Riktam,
já pratiquei um pouco do exercício combinado. de facto, o intervalo antes da conceptualização é perceptível, embora seja muito pequeno. continuarei a praticar para aumentar esse intervalo. da minha experiencia directa, nesses breves instantes, a sensação de objecto externo e observador é mais esbatida, mas assim que surge a conceptualização essa dualidade é reforçada, e como que entro na minha cabeça, ao invés de permanecer apenas naquele espaço ( faz-me lembrar quando acordo e demoro um tempo a perceber onde estou, ou a sensação de estar distraido na lua e voltar à realidade ). Estou a exagerar um bocado, é uma sensação mais subtil, mas de qualquer forma penso que noto essa transição.
ainda não apliquei o exercício para outras sensações para além da visão, acho que vou fazê-lo ainda hoje, e ainda responder novamente.
Abraço.
Tópico para Gerwa
Re: Tópico para Gerwa
Gerwa,
A experiência direta é a única real, o restante são pensamentos, cujos conteúdos são sempre imaginários.
Já percebe isso?
Abraços
A experiência direta é a única real, o restante são pensamentos, cujos conteúdos são sempre imaginários.
Já percebe isso?
Abraços
Re: Tópico para Gerwa
Riktam,
sim, estamos constantemente a impôr interpretações sobre a experiência directa.
mas os pensamentos também fazem parte da experiência, apesar de ser talvez mais difícil observá-los. a maior parte das vezes quando me apercebo que estou a analisar a experiencia directa já estou há algum tempo a fazê-lo. quando consigo perceber que estou a conceptualizar e a racionalizar então penso que posso regressar à experiencia directa por mais uns breves instantes.
sim, estamos constantemente a impôr interpretações sobre a experiência directa.
mas os pensamentos também fazem parte da experiência, apesar de ser talvez mais difícil observá-los. a maior parte das vezes quando me apercebo que estou a analisar a experiencia directa já estou há algum tempo a fazê-lo. quando consigo perceber que estou a conceptualizar e a racionalizar então penso que posso regressar à experiencia directa por mais uns breves instantes.
Re: Tópico para Gerwa
OK Gerwa,
Além das emoções e sentidos, o outro aspecto da experiência direta são exatamente os pensamentos.
Os pensamentos são reais, uma vez que são percebidos, mas o seu conteúdo é SEMPRE imaginação, mesmo quando se trata de memórias. Imaginamos o passado.
Acontece que estamos sempre acreditando no que os pensamentos dizem e isso nos tira do momento presente, que é a única realidade.
Experimente para ver se consegue observar os pensamentos sem acompanhar as histórias que eles contam.
São apenas pensamentos.
Abraços.
Além das emoções e sentidos, o outro aspecto da experiência direta são exatamente os pensamentos.
Os pensamentos são reais, uma vez que são percebidos, mas o seu conteúdo é SEMPRE imaginação, mesmo quando se trata de memórias. Imaginamos o passado.
Acontece que estamos sempre acreditando no que os pensamentos dizem e isso nos tira do momento presente, que é a única realidade.
Experimente para ver se consegue observar os pensamentos sem acompanhar as histórias que eles contam.
São apenas pensamentos.
Abraços.
Re: Tópico para Gerwa
Riktam
observar os meus pensamentos é definitivamente um grande desafio. houve uma altura, há cerca de 3 anos, quando me interessei pela meditação de tipo «mindfulness» que conseguia, principalmente durante as sessões de meditação, aperceber-me muito rapidamente do início do pensamento e regressar à atenção plena. agora, como tenho descurado um pouco este tipo de meditação sinto que perdi um pouco esta capacidade.
Acho que é muito importante desenvolvê-la, caso contrário estamos a acreditar nos conceitos e interpretações dos nossos pensamentos, onde o conceito de «eu» está geralmente muito presente.
Boa noite
observar os meus pensamentos é definitivamente um grande desafio. houve uma altura, há cerca de 3 anos, quando me interessei pela meditação de tipo «mindfulness» que conseguia, principalmente durante as sessões de meditação, aperceber-me muito rapidamente do início do pensamento e regressar à atenção plena. agora, como tenho descurado um pouco este tipo de meditação sinto que perdi um pouco esta capacidade.
Acho que é muito importante desenvolvê-la, caso contrário estamos a acreditar nos conceitos e interpretações dos nossos pensamentos, onde o conceito de «eu» está geralmente muito presente.
Boa noite
Re: Tópico para Gerwa
Gerwa,
Quando você não acredita nos pensamentos e não os interpreta fica mais fácil.
Outra recomendação é que você não se importe com eles. Eu também meditei por muitos anos e sei que há um desejo de que os pensamentos parem e isso atrapalha muito. Isso não é nosso objetivo aqui.
Querer que parem é um outro pensamento. Um pensamento querendo que os pensamentos parem.
Eles nunca vão parar, é a natureza deles, e não é você que está pensando.
Os pensamentos simplesmente passam e são escutados. Como um rádio ligado que não tem botão para desligar e nem para escolher a estação. Aceite.
Simplesmente ouça-os sem acreditar neles, e veja como se sente.
Boa noite para você também.
Quando você não acredita nos pensamentos e não os interpreta fica mais fácil.
Outra recomendação é que você não se importe com eles. Eu também meditei por muitos anos e sei que há um desejo de que os pensamentos parem e isso atrapalha muito. Isso não é nosso objetivo aqui.
Querer que parem é um outro pensamento. Um pensamento querendo que os pensamentos parem.
Eles nunca vão parar, é a natureza deles, e não é você que está pensando.
Os pensamentos simplesmente passam e são escutados. Como um rádio ligado que não tem botão para desligar e nem para escolher a estação. Aceite.
Simplesmente ouça-os sem acreditar neles, e veja como se sente.
Boa noite para você também.
Re: Tópico para Gerwa
Riktam
consigo observar os meus pensamentos melhor quando medito ou me concentro especificamente nisso. no dia a dia, quando estou envolvido com outras tarefas, não é muito fácil a menos que sejam pensamentos mais perturbadores e mais carregados de energia que me façam tomar mais atenção
Quando observo os meus pensamentos sem ser arrastado vou entrando cada vez mais nos meus sentidos, uma sensação semelhante à meditação ( igual ? ), e sinto-me mais no momento presente, a viver a experiencia, menos perdido na minha mente.
Boa noite
consigo observar os meus pensamentos melhor quando medito ou me concentro especificamente nisso. no dia a dia, quando estou envolvido com outras tarefas, não é muito fácil a menos que sejam pensamentos mais perturbadores e mais carregados de energia que me façam tomar mais atenção
Quando observo os meus pensamentos sem ser arrastado vou entrando cada vez mais nos meus sentidos, uma sensação semelhante à meditação ( igual ? ), e sinto-me mais no momento presente, a viver a experiencia, menos perdido na minha mente.
Boa noite
Re: Tópico para Gerwa
Gerwa, boa noite.
É normal isso quando você se envolve com trabalho e outras tarefas. A vida segue em sua normalidade. Se algo se torna mas perturbador e isso o traz de volta à atenção isso é o que importa, pois vai evitar que entre em viagens de pensamento sofridas e desnecessárias. Continue questionando, principalmente as "histórias" que os pensamentos contam, nas quais quando estamos desatentos costumamos "embarcar."
Após estas últimas experiências com emoções, sentidos e pensamentos, você se sente mais apto a se concentrar nas experiências diretas, recorrendo menos a conceitos e análises?
Quer continuar praticando esses exercícios mais algum tempo, ou vamos adiante?
Abraços.
É normal isso quando você se envolve com trabalho e outras tarefas. A vida segue em sua normalidade. Se algo se torna mas perturbador e isso o traz de volta à atenção isso é o que importa, pois vai evitar que entre em viagens de pensamento sofridas e desnecessárias. Continue questionando, principalmente as "histórias" que os pensamentos contam, nas quais quando estamos desatentos costumamos "embarcar."
Após estas últimas experiências com emoções, sentidos e pensamentos, você se sente mais apto a se concentrar nas experiências diretas, recorrendo menos a conceitos e análises?
Quer continuar praticando esses exercícios mais algum tempo, ou vamos adiante?
Abraços.
Re: Tópico para Gerwa
Riktam
sim, já compreendi o valor da experiência directa. A simples análise e elaboração cognitiva funcionam muito bem num plano relativo, mas não muito mais que isso. Experimentar é mais profundo. Julgo que o conceito de «ver com honestidade» aqui do LU é muito semelhante ao conceito de vipashyana na tradição Mahamudra e outras. Penso que é um ponto importante e ao início não estava bem a perceber :)
sinto-me motivado para observar a experiência com o mínimo de conceptualização possível.
até logo
sim, já compreendi o valor da experiência directa. A simples análise e elaboração cognitiva funcionam muito bem num plano relativo, mas não muito mais que isso. Experimentar é mais profundo. Julgo que o conceito de «ver com honestidade» aqui do LU é muito semelhante ao conceito de vipashyana na tradição Mahamudra e outras. Penso que é um ponto importante e ao início não estava bem a perceber :)
sinto-me motivado para observar a experiência com o mínimo de conceptualização possível.
até logo
Re: Tópico para Gerwa
Gerwa, bom dia.
Vamos em frente...
Que sentimentos e pensamentos surgem se lhe for revelado que não há nenhum "você" (ou "tu"), nenhum "Gerwa", de forma alguma, nem nunca houve, tudo não passa de uma ilusão construída?
Responda quando sentir que está pronto, honestamente, a partir da experiência direta.
Abraços.
Vamos em frente...
Que sentimentos e pensamentos surgem se lhe for revelado que não há nenhum "você" (ou "tu"), nenhum "Gerwa", de forma alguma, nem nunca houve, tudo não passa de uma ilusão construída?
Responda quando sentir que está pronto, honestamente, a partir da experiência direta.
Abraços.
Re: Tópico para Gerwa
Riktam,
É um bocado estranho estar a escrever isto, mas não tenho pensamentos ou sentimentos especiais. Não noto nada de realce. Penso que aceito essa declaração sem resistência. continuo a questionar-me e a observar onde está este «eu», «quem é que está a pensar/sentir isto », a tentar perceber a identidade por trás das minhas experiencias.
Como posso ter a certeza que não estou a ser desonesto ?
Bem, talvez quando voltar a ter alguma reação que claramente me indique que estou a defender um «eu» ilusório. já há algum tempo que não tenho tido reações deste tipo.
Tenho por vezes alguns pensamentos e sentimentos que parecem implicar um «eu», como certos pensamentos mais pessimistas, mas assim que me apercebo tento perceber onde está o «eu» , perguntar de onde veio o pensamento ou a emoção, qual a sua natureza, se pertencem a alguém, tento sentir apenas a sua energia sem interferir. Desta forma, os pensamentos e as emoções mais perturbadoras, afinal, até me ajudam, uma vez que me proporcionam a oportunidade de observar melhor.
Boa noite
É um bocado estranho estar a escrever isto, mas não tenho pensamentos ou sentimentos especiais. Não noto nada de realce. Penso que aceito essa declaração sem resistência. continuo a questionar-me e a observar onde está este «eu», «quem é que está a pensar/sentir isto », a tentar perceber a identidade por trás das minhas experiencias.
Como posso ter a certeza que não estou a ser desonesto ?
Bem, talvez quando voltar a ter alguma reação que claramente me indique que estou a defender um «eu» ilusório. já há algum tempo que não tenho tido reações deste tipo.
Tenho por vezes alguns pensamentos e sentimentos que parecem implicar um «eu», como certos pensamentos mais pessimistas, mas assim que me apercebo tento perceber onde está o «eu» , perguntar de onde veio o pensamento ou a emoção, qual a sua natureza, se pertencem a alguém, tento sentir apenas a sua energia sem interferir. Desta forma, os pensamentos e as emoções mais perturbadoras, afinal, até me ajudam, uma vez que me proporcionam a oportunidade de observar melhor.
Boa noite
Re: Tópico para Gerwa
Olá Gerwa,
Bom, tudo que for proposto aqui é para ser investigado através da "experiência direta" que estivemos praticando, então a partir de agora não preciso voltar a ressaltar, você já entendeu.
Vamos abordar um novo ponto: as escolhas.
Durante o próximo dia, observe de onde provém as escolhas que faz.
1) Por exemplo, peça para alguém espalhar alguns objetos sobre uma mesa sem que você estaja vendo e depois entre no ambiente, vá até a mesa e escolha um dos objetos para pegar.
2) Quando for servir-se na refeição, observe o que faz você escolher a comida e a quantidade de cada uma que coloca em seu prato.
3) Quando entra em um ambiente, o que faz você direcionar sua atenção para um determinado ponto, antes mesmo de ter olhado o que há naquela direção?
Veja se consegue identificar quais foram os exato momentos em que as escolhas se deram. Descreva como as escolhas acontecem. Existe honestamente um "eu" que escolhe?
Que esclarecimento ou surpresa essas experiências lhe trazem?
Até amanhã.
Essas reações podem acontecer mais cedo ou mais tarde sem que isso represente um retrocesso. São apenas parte da experiência. Não há aquele que reage ou que defenda o que quer que seja. Então simplesmente continue observando e registrando.Como posso ter a certeza que não estou a ser desonesto ?
Bem, talvez quando voltar a ter alguma reação que claramente me indique que estou a defender um «eu» ilusório. já há algum tempo que não tenho tido reações deste tipo.
É uma boa postura. Perceba também que todo pessimismo como também todo sofrimento provêm de uma idéia de como as coisas deveriam (ou não deveriam) ser. Essas idéias sempre estão atreladas à idéia de um "eu".Tenho por vezes alguns pensamentos e sentimentos que parecem implicar um «eu», como certos pensamentos mais pessimistas, mas assim que me apercebo tento perceber onde está o «eu» , perguntar de onde veio o pensamento ou a emoção, qual a sua natureza, se pertencem a alguém, tento sentir apenas a sua energia sem interferir. Desta forma, os pensamentos e as emoções mais perturbadoras, afinal, até me ajudam, uma vez que me proporcionam a oportunidade de observar melhor.
É bom que a idéia não desperte medo, insegurança ou dúvida em você. Isso indica que podemos ir em frente.É um bocado estranho estar a escrever isto, mas não tenho pensamentos ou sentimentos especiais. Não noto nada de realce. Penso que aceito essa declaração sem resistência. continuo a questionar-me e a observar onde está este «eu», «quem é que está a pensar/sentir isto », a tentar perceber a identidade por trás das minhas experiencias.
Bom, tudo que for proposto aqui é para ser investigado através da "experiência direta" que estivemos praticando, então a partir de agora não preciso voltar a ressaltar, você já entendeu.
Vamos abordar um novo ponto: as escolhas.
Durante o próximo dia, observe de onde provém as escolhas que faz.
1) Por exemplo, peça para alguém espalhar alguns objetos sobre uma mesa sem que você estaja vendo e depois entre no ambiente, vá até a mesa e escolha um dos objetos para pegar.
2) Quando for servir-se na refeição, observe o que faz você escolher a comida e a quantidade de cada uma que coloca em seu prato.
3) Quando entra em um ambiente, o que faz você direcionar sua atenção para um determinado ponto, antes mesmo de ter olhado o que há naquela direção?
Veja se consegue identificar quais foram os exato momentos em que as escolhas se deram. Descreva como as escolhas acontecem. Existe honestamente um "eu" que escolhe?
Que esclarecimento ou surpresa essas experiências lhe trazem?
Até amanhã.
Re: Tópico para Gerwa
Riktam,
Prefiro aguardar mais um tempo para obter uma resposta mais clara.
Contudo, uma decisão é tão simplesmente um pensamento com o qual nos identificámos.
Boa noite
Prefiro aguardar mais um tempo para obter uma resposta mais clara.
Contudo, uma decisão é tão simplesmente um pensamento com o qual nos identificámos.
Boa noite
Re: Tópico para Gerwa
Gerwa,
Investigue um pouco mais, com base na experiência direta, esta sua afirmação:
Experimente várias vezes.
Responda quando estiver seguro da resposta.
Boa noite.
Investigue um pouco mais, com base na experiência direta, esta sua afirmação:
Veja se esse pensamento realmente ocorre, e se ocorre, ele vem antes da decisão ou depois dela (para justificá-la)?uma decisão é tão simplesmente um pensamento com o qual nos identificámos.
Experimente várias vezes.
Responda quando estiver seguro da resposta.
Boa noite.
Re: Tópico para Gerwa
Riktam,
Eu diria que a maior parte das decisões que deu como exemplo, como quando entro numa sala e fixo um determinado ponto, são demasiado rápidas e a um nível pouco consciente. Aqui o pensamento geralmente surge mais tarde como justificação.
Contudo, aquelas decisões em que pondero por que são mais importantes, aí sim existem pensamentos e emoções e eu identifico-me com alguns para me ajudarem a tomar essa decisão.
Eu diria que a maior parte das decisões que deu como exemplo, como quando entro numa sala e fixo um determinado ponto, são demasiado rápidas e a um nível pouco consciente. Aqui o pensamento geralmente surge mais tarde como justificação.
Contudo, aquelas decisões em que pondero por que são mais importantes, aí sim existem pensamentos e emoções e eu identifico-me com alguns para me ajudarem a tomar essa decisão.
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