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Re: Truth

Posted: Thu Sep 07, 2023 8:45 pm
by scubadiver12
Olá.
E da mesma forma, a narrativa interior do pensamento é uma necessidade para que o jogo da vida aconteça?
Eu diria que 80/90% dos pensamentos são desnecessários. São baseados em condicionamento, julgamentos, conclusões erróneas e projeções. Os restantes são necessários para funcionar no mundo, tomar decisões...
O comentário sobre o jogo de futebol é uma necessidade para que o jogo aconteça?
Obviamente que não. O comentário do jogo é apenas a perspetiva do comentador, e indo um pouco mais longe, é apenas um conjunto de sons que determinadas pessoas que foram condicionadas nessa língua entendem, enquanto que para outras não tem nenhum sentido nem significado.
O que você descobriu ao fazer este exercício?
Aprendi que os pensamentos não passam de meros 'sons' na mente, que não refletem minimamente a realidade e fazendo este mesmo exercício na rua, ao observar pessoas, é irónico e surpreendente como se experiencia a vida identificado ou não com os pensamentos...

Re: Truth

Posted: Sun Sep 17, 2023 6:42 pm
by atmajnani
Olá,

Desculpa a demora. Tive problemas de internet esta semana que já estão resolvidos.
Acho que respondi ao post anterior, mas não está cá! Deve ter falhado o upload!
Eu diria que 80/90% dos pensamentos são desnecessários. São baseados em condicionamento, julgamentos, conclusões erróneas e projeções. Os restantes são necessários para funcionar no mundo, tomar decisões...
Poderíamos dizer que 100% dos pensamentos são apenas um comentário ao que já está a acontecer!
Experimenta fazer este exercício e partilha as tuas observações:

1. Coloque uma mão à sua frente; palma voltada para baixo.
2. Agora vire a palma para cima. E para baixo... e para cima e assim por diante.
Observe como um falcão.
Não fique pensando – examine sua experiência direta. Faça isso quantas vezes quiser, e cada vez pergunte:

Como o movimento é controlado?
Um pensamento controla isso?
Um ‘controlador’ de qualquer descrição pode ser localizado?
Como é tomada a decisão de virar a mão?

Acompanhe qualquer ponto de decisão, quando um pensamento TOMOU A DECISÃO de virar a mão e a mão vira imediatamente.
Quem ou o que escolheu qual mão usar - a esquerda ou a direita - para o exercício?
Você consegue encontrar um indivíduo separado ou qualquer coisa que esteja escolhendo quando virar a palma da mão para cima ou abaixo?


Abraço,
Atmajnani

Re: Truth

Posted: Tue Sep 19, 2023 5:50 pm
by scubadiver12
Olá.
Como o movimento é controlado?
Não sei, o que posso dizer é que apenas acontece por si mesmo.
Um pensamento controla isso?
Antes de começar o exercício sim, onde existe a escolha de fazê-lo ou não, mas durante o exercício foi surpreendente observar que mesmo com a mente sem qualquer pensamento o movimento continua...
Um ‘controlador’ de qualquer descrição pode ser localizado?
Durante o exercício é claramente notório que não existe nenhum controlador, mas depois a mente volta a assumir que houve "alguém" que o controlou...
Como é tomada a decisão de virar a mão?
Acontece por si mesma.
Quem ou o que escolheu qual mão usar - a esquerda ou a direita - para o exercício?
Não faço ideia...
Você consegue encontrar um indivíduo separado ou qualquer coisa que esteja escolhendo quando virar a palma da mão para cima ou abaixo?
Não...


Uma coisa que queria mencionar: ontem estava a observar uma situação do dia a dia, super normal, e de repente surgiu um pensamento do género "esta observação está a acontecer para ninguém, não há ninguém aí" e de repente surgiu um medo forte e algumas sensações intensas no estômago e/ou intestino... Durou pouco tempo esse insight, porque o medo tomou conta da situação.
No entanto, uma coisa ficou clara, que até ao momento não me tinha apercebido: se o "shift" acontecer, vai acontecer para ninguém, não vai haver ninguém do "outro lado" a cantar vitória ou glória, simplesmente vai acontecer. Embora já o tivesse ouvido/lido dezenas de vezes, desta vez ficou completamente claro.
Foi o primeiro vislumbre da não existência de um "eu" separado. Nada de místico ou sobrenatural.

Re: Truth

Posted: Tue Sep 19, 2023 7:38 pm
by scubadiver12
Devo também acrescentar que essa realização não foi meramente intelectual, como dá a entender na mensagem acima escrita.
Foi algo "visceral", experiência direta, acompanhado pelo pensamento acima descrito. A "minha" mente não tem uma referência passada para descrever ou comparar essa experiência...

Re: Truth

Posted: Tue Sep 19, 2023 11:19 pm
by atmajnani
Olá Scubadiver,

Estou super feliz por teres tido esse primeiro vislumbre! Fantástico!
E esse medo que surgiu é comum. Algumas pessoas experienciam até pavor quando uma camada da estrutura do 'EU' está prestes a cair. É o ego que tem medo de morrer, mas na verdade não há nada que temer porque tudo continuará a funcionar naturalmente como a mão que vira sem pensamentos a controlá-la.
P: Um pensamento controla isso? R: Antes de começar o exercício sim, onde existe a escolha de fazê-lo ou não...
Será que isto é verdade? Repete o exercício ou tenta lembrar-te da primeira vez que o fizeste e tenta identificar o pensamento que disse "Humm, vou fazer este exercío!" Às tantas deste por ti a fazê-lo e depois os pensamentos comentaram 'estou a fazer o exercício porque EU quis'.

O objetivo do exercício seguinte é descobrir se a função de escolha pode realmente ser encontrada ou confirmada na experiência direta. A ideia de fazer ‘escolhas’ é um claro exemplo de uma função que identificamos erroneamente como a base da nossa identidade.

Aqui está o que é necessário: uma cadeira, uma mesa e duas bebidas diferentes. Quaisquer duas bebidas que você goste servem: café, chá, leite, água, sumos, cerveja, vinho, etc. (ou podem ser 2 compotas diferentes ou 2 alimentos diferentes)

Preparação - Coloque as duas bebidas lado a lado na mesa à sua frente, sente-se confortavelmente na cadeira e rotule-os mentalmente como bebida A e bebida B.

Experiência - Encontrar a função de escolha
Sente-se por alguns momentos, respire relaxadamente e acalme-se. Quando você estiver preparado:
1. Olhe para a bebida A e para a bebida B. Pense nas respectivas qualidades, nas coisas que você gosta sobre eles, compare e avalie os prós e os contras de cada um. Veja se há uma preferência manifestando-se por um ou outro.
2. Agora arrume-as no frigorífico ou no armário.
3. Quando precisar beber escolha uma das bebidas, pegue e tome um gole.

Questões:
Lembre-se de que estamos procurando algum tipo de função, algo, um “Eu” que esteja fazendo a ‘escolha’.

No passo 1, ao pensar nas respectivas qualidades, você “escolheu” as qualidades? Ou elas apareceram sozinhas?
Se algumas preferências se manifestaram, você ‘escolheu’ essas preferências? Ou elas simplesmente apareceram sozinhas?


No passo 3, onde você fez uma escolha, você realmente testemunhou ou experimentou diretamente uma função mental ou faculdade que faz a “escolha”? Surgiu alguma coisa que anunciasse: ‘Eu sou o selecionador’? Se sim, como é essa função?
Às vezes descrevemos esta sensação de escolha como um “sentimento”: parece que “eu” fiz a ‘escolha’. Mas a questão é: pode um sentimento “escolher”? É da natureza de um sentimento 'escolher'?


Abraço,
Atmajnani

Re: Truth

Posted: Tue Sep 26, 2023 9:25 pm
by scubadiver12
Olá!

Já faz alguns dias desde que respondeu ao meu post. Vim cá praticamente todos os dias, mas existe em mim uma grande resistência em fazer este tipo de exercícios diretos, como se houvesse um medo inconsciente de "descobrir algo" ou perceber que o "eu" é ilusório.
Para mim, por exemplo, é fácil meditar várias horas seguidas ou mesmo fazer um retiro intensivo. No entanto, lidar com sensações físicas desconfortáveis e emoções reprimidas não é o meu forte, mas estou a trabalhar esse aspeto. A principal zona onde aparecem essas sensações é o meio do peito. Estou a seguir as suas recomendações sobre desligar a narrativa mental quando as sensações aparecem e apenas experiencia-las... No entanto, surge uma dúvida: até que ponto será proveitoso saber se onde vem essas emoções reprimidas? Será benéfico ou uma perda de tempo?

No passo 1, ao pensar nas respectivas qualidades, você “escolheu” as qualidades? Ou elas apareceram sozinhas?
Aparecem sozinhas.
Se algumas preferências se manifestaram, você ‘escolheu’ essas preferências? Ou elas simplesmente apareceram sozinhas?
Aparecem sozinhas, com base (suponho eu) no subconsciente e nos gostos/aversões "lá" presentes...
No passo 3, onde você fez uma escolha, você realmente testemunhou ou experimentou diretamente uma função mental ou faculdade que faz a “escolha”? Surgiu alguma coisa que anunciasse: ‘Eu sou o selecionador’? Se sim, como é essa função?
Não, a escolha foi feita simplesmente.
Às vezes descrevemos esta sensação de escolha como um “sentimento”: parece que “eu” fiz a ‘escolha’. Mas a questão é: pode um sentimento “escolher”? É da natureza de um sentimento 'escolher'?
Estas perguntas, embora pareçam óbvias as respostas, não o são para mim neste momento...
Ora, vejamos: pode um sentimento escolher? A escolha acontece, parece-me, devido a gostos/aversões presentes no subconsciente, que, por sua vez, parece-me que fazem surgir esses sentimentos... Existe uma preferência, que pode dar lugar a um sentimento, que leva a uma escolha... Faz sentido?
"É da natureza de um sentimento escolher?"... Penso que não, a escolha é feita de forma "automática" devido às preferências pessoais do "indivíduo"... Faz sentido?

Obrigado

Re: Truth

Posted: Thu Oct 05, 2023 1:04 pm
by atmajnani
Olá Scubadiver,

Peço desculpa pela demora na resposta. Comecei um trabalho novo a tempo inteiro e sobra-me muito pouco tempo livre para responder aos meus 'clientes' com regularidade. Espero conseguir hoje reorganizar as minhas rotinas e retomar os diálogos com regularidade.
...lidar com sensações físicas desconfortáveis e emoções reprimidas não é o meu forte, mas estou a trabalhar esse aspeto. A principal zona onde aparecem essas sensações é o meio do peito. Estou a seguir as suas recomendações sobre desligar a narrativa mental quando as sensações aparecem e apenas experiencia-las... No entanto, surge uma dúvida: até que ponto será proveitoso saber de onde vêm essas emoções reprimidas? Será benéfico ou uma perda de tempo?
Vai chegar uma fase em que a origem dessas emoções (traumas/memórias de infância) vem à superfície (da consciência) e as emoções como perda, raiva e tristeza se intensificam. Não é confortável nem agradável para ninguém :-)
Focares-te nas sensações sem alimentar a narrativa ajuda a libertar essas emoções reprimidas minimizando a reatividade que pode afetar as pessoas à tua volta de forma negativa (não te quero desmotivar, mas estive 10 meses nessa fase desconfortável). Depois chega a fase de acalmia em que essas memórias ou traumas não passam de estórias sem qualquer impacto no momento presente e sentes uma leveza que não tinhas antes.
A mente é como um iceberg, a ponta acima da água é aquilo de que temos consciência, mas todo o nosso comportamento, preferências, 'escolhas', etc. são condicionadas pelo nosso inconsciente que fica 'escondido abaixo da superfície'. Quando vires com clareza (ou gradualmente) que o 'EU, MEU, MIM' é uma construção mental que não existe em lado nenhum, como já viste, é como se tirasses a rolha que reprimia o teu inconsciente e tudo que está lá armazenado começa a vir à superfície gradualmente, à luz da consciência. Por isso se diz que o despertar espiritual é conheceres-te a ti mesmo. É um processo natural que se desenrola ao seu ritmo e intensidade, que difere de pessoa para pessoa. Ajuda reconhecer as diferentes fases do processo, mas o importante é aceitares e renderes-te ao processo natural com paciência.
Pode um sentimento escolher? A escolha acontece, parece-me, devido a gostos/aversões presentes no subconsciente, que, por sua vez, parece-me que fazem surgir esses sentimentos... Existe uma preferência, que pode dar lugar a um sentimento, que leva a uma escolha... Faz sentido?
Muito bem observado. Mas as escolhas não acontencem independentemente desse 'sentimento de EU'?
Embora percebas que não há um observador/testemunha, ainda pode haver a sensação de identificação de ser o ‘fazedor’. Que ainda “parece” que existe um EU que é o “escolhedor”. Então, vamos ver isso em mais detalhe com o sentido da VISÂO. Respire algumas vezes relaxadamente para acalmar e depois:

Olhe à sua direita.
Depois olhe para a sua esquerda.
Por fim, traga a cabeça de volta ao centro, feche os olhos e olhe para a frente.
Ok, então quando você olha para a direita, a visão à direita é vista (seja lá o que for).
Quando você olha para a esquerda, a vista à esquerda é vista (seja lá o que for).
E depois, quando você olha à sua frente com os olhos fechados, a visão à sua frente é vista (ou seja, 'espaço preto').
Então, quando a visão à direita é vista, você tem a “escolha” de não a ver?
Eu não estou perguntando se pode 'escolher' ver algo diferente como o 'espaço preto' se fechar seus olhos.
A questão é; Você pode desligar a visualização? Você pode ESCOLHER não ver o que é visto?
A mesma coisa com a vista à esquerda, você pode escolher não ver a vista à esquerda?
A mesma coisa com a vista de frente com os olhos fechados, você pode escolher não ver o ‘espaço preto’?
Você pode desligar a visão?
O que o 'selecionador' escolheu? Um 'EU' escolheu alguma coisa?
Se você não consegue escolher aquilo de que tem consciência, então o que mais há para escolher?


Abraço,
Atmajnani

Re: Truth

Posted: Sun Oct 22, 2023 9:04 pm
by atmajnani
Olá Scubadiver,

Alguma novidade em relação ao teu processo interior?
Ainda sentes muita resistência em fazer o último exercício?

O medo é comum surgir durante este tipo de inquéritos. Mas se tiveres a coragem e a determinação de seguir em frente apesar do medo, vais descobrir que não há nada a temer nem a perder:-)

Quando te sentires corajoso retoma o último exercício.

Abraço,
Atmajnani

Re: Truth

Posted: Sun Oct 22, 2023 10:28 pm
by scubadiver12
Olá!

Ía responder hoje mesmo!!

Neste caso (de ainda não ter respondido) não se relaciona com resistência a fazer o exercício.
Estive a fazer um retiro de meditação de 11 dias mais uns dias de estabilização e retorno à normalidade. Voltei agora à noite a utilizar novamente tecnologias após 14 dias e está a custar um pouco ao cérebro toda esta informação e dopamina (não me refiro só a ao fórum evidentemente).

Amanhã em princípio já realizo o exercício.

Obrigado!

Re: Truth

Posted: Sun Oct 22, 2023 10:49 pm
by atmajnani
Olá,

Boas notícias!
Um retiro de meditação de 11 dias ajuda imenso a integrar mudanças no cérebro.

Fico a aguardar novidades.

Abraço,
Atmajnani

Re: Truth

Posted: Mon Oct 23, 2023 10:31 pm
by scubadiver12
Olá!

Cá estamos de volta ;)
A questão é; Você pode desligar a visualização? Você pode ESCOLHER não ver o que é visto? A mesma coisa com a vista à esquerda, você pode escolher não ver a vista à esquerda?
A mesma coisa com a vista de frente com os olhos fechados, você pode escolher não ver o ‘espaço preto’?
Você pode desligar a visão?
Não!!
O que o 'selecionador' escolheu? Um 'EU' escolheu alguma coisa?
Nada, porque não há selecionador...
Se você não consegue escolher aquilo de que tem consciência, então o que mais há para escolher?
Esta pergunta é muito poderosa e estou a tentar entender ainda a sua profundidade... "Eu" não escolho os meus pensamentos, sensações, emoções, visão e restantes sentidos... Tudo acontece por si mesmo...

Gostei muito deste exercício, tenho de fazê-lo mais vezes. Se me permite, pode fazer as mesmas perguntas do 1 e 3 "tópicos" (da forma como eu dividi para responder) mas com palavras ligeiramente diferentes? Parece-me que não estou a compreender a profundidade (ou simplicidade) das questões a 100%...

Interessante de notar que anteriormente (antes de fazer o retiro de 11 dias), quando visualizava um exercício que não compreendia totalmente, existia muita resistência e tendência a fugir dele (de o realizar). Hoje não entendi a 100% logo de início mas não existiu resistência a isso. Vamos ver se é para durar essa tranquilidade...

Obrigado!

Re: Truth

Posted: Wed Oct 25, 2023 10:23 pm
by atmajnani
Olá Scubadiver,
...quando visualizava um exercício que não compreendia totalmente, existia muita resistência e tendência a fugir dele (de o realizar). Hoje não entendi a 100% logo de início mas não existiu resistência a isso.
Que bom, o propósito dos retiros vipassana (estou a assumir que tenha sido esse) é dissolver a reatividade.

O (1) no fundo pergunta-te: existe um 'EU' que tenha poder de decisão, controlo, vontade-livre ou algo do género? 'VER' acontece de forma automática, mesmo de olhos fechados (vês preto). O mesmo com os outros sentidos. Tudo na vida não acontece de forma automática sem necessidade de criar e manter o personagem 'Jorge'?!

O (3) pergunta-te o que é que realmente o 'Jorge' pode escolher? Dá um exemplo e depois analisamo-lo em mais detalhe.

Abraço,
Atmajnani

Re: Truth

Posted: Thu Nov 02, 2023 9:47 pm
by scubadiver12
Olá
Tudo na vida não acontece de forma automática sem necessidade de criar e manter o personagem 'Jorge'?!
Certo. Pensamentos, visão e restantes sentidos, funções do corpo (como digestão etc etc)... Por mais que já tenho lido muito e visto milhares de vídeos sobre o assunto, a minha dúvida é: por que é que então criamos essa falsa identidade? Para proteger o quê? Parece-me que cada vez sei menos...
O (3) pergunta-te o que é que realmente o 'Jorge' pode escolher?
Se partirmos do princípio de que o "Jorge" não existe (como tive oportunidade de "ver" diretamente por breves instantes), então obviamente não pode escolher nada... Existe apenas algo que acontece e depois é rotulado como "isto aconteceu-me a "mim", ao "Jorge"...

Re: Truth

Posted: Mon Nov 06, 2023 12:39 am
by atmajnani
Olá,
...por que é que então criamos essa falsa identidade? Para proteger o quê? Parece-me que cada vez sei menos...
Há quem diga que é um efeito colateral indesejado que surgiu com o desenvolvimento do cérebro humano. Mas não é preciso saber o porquê para responder à pergunta: Para proteger o quê?
Os outros animais também têm reações instintivas para preservar a sobrevivência física ou a descendência, mas não têm uma identidade egoica. Para que serve essa identidade mental? Protege-nos de alguma coisa? Ou cria apenas uma separação ilusória entre o EU e o resto do mundo?

Imagine por um momento uma cena, a de um pequeno riacho na montanha que desce por uma encosta, não muito longe da sua nascente. Tem chovido e por isso o nível está bastante alto.
Visualize mentalmente, se puder, como ele flui para a direita sobre uma pequena rocha (onde, se o nível fosse mais baixo, provavelmente teria contornado a rocha), depois o fluxo de água segue para a esquerda, sobre o ramo de uma árvore, e depois desacelera um pouco em um local mais amplo, antes de cair em cascata num lago, e assim por diante, descendo a montanha.
O riacho escolhe alguma de suas direções? Será que o riacho é realmente uma entidade separada, diferente da água depositada nele, nas rochas, nas depressões, no solo, etc.? É a mesma entidade momento-a-momento, ou mais o produto das condições climáticas e da água, como um padrão em constante mudança?

1. Você consegue encontrar alguma situação onde o 'Jorge' intervém autonomamente na vida, escolhendo algo que não é o produto de todas os circunstâncias, que não faça parte do fluxo geral da vida?
2. Agora, considere uma decisão regular tomada, por exemplo; o que vestir de manhã, ou o que comer no almoço e me descreva o que acontece. Existem fatores ambientais, existem preferências de cores (mas de onde elas vieram - qualquer intervenção autónoma talvez?), questões práticas (como o que está disponível), tempo disponível para preparação, propósito (por exemplo; necessidade de parecer moderno e atraente para aquela pessoa!) etc. Onde existe uma entidade autónoma intervindo no fluxo da vida? Você pode encontrar alguém em algum lugar?


Abraço,
Atmajnani