Dear Guide, can you awake ´me´?

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Canfora
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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby Canfora » Sat Aug 03, 2013 3:05 pm

Geralmente acção acontece primeiro depois o pensamento vem a seguir a contar um história sobre a acção.

Mas não é assim tão simples, às vezes, numa decisão complexa consideras os prós e contras no
pensamento e depois decides.
Aqui há um sentimento muito forte de um decisor, a encarnar o personagem de "alguém que toma boas decisões".
Hum...
Na minha experiência não é "geralmente", é sempre :)
As acções acontecem e depois segue-se um pensamento que diz "eu fiz isto". E depois aparecem os irmãozinhos pensamentos que se divertem com conversas do tipo "fiz bem, sim sra. porque isto e porque aquilo" ou o inverso "porque é que eu fiz isto, nunca mais aprendo".

Sim, os pensamentos parecem fazer isto: "numa decisão complexa consideras os prós e contras no
pensamento e depois decides."

Mas será que tem de existir um decisor por trás destas decisões complexas? Um ser dentro do nosso corpo que controla a vida?

O sentimento de que há um decisor é forte... mas um sentimento é um sentimento, os sentimentos não pensam.

Se reparares os pensamentos também não pensam. São objectos que aparecem na consciência (do mesmo modo que as sensações e as emoções).

Se os pensamentos não pensam, será que podem decidir o que quer que seja :) ?
O andar acontece automaticamente, não há um ´eu´ a dizer: "perna prá frente, braços pra trás etc"
As decisões de virar tb são espontâneas a não ser que sejam precedidas de uma tomada de decisão complexa
que envolva muito pensamento.
O que é " uma tomada de decisão complexa que envolva muito pensamento" na tua experiência directa?
Não são só pensamentos a acontecer uns atrás dos outros?
Isto "uma tomada de decisão complexa que envolva muito pensamento" é algo que é real, qua acontece na tua experiência ou são pensamentos sobre aquilo que pensas que acontece?
Depende, às vezes penso " vou me levantar pois já estou farto de estar na cama" e levanto-me.

Outras vezes é espontâneo, levanto-me sem ter um pensamento prévio.
Estás a responder sem experimentares primeiro! Experimenta e vê se são realmente os pensamentos que te fazem tomar a decisão de sair da cama.
Aqui sinto que há um decisor, nas raras vezes em que como junk food, iria escolher hamburger ao invés de pizza porque a repartição de macronutrientes é a mais adequada ao tipo de alimentação que faço. (sou entusiasta do fitness e nutrição)
Não sentes, pensas. Uma vez mais os sentimentos não pensam, nem os pensamentos :) Não acredites em mim, vê lá na tua realidade se isto é verdadeiro ou não.
Se não existes como um eu separado, é possível que esse entusiamo que tens em relação ao fitness e à nutrição aconteça de uma forma expontânea através da personagem Marco?
Seres como és é algo que tu escolheste?
Ou tudo é vida, inclusivé tu?
És um ser único, mas isso torna-te separado de tudo o que existe?
Estranhamente, ao estar aqui a escrever não sinto o decisor. O escrever acontece.
Quando começamos a olhar com olhos de ver para a nossa experiência reparamos que na vida tudo é um verbo, tudo acontece sem ser a alguém: escrever acontece, ver acontece, pensar acontece, sem ser a alguém. A vida não é pessoal, não acontece a uma pessoa... O que é espantoso!
A maioria dos pensamentos é só meaningless lenga lenga.
Verdade.
Não, a realidade é a realidade mas os pensamentos sobre a realidade são apenas uma história.

Se bem que há pensamentos mais verdadeiros que outros:

Por exemplo, o pensamento " a terra é plana" é menos verdadeiro do que " a terra é redonda".
Há pensamentos sobre coisas que podemos experienciar: mão, computador, écran , rato e há pensamentos sobre coisas que não podemos experienciar: Pai Natal, Batman, Bicho Papão.

Os pensamentos sobre o eu incluem-se naqueles que não podemos experienciar. Se pensarmos “estou a escrever” não podemos experienciar o eu que escreve, experienciamos a ação de escrever.
Não, não encontro nenhum ´eu´, o olhar apenas acontece.

A conclusão que chego é que só encontro um eu quando tenho de tomar uma decisão complexa e considerar
multiplas variáveis e imaginar vários cenários possíveis.
A leitura que eu faço disto é que aparecem imensos pensamentos na tua experiência e tu acreditas que és tu que os fazes, que são teus.
E se os pensamentos forem como as nuvens do céu? Por vezes aparecem muitos, por vezes menos e, às vezes, há tempestades de pensamentos.

Consegues ver um eu a fazer os pensamentos?

Tens controle sobre os pensamentos?

Se eu disser não penses na águia do Benfica, o que é que acontece?

Os pensamentos pensam?


Abraço, Sandra

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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby alguidar » Sat Aug 03, 2013 5:44 pm

Consegues ver um eu a fazer os pensamentos?


Os pensamentos acontecem, mas nalgumas situações tenho a sensação que são meus, da entidade separada marco.
Desconfio que esta sensação é uma ilusão, por isso estou a pedir a tua ajuda.

Tens controle sobre os pensamentos?

Sobre a maioria deles não, mas tenho a sensação que controlo alguns pensamentos.
Novamente desconfio que esta sensação de controlo pode ser uma farsa.

Se eu disser não penses na águia do Benfica, o que é que acontece?

Penso na águia do benfica, ao ler as palavras penso logo nela.

Os pensamentos pensam?
Não, os pensamentos apenas ocorrem na consciência.
Podem é acontecer pensamentos sobre pensamentos.


Parece-me que tou stuck porque sinto no corpo, nas tripas e no coração que tenho poder de escolha
nas decisões complexas.
(não estou a falar de mero pensamento "fui eu que escolhi bla bla bla")

Na tua opinião há alguma forma de ultrapassar isto?

obrigado
marco

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Canfora
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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby Canfora » Sat Aug 03, 2013 7:27 pm

Os pensamentos acontecem, mas nalgumas situações tenho a sensação que são meus, da entidade separada marco. Desconfio que esta sensação é uma ilusão, por isso estou a pedir a tua ajuda.
Marco, és tu quem tem de experimentar, quem tem de olhar. Não consigo transferir a minha certeza para ti, por muito que tente :)
Eu posso dizer-te que sim, é uma ilusão, mas o que eu digo não vai mudar nada em ti.
Um guia ajuda sem ensinar, com perguntas e com propostas de exercícios. Pede para veres na tua experiência directa se consegues encontrar um eu.

Há um artigo sobre o que é a experiência directa aqui, lê por favor, pode ser que ajude:
http://www.liberationunleashed.com/Arti ... ience.html
Penso na águia do benfica, ao ler as palavras penso logo nela.
E consegues ver um pensador a pensar o pensamento ou o pensamento acontece simplesmente?

Houve alguém dentro de ti que escolheu esse pensamento entre todos os outros pensamentos possíveis?
Não, os pensamentos apenas ocorrem na consciência.
Podem é acontecer pensamentos sobre pensamentos.
Sim, os pensamentos são objectos. Podemos experienciá-los.
Parece-me que tou stuck porque sinto no corpo, nas tripas e no coração que tenho poder de escolha
nas decisões complexas.
(não estou a falar de mero pensamento "fui eu que escolhi bla bla bla")

Na tua opinião há alguma forma de ultrapassar isto?
Dá-me um ou dois exemplos concretos Marco e depois olhamos os dois para eles :)

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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby alguidar » Sun Aug 04, 2013 9:18 am

Há um artigo sobre o que é a experiência directa aqui, lê por favor, pode ser que ajude:
http://www.liberationunleashed.com/Arti ... ience.html
Já li.
Penso na águia do benfica, ao ler as palavras penso logo nela.
E consegues ver um pensador a pensar o pensamento ou o pensamento acontece simplesmente?

Houve alguém dentro de ti que escolheu esse pensamento entre todos os outros pensamentos possíveis?
Good insight, nunca tinha percebido isto.
Parece-me que tou stuck porque sinto no corpo, nas tripas e no coração que tenho poder de escolha
nas decisões complexas.
(não estou a falar de mero pensamento "fui eu que escolhi bla bla bla")

Na tua opinião há alguma forma de ultrapassar isto?
Dá-me um ou dois exemplos concretos Marco e depois olhamos os dois para eles :)
[/quote]

Vamos a um exemplo onde eu sinto mesmo que há um decisor com livre arbítrio a tomar decisões racionais:

Decisão a tomar: Vender ou não vender um lote de acções da EDP que valorizou 10%.

Prós se vender: se vender agora realizo um lucro porreiro.
Contras se vender: as acções tem potencial para para valorizar mais 40% e se vender agora abdico de
realizar ganhos adicionais.

Considerando os prós e contras tomei a seguinte decisão:

Não vender e seguir este plano:

Se as acções descerem 5% vendo-as imediatamente mas se continuarem a subir vou apenas vender se a cotação descer em 3 dias consecutivos.

Pronto, é neste tipo de situações q sinto que sou eu a escolher os pensamentos e a tomar decisões.

marco

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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby Canfora » Sun Aug 04, 2013 10:25 am

Decisão a tomar: Vender ou não vender um lote de acções da EDP que valorizou 10%.

Prós se vender: se vender agora realizo um lucro porreiro.
Contras se vender: as acções tem potencial para para valorizar mais 40% e se vender agora abdico de
realizar ganhos adicionais.

Considerando os prós e contras tomei a seguinte decisão:

Não vender e seguir este plano:

Se as acções descerem 5% vendo-as imediatamente mas se continuarem a subir vou apenas vender se a cotação descer em 3 dias consecutivos.

Pronto, é neste tipo de situações q sinto que sou eu a escolher os pensamentos e a tomar decisões.
Sentes que há um eu. Mas Marco as sensações não podem sentir que há um eu! Só os pensamentos é que podem ser sobre um eu... Observa as sensações... elas realmente sentem que há um eu? As sensações pensam?
se vender
realizo um lucro porreiro
tomei a seguinte decisão
sinto que sou eu
Os pensamentos podem parecer elaborados e analíticos e aparentemente tomamos decisões com eles que nos podem levar a ganhar ou perder dinheiro. De qualquer modo não passam de pensamentos.

O que me parece é que tu pensas que és um eu porque tens poder de escolha. Mas será que tens? Ou decisões que te favorecem podem acontecer sem um decisor, sem estarem separadas do fluxo da vida, do que é, aqui e agora?

Podes verificar se há alguém que escolhe praticamente com tudo. Para isso tens que olhar para o momento da escolha e ver se há um Marco a escolher ou se a escolha simplesmente acontece.

Há uma escolha entre vender ou não vender, observa como se processa a tomada da decisão.
Consegues ver o momento em que a decisão final acontece?
Há alguém por trás dessa decisão, a decidir, ou a decisão acontece simplesmente?

Se tiveres que escolher entre café, chá ou sumo de laranja, observa como se processa a tomada da decisão.
Consegues ver o momento em que a decisão final acontece?
Há alguém por trás dessa decisão, a decidir, ou a decisão acontece simplesmente?

Se tiveres de escolher entre ir à praia ou ir ao cinema, observa como se processa a tomada da decisão.
Consegues ver o momento em que a decisão final acontece?
Há alguém por trás dessa decisão, a decidir, ou a decisão acontece simplesmente?

Sandra

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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby alguidar » Sun Aug 04, 2013 10:25 pm

Olá Sandra, obrigado pela resposta!
Temos de manter isto curto senão a dispersão torna-se na confusão.
Sentes que há um eu. Mas Marco as sensações não podem sentir que há um eu! Só os pensamentos é que podem ser
sobre um eu... Observa as sensações... elas realmente sentem que há um eu? As sensações pensam?
Ok, se calhar há aqui algo importante a explorar:

Na tua experiência subjectiva existe algum sentimento de individualidade? De este ser o teu corpo? De esta ser a tua decisão?

Eu tenho um sentimento de individualidade, mas ao mesmo tempo sei que não sou o meu corpo e sei que não sou os meus pensamentos.

Este sentimento de individualidade está de alguma forma ligado com o 3) an unmistakable sense of Aliveness descrito em http://liberationunleashed.com/Article_ ... ience.html

Ajuda-me a perceber isto.

Desculpa ignorar o restante do teu post mas eu só me consigo focar numa coisa de cada vez.
O multitasking nos homens é um granda fail. lol

thanks

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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby Canfora » Mon Aug 05, 2013 9:47 am

Desculpa ignorar o restante do teu post mas eu só me consigo focar numa coisa de cada vez.
O multitasking nos homens é um granda fail. lol
lol
Sim, tens toda a razão, vamos manter-nos numa coisa de cada vez. Eu tenho a tendência para dispersar a atenção.
Este sentimento de individualidade está de alguma forma ligado com o 3) an unmistakable sense of Aliveness descrito em http://liberationunleashed.com/Article_ ... ience.html

Ajuda-me a perceber isto.
Vamos tentar um truque ;)

Imagina que te esqueces completamente de como é que se pensa em português - um ataque súbito de amenésia.
Ou que tens de pensar numa língua que desconheces completamente - chinês, por exemplo.

Aqui estás tu sentado à frente do computador, sem conseguir pensar para descrever a tua experiência directa com palavras (o que implica basicamente estar simplesmente a viver a experiência...).

Se olhares para a experiência - aqui e agora - o que é que está presente?

Fica o tempo que te for possível a tentar experienciar o que é real neste momento!

Lembra-te que não podes pensar na experiência - porque ficaste com amenésia / só podes pensar em chinês (!).

Sem palavras, sem pensamentos a rotular a experiência, o que é que está presente?

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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby alguidar » Mon Aug 05, 2013 9:42 pm

Vamos tentar um truque ;)

Imagina que te esqueces completamente de como é que se pensa em português - um ataque súbito de amenésia.
Ou que tens de pensar numa língua que desconheces completamente - chinês, por exemplo.

Aqui estás tu sentado à frente do computador, sem conseguir pensar para descrever a tua experiência directa com palavras (o que implica basicamente estar simplesmente a viver a experiência...).

Se olhares para a experiência - aqui e agora - o que é que está presente?


Lembra-te que não podes pensar na experiência - porque ficaste com amnésia / só podes pensar em chinês (!).

Sem palavras, sem pensamentos a rotular a experiência, o que é que está presente?

O que está presente? O meu corpo, sensações tacteis, sons de pássaros e alguns random thoughts q vão aparecendo.
Mas isto são apenas palavras que apontam para o que está a acontecer.
A experiência é intransmissível.

(isto tem alguma coisa a ver com a tal história do unmistakable sense of aliveness?)

marco

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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby Canfora » Tue Aug 06, 2013 10:48 am

(isto tem alguma coisa a ver com a tal história do unmistakable sense of aliveness?)
Marco, a única maneira de saberes se és ou não um eu separado é olhando para a realidade.
Para aquilo que é percepcionável através da experiência.
Experienciares o que está aqui, agora e veres se o eu é real.
E para isso não é preciso pensar, é preciso estar, simplesmente.
O que está presente? O meu corpo, sensações tacteis, sons de pássaros e alguns random thoughts q vão aparecendo.
Mas isto são apenas palavras que apontam para o que está a acontecer.
A experiência é intransmissível.
Exatamente, as palavras, os pensamentos podem ser sobre o que está a acontecer aqui e agora, mas não são o que é real aqui e agora.

Não têm o poder de criar algo, fazer algo acontecer e muitas vezes quando nos perdemos em pensamentos deixamos de ver o aqui e agora, perdemo-nos numa história sobre o que já aconteceu ou sobre o que pensamos que vai acontecer.

Pela tua descrição do que está presente viste o corpo, sensações, sons e pensamentos.

E não sentiste o estar vivo, o estar presente? Isso é o unmistakable sense of aliveness.

É a simples sensação de existir, de ser, de estar vivo :)

Consegues sentir essa sensação sempre que quiseres, basta "olhar" para ela. Não é preciso pensar para sentir que se está vivo.
Mas isto são apenas palavras que apontam para o que está a acontecer.
A linguagem é construída de uma maneira que implica a existência de um eu.

Tu dizes, "O meu corpo", mas é o teu corpo ou é o corpo? O eu é o corpo?

Quando te pões a olhar para a tua experiência, como fizes-te aqui:
O que está presente? O meu corpo, sensações tacteis, sons de pássaros e alguns random thoughts q vão aparecendo.
Consegues encontrar um Marco separado da vida - a olhar para a vida - ou apenas corpo, sensações, sons, pensamentos?

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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby alguidar » Tue Aug 06, 2013 4:55 pm

Não têm o poder de criar algo, fazer algo acontecer e muitas vezes quando nos perdemos em pensamentos deixamos de ver o aqui e agora, perdemo-nos numa história sobre o que já aconteceu ou sobre o que pensamos que vai acontecer.
Quem é este que se perde nos pensamentos?
E não sentiste o estar vivo, o estar presente? Isso é o unmistakable sense of aliveness.
Acho que sim, tenho a sensação de estar vivo.

Tu dizes, "O meu corpo", mas é o teu corpo ou é o corpo? O eu é o corpo?
Se disser "o meu corpo" estou a dizer que o corpo pertence ao "marco", entidade separada com poder de decisão.

Mas como o "marco" é apenas fruto da imaginação da mente é mais correcto dizer "o corpo".
Quando te pões a olhar para a tua experiência, como fizeste aqui:
O que está presente? O meu corpo, sensações tacteis, sons de pássaros e alguns random thoughts q vão aparecendo.
Consegues encontrar um Marco separado da vida - a olhar para a vida - ou apenas corpo, sensações, sons, pensamentos?
[/quote]

Não, não consigo. Esse marco separado só existe no pensamento.


Ao mesmo tempo tenho um sentimento de individualidade, sinto que o corpo é um bem precisoso e faço coisas para o manter saudável.

Como é contigo? Sentes que o corpo é teu? Como é na tua experiência subjectiva?

obrigado pela pachorra
marco

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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby Canfora » Tue Aug 06, 2013 5:31 pm

Quem é este que se perde nos pensamentos?
Bem apanhado :)
Como vês também me perco na história...
Ninguém se perde nos pensamentos. Os pensamentos são só objectos que se experimentam no momento, não há ninguém para se perder neles.
Acho que sim, tenho a sensação de estar vivo.
Então essa sensação é o unmistakable sense of aliveness.
Mas como o "marco" é apenas fruto da imaginação da mente é mais correcto dizer "o corpo".
Perfeito (embora "fruto da imaginação da mente" seja uma história sobre um marco que não existe. Falar disto é sempre tortuoso).
Não, não consigo. Esse marco separado só existe no pensamento.
Pois, eu também não encontro uma Sandra por muito que olhe :)
Ao mesmo tempo tenho um sentimento de individualidade, sinto que o corpo é um bem precisoso e faço coisas para o manter saudável.
A tua personagem Marco é assim. Não há nenhum mal nisso, pelo contrário. A vida acontece através de um corpo/mente chamado Marco que tem características únicas, próprias. Pensas que és único e és. Mas és um eu separado da vida ou és a vida a acontecer, tal como eu, um cão, uma sardinha, uma árvore, uma nuvem?

Consegues encontrar um eu separado sem ser nos pensamentos?

Quando não te pões a pensar consegues ver alguma separação? O tal sentimento de individualidade mantêm-se?

És o Marco ou só existe a experiência imediata dos pensamentos, sensações e emoções, de tudo o que aparece?

Como é contigo? Sentes que o corpo é teu? Como é na tua experiência subjectiva?

Quando entro em "modo experiencia" posso ver que o corpo é uma espécie de objecto que está aqui.

Só consigo ver e sentir o corpo por partes - é como se o corpo não existisse como um bloco, na sua totalidade.

Neste momento, na minha experiência, "corpo" é o ver as mãos, sentir os dedos a mexerem-se, sensação nas costas - a que eu chamo desconforto -, sensação de pressão na cadeira, algo a que chamo pés a mexer.

Não há um corpo, há pensamentos sobre o corpo e sensações que surgem e que eu "penso" que vêm do corpo, mas que são só sensações.

Vê lá tu também Marco:

As sensações são sentidas pelo corpo? Onde é que aparecem as sensações?

Abraço, Sandra

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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby alguidar » Wed Aug 07, 2013 10:43 am

Hey Sandra, bom dia.
Ao mesmo tempo tenho um sentimento de individualidade, sinto que o corpo é um bem precisoso e faço coisas para o manter saudável.
A tua personagem Marco é assim. Não há nenhum mal nisso, pelo contrário. A vida acontece através de um corpo/mente chamado Marco que tem características únicas, próprias. Pensas que és único e és. Mas és um eu separado da vida ou és a vida a acontecer, tal como eu, um cão, uma sardinha, uma árvore, uma nuvem?

Consegues encontrar um eu separado sem ser nos pensamentos?
Sou a vida a acontecer mas com a complexidade do nosso cérebro e do pesamento há um personagem que é inventado e que parece que é o dono da experiência.

Não, não consigo encontrar um eu fora do pensamento.
Quando não te pões a pensar consegues ver alguma separação? O tal sentimento de individualidade mantêm-se?


Vejo uma separação entre o meu corpo/mente e outros objectos na realidade física incluindo outros corpo/mente.
Tenho uma espécie de feeling que este corpo/mente é único e individual e de que algum modo me pertence.
Por exemplo, se te cortares num dedo a descascar uma cebola eu não sinto nada, isto leva-me a crer que o meu corpo/mente é sepadado do teu.


És o Marco ou só existe a experiência imediata dos pensamentos, sensações e emoções, de tudo o que aparece?
Não sou o marco, o marco é um filme que a mente faz que claims as experiências como dele.
Na realidade só existem as experiências.
As sensações são sentidas pelo corpo? Onde é que aparecem as sensações?
Sim, as sensações são sentidas pelo corpo.
Por exemplo, às vezes a sensação de fome aparece e é sentida no corpo.

As sensações aparecem apenas se estivres consciente.
Ou seja, se tiveres anestesiada, não vais sentir fome, dor, ansiedade etc. É como se não existisses.


marco

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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby Canfora » Wed Aug 07, 2013 3:14 pm

Viva, Marco!
Sou a vida a acontecer mas com a complexidade do nosso cérebro e do pesamento há um personagem que é inventado e que parece que é o dono da experiência.

Não, não consigo encontrar um eu fora do pensamento.
Boa!
Vejo uma separação entre o meu corpo/mente e outros objectos na realidade física incluindo outros corpo/mente.
Tenho uma espécie de feeling que este corpo/mente é único e individual e de que algum modo me pertence.
Por exemplo, se te cortares num dedo a descascar uma cebola eu não sinto nada, isto leva-me a crer que o meu corpo/mente é sepadado do teu.
Bora lá olhar para isto...
Vejo uma separação entre o meu corpo/mente e outros objectos na realidade física incluindo outros corpo/mente.
Então não estás a olhar, Marco, estás a pensar!

Quando olhas simplesmente, há uma experiência de separação entre o que quer que seja?

Existem limites entre ti e o que vês?


Se só olhares, sem pensar, não é um bocado como estar a olhar para um écran de televisão onde tudo é plano, apesar de nós interpretarmos o que vemos como sendo em 3D?

Olha à tua volta. Sem pensamento há separação?

Há "eu" e o "computador para o qual olho"? Há "eu" e os "sons que ouço"? Há "eu" e os "objetos em que toco"?

Ou a experiência é uma espécie de todo, onde o que é real é olhar, ouvir, tocar?

E nessa experiência podes encontrar um Marco separado? Ou só há experiência?
Tenho uma espécie de feeling que este corpo/mente é único e individual
O corpo é real. E é único e individual. Perfeitamente de acordo.
e de que algum modo me pertence
OK - é através desse corpo que fazes o que se faz com um corpo.

Mas há um "eu" dentro do teu corpo a quem o corpo pertence?

Ou o corpo é só um corpo, como o corpo de uma formiga ou de um panda, por exemplo?
Por exemplo, se te cortares num dedo a descascar uma cebola eu não sinto nada, isto leva-me a crer que o meu corpo/mente é sepadado do teu.
Sim, os nossos corpos são objectos separados.

Mas se cortares um dedo é o corpo que sente a dor?

Ou seja, as sensações sentem-se no corpo?

O corpo tem capacidade de experimentar o que quer que seja?

O corpo sente ou é só um objeto que percepcionamos?

As sensações acontecem no corpo ou são igualmente objectos que percepcionamos?

não sou o marco, o marco é um filme que a mente faz que claims as experiências como dele.
Na realidade só existem as experiências.
Sim :)
Sim, as sensações são sentidas pelo corpo.
Por exemplo, às vezes a sensação de fome aparece e é sentida no corpo.

As sensações aparecem apenas se estivres consciente.
Ou seja, se tiveres anestesiada, não vais sentir fome, dor, ansiedade etc. É como se não existisses.
Sim, as sensações aparecem quando estamos conscientes.

Se não estivermos conscientes não há pensamentos, sensações, emoções.

E para se estar consciente é necessário um "eu" ou o estar consciente acontece simplesmente?

Se eu estiver novamente a apressar o passo avisa, por favor. Acredita que é uma questão de entusiasmo, não tenho intenção de acelerar o teu ritmo.
Não há pressa nenhuma e tu estás a ir muito bem :)

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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby alguidar » Thu Aug 08, 2013 12:16 pm

Hello Sandra!
Existem limites entre ti e o que vês?
Podemos explorar isto?
Não compreendo a questão.
Olha à tua volta. Sem pensamento há separação?

Há "eu" e o "computador para o qual olho"? Há "eu" e os "sons que ouço"? Há "eu" e os "objetos em que toco"?

Ou a experiência é uma espécie de todo, onde o que é real é olhar, ouvir, tocar?
O que estás a tentar dizer é que a relação sujeito objecto é uma ilusão?
O modo como funciono assenta nesse princípio:
Quando ouço um som eu sou aquele que ouve e o som é aquilo que é ouvido.
Mesmo sem pensar " agora ouvi um pássaro" sinto a relação sujeito/objecto como uma coisa muito real.

Há algum teste/exercício para deixar cair essa ilusão?
Mas há um "eu" dentro do teu corpo a quem o corpo pertence?
Há um "eu" que eu já reparei que é só um pensamento como outro qualquer. Just a story.
Mas é um apenas um entendimento intelectual, a minha experiência ainda tem como base a relação sujeito/objecto.
Ou o corpo é só um corpo, como o corpo de uma formiga ou de um panda, por exemplo?
É só um corpo, mas a minha mente complica a situação criando um eu, um ego e uma imagem a defender e bla bla bla. lol

Abraço
Marco

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Re: Dear Guide, can you awake ´me´?

Postby Canfora » Thu Aug 08, 2013 3:30 pm

Olá, Marco.

Como já deves saber, este processo funciona da seguinte maneira: o guia pergunta-te "vês um eu aqui?" e o que o guia pretende é que tu olhes para a tua experiência e vejas se vês o eu.

Mesmo se não vires o eu é possível que continues a ter pensamentos deste tipo:
minha mente complica a situação criando um eu, um ego e uma imagem a defender e bla bla bla.
O que tens de fazer é olhar para estes pensamentos sobre o eu e ver se a mente tem o poder de criar um eu que é real.

Seguem-se algumas perguntas sobre o que disses-te - procura ver a resposta na tua experiência:

- se os pensamentos não pensam, como é que criam um eu?

- o que é o eu/ego?

- se não há um eu o que é que defende uma imagem?


O que estás a tentar dizer é que a relação sujeito objecto é uma ilusão?
O modo como funciono assenta nesse princípio:
Quando ouço um som eu sou aquele que ouve e o som é aquilo que é ouvido.
O modo como funcionas ou a forma como estás habituado a pensar nisto?

Sim, na minha experiência directa a relação sujeito objecto é uma ilusão. Não consigo encontrar um sujeito e um objecto, nem separação entre o que ouve e o que é ouvido. Não há um aqui e um ali, nem um dentro e um fora ou um eu e aquilo.

A única maneira que tens de verificar isto é olhando para a realidade - para o que está sempre aqui e agora (o pensamento diz-nos que tudo são objectos separados que podem ser experimentados por um eu separado).
Mesmo sem pensar " agora ouvi um pássaro" sinto a relação sujeito/objecto como uma coisa muito real.
Só é real nos teus pensamentos. Se experimentares vês que é uma ilusão.

Experimenta, por exemplo, por uma mão no ar e olhar para ela.

Se só olhares, sem te pores a pensar no assunto, consegues ver alguma separação ou limites que indiquem que a mão é um objecto separado do que quer que seja?
(e a única maneira de saberes que aquilo para que estás a olhar é uma mão é pensando nisso!)

O som de um pássaro acontece. Se estiveres simplesmente presente - a olhar entre pensamentos - há alguma separação entre o som e o ouvir?

E já agora conseguiste encontrar um eu separado a olhar para a mão e a ouvir o som?

Descreve ambas as experiências o melhor que conseguires :)

Abraços, Sandra


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