que já vimos ser uma história, mas dois pontos de vista, duas percepções de mundo).
Aí você me veio com essas perguntas que me “chocaram” - eu não tinha mais a resposta pronta para “rebater”, tive que parar e olhar… vamos lá.
Aqui e agora, se observares sem interpretares, sem começares a pensar sobre o assunto, consegues ver evidências sobre a existência de um ponto de observação da realidade para além do teu?
Bom, se eu observar esse nosso bate-papo eu consigo imaginar que você está do outro lado olhando seu computador, atenta, me respondendo com atenção… mas me vem agora que isso é realmente só imaginação. Tudo que vejo são letras e eu respondendo a elas. Não vejo um ponto de vista. Vejo letras, mensagens que essas letras codificam e eu respondendo a elas.
Mas se eu observo, por exemplo, a conversa que estava tendo a pouco com as enfermeiras, cada pessoa fala sobre seu ponto de vista, suas experiências, perspectivas, ideias… eu não consigo enxergar exatamente que elas sejam um ponto de percepção diferente da realidade, ou pelo menos em que lugar esse ponto se encontra, apenas percebo que elas são o que são, e que são diferentes de mim.
Ainda assim tentando explorar mais o assunto: se eu peço para uma delas observar a janela e me dizer o que há lá fora, ela me falará e poderia dizer então que ela é um ponto de percepção diferente do meu, isso é até “lógico” de se falar, mas em realidade, a única percepção que posso ter é a minha própria.
Se não conseguires, podemos assumir que para as outras pessoas é igual, o seu ponto de observação é único?
Bom, sim. Mas aí, ao fazermos isso, assumimos que os pontos de observações o são únicos - realmente eu só consigo ter a minha percepção - e também multiplos/infinitos, já que cada um tem sou próprio ponto.
E, já agora, esse ponto de observação pertence a um indivíduo, uma entidade separada? O que é que encontras quando voltas a tua atenção para onde é suposto estar o teu eu?
Sim, esse ponto de vista pertence a uma individualidade, uma entidade separada. O que encontro quando volto a atenção ao suposto eu é minha percepção do mundo, no sentido de “awareness”, atenção, interação, vivacidade.
Não sei, fiquei confuso, meio atordoado, como se estivéssemos falando de algo novo, apesar de me parecer que “retrocedi” na nossa conversa ao perceber um eu separado.
Obrigado!!