Re: Tópico para Liber Nihilo (Portuguese)
Posted: Wed Jul 24, 2013 12:17 pm
Obrigado, Liber, fico no aguardo.
Abraços,
Abraços,
Liberation Unleashed Forum The Gate
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Estou absolutamente de acordo :)O Riktam falou comigo e, se estiveres de acordo, vou ser a tua guia.
Bem. Na minha experiência o eu separado é um ser à parte do funcionamento do todo. Por mais que minha mente esteja cheia de teorias que apontem para o contrário, na minha experiência o eu é um ser pensante, com pensamentos próprios, moral e ética construídos, uma certa coerência de personalidade, preferências, desejos, nome, enfim todas as nuances que indicam que eu não seja um membro do todo.Gostava que me dissesses o que é que na tua experiência é o eu separado.
Como é que descreves este eu?
Eu diria que o que descreves acima são os teus pensamentos sobre o que é o eu e não o eu em si.Na minha experiência o eu separado é um ser à parte do funcionamento do todo. Por mais que minha mente esteja cheia de teorias que apontem para o contrário, na minha experiência o eu é um ser pensante, com pensamentos próprios, moral e ética construídos, uma certa coerência de personalidade, preferências, desejos, nome, enfim todas as nuances que indicam que eu não seja um membro do todo.
Eu descreveria como sendo um corpo físico, com características singulares, que comporta um cérebro. Este emite pensamentos em um certo padrão lógico que me sugerem as características mentais deste eu. A junção dessa lógica mental com o corpo físico formam o eu pleno e, aparentemente, separado das outras coisas.
Porquê? O que é que te leva a pensar que o corpo é um eu?Eu descreveria como sendo um corpo físico
Sim, certamente.Se eu te pedir para descreveres um copo, podes pensar num copo e descrever os teus pensamentos sobre o copo ou agarrar num copo e descrever o que vês. Consegues ver a diferença entre uma forma de perceber o mundo e a outra?
Preciso da sua ajuda!Se recorreres aos pensamentos nesta investigação, não vais ver o que é real, vais continuar preso nos pensamentos sobre o que a realidade é.
Quando olho ao redor não encontro este eu de que falei, sobretudo porque estou focado em olhar ao redor, não em pensar sobre isso. Sem os pensamentos só resta a experiência de ver. Mas, ainda assim, observo com a impressão de que "sou eu que estou olhando".Se deixares de lado as teorias e olhares à tua volta, o eu está presente da forma como o descreves? Não penses sobre isto, olha mesmo em redor... é possível experimentar o eu de que falas?
Se agarrares na tua lista sobre o que é o eu e a comparares com o que consegues ver aqui e agora, continuavas a afirmar que o eu é feito de "moral e ética construídos, uma certa coerência de personalidade, preferências, desejos, nome". Se estas coisas não estão aqui, como é que podem ser consideradas um eu? :)
Não sei, creio que o hábito, a cultura, os padrões, o modo como as coisas sempre foram, enfim o cérebro. Todas as pessoas, assim como eu, consideram ter um eu. Eu vivo neste mundo junto com esse outro monte de eus. Eu pra lá, eu pra cá. Todo mundo é um eu. E todo mundo tem um corpo físico próprio. Aparentemente todos estão separados. No fim do dia cada um vai pra sua casa, tem vidas distintas, horários diferentes, desejos diferentes... Tudo isso (e mais um pouco) me leva a crer que o corpo é um eu.Vamos começar então a olhar para as partes que parecem compor o eu:Porquê? O que é que te leva a pensar que o corpo é um eu?Eu descreveria como sendo um corpo físico
Parece que sim. Quero dizer, não em experiência (física). Não posso tocar esse eu, nem ver, nem sentir seu cheiro, nem ouví-lo ou sentir seu sabor. Mas constatar isso não altera em nada quanto a sensação de existência desse eu. Ou seja, entendo que este eu é algo completamente virtual, abstrato, "ilusório" e, além de entender também percebo, uma vez que este eu não pode ser experimentado fisicamente. Entretanto, mesmo que eu não o experiencie fisicamente, não deixo de ter a experiência do eu. Ele ainda está presente.Há um eu dentro do corpo?
Não encontraremos. Não fisicamente. Não imediatamente. Mas é difícil pra mim dizer que o eu não existe só porque não é físico. Entende?O nosso objetivo é encontrar o eu separado, ver se este eu existe - uma entidade constante, imutável, sólida - da mesma forma que é possível encontrar e comprovar a existência de uma mão, água, céu, gato, computador... O que só é possível olhando para o aqui e agora, esta experiência imediata.
Esta impressão de que é um eu que está a olhar é a prova de que um eu está a olhar?Quando olho ao redor não encontro este eu de que falei, sobretudo porque estou focado em olhar ao redor, não em pensar sobre isso. Sem os pensamentos só resta a experiência de ver. Mas, ainda assim, observo com a impressão de que "sou eu que estou olhando".
Uma sensação é uma sensação. Se olhares para esta sensação de ser um eu o que é que encontras? Uma sensação + o pensamento "está é a sensação de que existe um eu" ou um eu a dar origem à sensação?Parece que sim. Quero dizer, não em experiência (física). Não posso tocar esse eu, nem ver, nem sentir seu cheiro, nem ouví-lo ou sentir seu sabor. Mas constatar isso não altera em nada quanto a sensação de existência desse eu.
Como é que algo que não é experimentado está presente? Isto não é apenas uma ideia sobre o que está ou não presente?Entretanto, mesmo que eu não o experiencie fisicamente, não deixo de ter a experiência do eu. Ele ainda está presente.
Entendo. Sabes, a ideia não é mudar o conteúdo dos teus pensamentos. É ver se eles são verdadeiros. Para isso não precisas de acreditar em nada do que eu ou as outras pessoas dizem. Basta comparar o que é pensado com o que existe aqui e agora.Não encontraremos. Não fisicamente. Não imediatamente. Mas é difícil pra mim dizer que o eu não existe só porque não é físico. Entende?
Entender e perceber é pensar sobre o assunto e chegar a uma conclusão. Já reparaste que estamos sempre a mudar a forma como pensamos sobre as coisas? Como é que se pode confiar em algo que se contradiz constantemente? Num dia vemos a vida cor de rosa e no outro estamos fartos de tudo. A vida é a mesma. Os nossos pensamentos sobre ela é que mudam.Em resumo: Entendi e percebi a "ilusão" do eu, mas isso não alterou minha relação com o mundo ao meu redor.
Esta não é a tua experiência de existência. Existir não é nosso, não nos pertence. Não existe um eu aqui separado da vida a quem a vida esteja a acontecer.Sandra, quando alcançarmos o que pretendemos minha experiência de existência será diferente? Quero dizer, existe de fato alguma alteração na percepção? Me desculpe se estiver sendo apressado em fazer essa pergunta. Caso não possa respondê-la, por qualquer motivo que seja, por favor desconsidere-a.
Claro que é :)Essa dificuldade que sinto é normal?
Ui, penso que não sugeri que estás a dificultar. Se eu quisesse dizer que estás a dificultar dizia, não sugeria. Nada do que eu diga é uma critica ou um julgamento. O meu único objetivo é ajudar.Você sugere que eu esteja dificultando de algum modo.
Alguma paciência e confiança neste processo ajudavam. Do que é que serve começar logo a pensar que algo deve estar a correr mal ou a pensar que não se consegue?Há algo em que eu possa melhorar para facilitar o processo?
Então chego à conclusão de que o que estamos buscando é a percepção de unidade. Certo?
Podes descrever esta experiência de separação? Se olhares à tua volta, o que é que está separado do quê? O corpo está separado do resto da vida? Os pensamentos estão separados das sensações? O que é que vês que esteja separado?Eu sei que o eu não está presente fisicamente. Quando o procuro não o vejo. Mas ainda assim me sinto separado.
Eu me expressei de modo totalmente equivocado nesta frase. Me desculpe! Era pra ser uma pergunta, não uma afirmação. E a conjugação também está errada... O que eu quis dizer era "Você sugeriria que eu esteja dificultando de algum modo?".Ui, penso que não sugeri que estás a dificultar. Se eu quisesse dizer que estás a dificultar dizia, não sugeria. Nada do que eu diga é uma critica ou um julgamento. O meu único objetivo é ajudar.Você sugere que eu esteja dificultando de algum modo.
O que eu falo por percepção não seria um estado de consciência alterado. Seria uma percepção mesmo, imediata, clara, presente. Olhar e ver, em qualquer direção, pra qualquer ser ou objeto, que eu não estou aqui e ele lá, mas que estamos juntos. É isso que buscamos despertar? Ou eu estou "sofisticando"?O que é a percepção da unidade? Se com isto queres dizer que a tua experiência vai passar a ser de unidade com a totalidade da existência, com sensações, pensamentos e uma história completamente diferente da atual, um estado beatífico de transcendência, posso garantir desde já que o objetivo não é esse. O que estamos a fazer não tem a ver com provocar estados alterados de consciência. Ou experiências misticas.
Então, essa é minha principal dúvida, pois eu sei que não estou separado. Eu sei que todas as minhas ações interferem no meio, e tudo que acontece ao meu redor interfere na minha experiência. Há um som e meu ouvido escuta. Não posso escolher, é instantâneo. Se vejo tristeza me comovo. Se alguém conta uma piada, acho graça. Se o sol bate na minha pele ela arde. E assim continua a lista infinitamente. Eu sei disso. Eu percebo isso. O que seria, exatamente, "ver a realidade como ela é"? Seria observar todas essas coisas e compreendê-las? Seria, até mesmo, constatar? Porque até aqui estou ok. Mas quando você diz "ver a realidade como ela é" eu tenho a impressão de que não estamos falando apenas da constatação lógica do fato de eu não estar separado, mas de uma percepção mesmo. Sensação. Experiência (não se apegue muito aos termos que uso, estou tentando explicitar o que quero dizer dentro das possibilidades da linguagem; estou "rodeando" a ideia). Ver. Não é observar e pensar sobre a realidade, certo? É "bater o olho" e saber "não estou separado", correto? Imagino que isso só seja possível se minha experiência for modificada de algum modo, pois sei que estou conectado, mas sinto-me separado. Sinto-me eu.O único objetivo é ver a realidade como ela é, nada mais.
Ou o receio de conseguir... Segundo o budismo, a mente está sempre criando artifícios para não ser derrotada. :)O receio de não conseguir pode ser uma forma subtil de evitar fazer este processo. Há mais alguma coisa que receies?
Quando olho à minha volta tudo está separado de tudo. Por exemplo, o computador não está separado da eletricidade. Se eu tirar o cabo da tomada ele para de funcionar. Mas ele está separado da mesa. Eu posso tirar a mesa e ele continua a funcionar. Estão separados.Podes descrever esta experiência de separação? Se olhares à tua volta, o que é que está separado do quê? O corpo está separado do resto da vida? Os pensamentos estão separados das sensações? O que é que vês que esteja separado?Eu sei que o eu não está presente fisicamente. Quando o procuro não o vejo. Mas ainda assim me sinto separado.
Não precisas de pedir desculpas! Ainda estamos na fase de adaptação à forma como o outro comunica.Eu me expressei de modo totalmente equivocado nesta frase. Me desculpe! Era pra ser uma pergunta, não uma afirmação. E a conjugação também está errada... O que eu quis dizer era "Você sugeriria que eu esteja dificultando de algum modo?".
Sim, é mesmo isso. Ver que não existe separação. Coisa que já vês, embora não te apercebas disso :)O que eu falo por percepção não seria um estado de consciência alterado. Seria uma percepção mesmo, imediata, clara, presente. Olhar e ver, em qualquer direção, pra qualquer ser ou objeto, que eu não estou aqui e ele lá, mas que estamos juntos. É isso que buscamos despertar? Ou eu estou "sofisticando"?
Ui. É difícil colocar este tipo de coisas em palavras. Não de trata de compreender usando os pensamentos como "ferramenta" de compreensão. É mais constatar do que compreender.O que seria, exatamente, "ver a realidade como ela é"? Seria observar todas essas coisas e compreendê-las? Seria, até mesmo, constatar? Porque até aqui estou ok.
Não tem nada a ver com uma constatação lógica. Não tem nada de nada a ver com lógica! É bem mais simples do que isso. Mas sim, percepção e sensação tem tudo a ver com aquilo a que chamo "ver".Mas quando você diz "ver a realidade como ela é" eu tenho a impressão de que não estamos falando apenas da constatação lógica do fato de eu não estar separado, mas de uma percepção mesmo. Sensação.
Eu peço que faças o mesmo, não te apegues muito aos termos que uso. A linguagem é bastante limitada.Experiência (não se apegue muito aos termos que uso, estou tentando explicitar o que quero dizer dentro das possibilidades da linguagem; estou "rodeando" a ideia).
Pensas sobre a realidade há anos... dá resultado? Ver é ver, ver é sentir, ver é experiênciar. Simples, simples.Não é observar e pensar sobre a realidade, certo?
Não. É olhar e ver que não existe separação. Que não é possível encontrar um eu separado porque só é possível encontrar a totalidade. Não tem nada a ver com saber. Os pensamentos podem continuar a ser os mesmos.É "bater o olho" e saber "não estou separado", correto?
Sim e não. Eu continuo a sentir que sou um eu. Esta sensação de que se é um eu é normal e não creio que vá desaparecer.Imagino que isso só seja possível se minha experiência for modificada de algum modo, pois sei que estou conectado, mas sinto-me separado. Sinto-me eu.
Eu diria que se tiver que acontecer, acontece. Como tudo na vida, não é o tipo de coisa que se consiga controlar :)Ou o receio de conseguir... Segundo o budismo, a mente está sempre criando artifícios para não ser derrotada. :)
Compreendo o que queres dizer.Quando olho à minha volta tudo está separado de tudo.
Oi Sandra. Estive um pouco ocupado nas últimas horas, e agora um pouco cansado pra detalhar minha experiência nesta atividade que você propôs.Vamos fazer uma experiência.
Com os olhos fechados, num sítio sossegado - deitado é mais confortável - respira profundamente algumas vezes e "foca-te" o melhor que conseguires no aqui e agora:
- usando os sentidos, é possível sentir onde o corpo começa e acaba? é possível encontrar os limites, a fronteira, entre um "dentro" e um "fora", um "eu" e um "não eu"?
- sensações, emoções, pensamentos estão a acontecer... usando os sentidos, é possível encontrar um "contentor", um eu separado, dentro do qual as sensações, as emoções, os pensamentos acontecem? Um bocado de vida dentro de um corpo e uma imensidade de vida fora de um corpo?
- usando os sentidos, é possível experiênciar "separação"? Um corpo separado de tudo?