Viva Sandra,
Obrigada pela tua resposta e pela tua honestidade. É bom saber o que pensas sobre isto.
Eu que agradeço por sua paciência!
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Já agora, o que é que sentes sobre o assunto? Quando pensas nisto surgem algumas emoções? Algum receio?
Acho que não; talvez um pouco de ansiedade.
Acho que deves estar a sentir resistência quando respondes às minhas perguntas, mas gostava de saber o que é que está por trás dessa resistência. É a tua forma de pensar? É algum receio?
Não é resistência, pois acho que no geral estamos de acordo; apenas queria esclarecer as coisas.
>>Tenta reparar no que é que sentes quando ponderas a existência (ou inexistência) de um eu. Por vezes há medo por detrás da resistência. E o medo, se não for encarado, bloqueia esta exploração.
A menos que esteja inconscientemente me autossabotando, enganando, não vejo por que ter medo.
Para mim o ego não é o eu. É um dos conceitos que sustem a ilusão do eu, mas não é nem prova a existência de um eu real.
Também acho que o ego não é o Eu. O ego é o eu empírico, esse feixe de percepções, sensações e ideias que dá a ilusão de ser uma substância separada. O Eu não é empírico, é transcendental. É o Self, a autoconsciência que se apercebe percebendo tudo o que acontece.
Quando eu vejo que o eu não existe aqui e agora, não penso no ego. Se olhar para o que está aqui vejo que um eu não existe.
Você vê que o ego é uma ilusão, que se desmancha no ar; mas quem possibilita que você veja isso? É o Eu transcendental, o Self.
Eu diria que não é quem, é mais o quê, embora não seja uma coisa. E o que é sabe de si mesmo. Sabes que o que és é, suponho? Para mim é bastante claro que sou. Se me perguntares o quê a minha resposta é não sei e não acho que seja fundamental saber. É simplesmente e obviamente. E o é é claramente sentido.
Você acha que essa consciência aperceptiva não é um eu porque não é empírica, egoica, individual, fenomênica etc. Para mim, por ser autoconsciente, trata-se sim de um eu, justamente de um Eu transcendental, o Self. Mas isso é mais uma questão de terminologia.
Estás a focar-te no geral e em algo que aprendeste que existe. Imaginemos que um extraterrestre descobre o nosso planeta e começa a observar o que nele existe. Imaginemos que esse extraterrestre começa a descrever o que vê. Tenho 100% de certeza de que nem o ego nem o eu fariam parte do que seria descrito, porque são conceitos e não fatos.
Eu acho que o extraterrestre diria que os humanos pensam, sentem e agem como se fossem eus separados, e que por isso há tanto conflito, destruição da natureza etc. Se não partilhar da mesma ilusão, o extraterrestre dirá ainda que se trata provavelmente de uma ilusão coletiva.
A ilusão egoica é, enquanto tal, isto é, ilusão, um fato como qualquer outro.
Acho que esclarecemos a nossa suposta divergência, Sandra.
Desde o início aceitei que o ego provavelmente é uma ilusão; só não acho que comparar essa ilusão com coisas espçotemporais ajude muito.
E quanto à autoconsciência, a testemunha, concordamos que não é empírica, egoica, nem pessoal, individual; só que eu a chamo de Eu transcendental, Self etc., enquanto você não a nomeia.
Agora vem o que realmente importa para mim: VER, dar-me conta, por mim mesmo, em primeira mão, da inexistência, da ilusoriedade do ego.
Já tive alguns lampejos disso, mas foram só lampejos.
Abraço,
dognaldo