http://liberationunleashed.com/LU_Audio ... n%2008.mp3
Vai a este audio aos 00:56 está uma boa descrição de como sinto que há um mesmo observador fora dos pensamentos. Deve ser de anos e anos a funcionar em sujeito/objecto.
Estive a ouvir. Sim, sentir que há um observador, uma testemunha é perfeitamente normal.
Se me concentrar nessa sensação da existência de "um eu que está a ver" também penso que há um observador, mas quando tento encontrá-lo vejo que é só uma ilusão. Observar acontece, sem nenhum eu que observa.
Eu experiencio separação, há uma certa distância entre os meus olhos e a mão.
Quando olhas vês os olhos? Se não pensares que tens olhos é como se eles não existissem :)
Há várias formas de olhar para a realidade:
- com a mente (há uma certa distância entre os meus olhos e a mão - isto é um pensamento)
- a olhar simplesmente (aquele tipo de olhar em que estamos no mundo da lua e não estamos a pensar em nada).
Quando este olhar acontece não há pensamentos a etiquetarem (não há labels) o que estamos a ver.
Se por exemplo olhares para um quadro ou uma revista ao contrário consegues percepcionar isto. O cérebro não começa logo a dizer "isto é uma maçã em cima de um prato e está meio comida".
Vês algo que não consegues definir com o pensamento.
Quando o cérebro não está a etiquetar não há separação, não há cima e baixo, não há passado nem futuro, não há eu e tu. Há só o aqui e agora, a que podemos chamar vida ou tudo o que é.
O audio explica isto muito bem :)
Se o corpo/mente Sandra estivesse ao meu lado e olhasse para a minha mão, também percepcionaria que a mão estaria a 2m dos olhos dela?
Se a minha atenção se focasse na "tua mão" e a mente começasse a funcionar sim.
É assim que funcionamos neste mundo e é para isso que a mente serve. Quente e frio, aqui e ali, braço e perna. Sem pensamento não existia nada disto, só sensações, só presença.
Mas na LU quando é dito "Just look!" é uma indicação para observar para lá do funcionamento normal da mente (e repara que mente é só um conceito. Mente é o pensamento).
É uma indicação para olhar sem rotular - olhar para o que está para lá dos pensamentos e sensações, atrás dos pensamentos e sensaçãos e para os pensamentos e sensações como objectos que surgem.
E é só olhando assim que se vê se o "eu" é real ou não. Os pensamentos sobre o "eu" acontecem e não deixam de aparecer quando se vê que o "eu" é uma ilusão (nunca houve um "eu" e estes pensamentos já aconteciam, não vão deixar de acontecer depois de se ver a verdade).
Um pássaro canta o som percorre uns certos metros e depois eu ouço o som e fico com uma noção da distância a que ele está.
Pratica o ouvir. Vê se o que escreveste aqui é verdade na tua experiência.
Comigo ouvir é experimentado assim: o pássaro canta e o ouvir acontece em simultâneo e não há um eu a ouvir,
a única coisa real é o som, é o ouvir.
"Eu ouço o som" é um pensamento que aparece
durante ou depois da experiência.
Comes uma laranja.
"Eu comi a laranja" é um pensamento que aparece
depois da experiência.
Vais à casa de banho.
"Estava aflito e tive que ir à casa de banho" - é um pensamento que aparece
depois da experiência.
E na minha experiência ouvir, comer e ir à casa de banho (tudo o que fazemos) são ações que acontecem sem ser necessário pensar para as fazer acontecer. Não há um eu a ouvir, comer e ir à casa de banho. Simplesmente acontece :)
Tu fazes desporto.
O que é real?
- Quando estás a fazer um exercicio há um eu a fazer o exercício.
- Um exercicio é feito e há uma série de pensamentos e sensações a acontecerem durante essa ação - isto tudo sem um eu.
O que é o eu quando fazes desporto? Onde é que está?
Não está tudo a acontecer simplesmente?