Hum...Geralmente acção acontece primeiro depois o pensamento vem a seguir a contar um história sobre a acção.
Mas não é assim tão simples, às vezes, numa decisão complexa consideras os prós e contras no
pensamento e depois decides.
Aqui há um sentimento muito forte de um decisor, a encarnar o personagem de "alguém que toma boas decisões".
Na minha experiência não é "geralmente", é sempre :)
As acções acontecem e depois segue-se um pensamento que diz "eu fiz isto". E depois aparecem os irmãozinhos pensamentos que se divertem com conversas do tipo "fiz bem, sim sra. porque isto e porque aquilo" ou o inverso "porque é que eu fiz isto, nunca mais aprendo".
Sim, os pensamentos parecem fazer isto: "numa decisão complexa consideras os prós e contras no
pensamento e depois decides."
Mas será que tem de existir um decisor por trás destas decisões complexas? Um ser dentro do nosso corpo que controla a vida?
O sentimento de que há um decisor é forte... mas um sentimento é um sentimento, os sentimentos não pensam.
Se reparares os pensamentos também não pensam. São objectos que aparecem na consciência (do mesmo modo que as sensações e as emoções).
Se os pensamentos não pensam, será que podem decidir o que quer que seja :) ?
O que é " uma tomada de decisão complexa que envolva muito pensamento" na tua experiência directa?O andar acontece automaticamente, não há um ´eu´ a dizer: "perna prá frente, braços pra trás etc"
As decisões de virar tb são espontâneas a não ser que sejam precedidas de uma tomada de decisão complexa
que envolva muito pensamento.
Não são só pensamentos a acontecer uns atrás dos outros?
Isto "uma tomada de decisão complexa que envolva muito pensamento" é algo que é real, qua acontece na tua experiência ou são pensamentos sobre aquilo que pensas que acontece?
Estás a responder sem experimentares primeiro! Experimenta e vê se são realmente os pensamentos que te fazem tomar a decisão de sair da cama.Depende, às vezes penso " vou me levantar pois já estou farto de estar na cama" e levanto-me.
Outras vezes é espontâneo, levanto-me sem ter um pensamento prévio.
Não sentes, pensas. Uma vez mais os sentimentos não pensam, nem os pensamentos :) Não acredites em mim, vê lá na tua realidade se isto é verdadeiro ou não.Aqui sinto que há um decisor, nas raras vezes em que como junk food, iria escolher hamburger ao invés de pizza porque a repartição de macronutrientes é a mais adequada ao tipo de alimentação que faço. (sou entusiasta do fitness e nutrição)
Se não existes como um eu separado, é possível que esse entusiamo que tens em relação ao fitness e à nutrição aconteça de uma forma expontânea através da personagem Marco?
Seres como és é algo que tu escolheste?
Ou tudo é vida, inclusivé tu?
És um ser único, mas isso torna-te separado de tudo o que existe?
Quando começamos a olhar com olhos de ver para a nossa experiência reparamos que na vida tudo é um verbo, tudo acontece sem ser a alguém: escrever acontece, ver acontece, pensar acontece, sem ser a alguém. A vida não é pessoal, não acontece a uma pessoa... O que é espantoso!Estranhamente, ao estar aqui a escrever não sinto o decisor. O escrever acontece.
Verdade.A maioria dos pensamentos é só meaningless lenga lenga.
Há pensamentos sobre coisas que podemos experienciar: mão, computador, écran , rato e há pensamentos sobre coisas que não podemos experienciar: Pai Natal, Batman, Bicho Papão.Não, a realidade é a realidade mas os pensamentos sobre a realidade são apenas uma história.
Se bem que há pensamentos mais verdadeiros que outros:
Por exemplo, o pensamento " a terra é plana" é menos verdadeiro do que " a terra é redonda".
Os pensamentos sobre o eu incluem-se naqueles que não podemos experienciar. Se pensarmos “estou a escrever” não podemos experienciar o eu que escreve, experienciamos a ação de escrever.
A leitura que eu faço disto é que aparecem imensos pensamentos na tua experiência e tu acreditas que és tu que os fazes, que são teus.Não, não encontro nenhum ´eu´, o olhar apenas acontece.
A conclusão que chego é que só encontro um eu quando tenho de tomar uma decisão complexa e considerar
multiplas variáveis e imaginar vários cenários possíveis.
E se os pensamentos forem como as nuvens do céu? Por vezes aparecem muitos, por vezes menos e, às vezes, há tempestades de pensamentos.
Consegues ver um eu a fazer os pensamentos?
Tens controle sobre os pensamentos?
Se eu disser não penses na águia do Benfica, o que é que acontece?
Os pensamentos pensam?
Abraço, Sandra

