Seeking for oneness

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Maylson
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Re: Seeking for oneness

Postby Maylson » Fri Dec 27, 2024 1:29 am

Boa noite, Franchi! Como você está?


Imaginei que estivesse ocupado esses dias! Sem problemas! Estava um pouco corrido por aqui também. Mas as coisas estão mais calmas agora! :)

“Ainda não tenho a capacidade de me sentir integrado ao todo por conta do condicionamento muito forte do meu ego, pois sou filho único, sempre muito autônomo, auto suficiente e individualista. E embora eu saiba que ele é uma ficção e que nunca existiu de fato, ter acreditado nele durante todos estes anos, criou um condicionamento bastante intenso.
Isso não será problema, porque é uma questão de tempo para que esse condicionamento seja quebrado.
O raciocínio já foi desenvolvido e aceito..."

Interessante, vejo aqui mais um ponto de semelhança nas histórias dos nossos personagens, rs. Assim como você, sou filho único, fui muito mimado e desenvolvi fortes tendências ao egoísmo. Por isso, entendo bem o que você quer dizer sobre condicionamentos profundos e arraigados.

Vou te pedir para investigar e me responder essas perguntas abaixo:


E se essa ideia de “plenitude” não dependesse de nenhuma mudança no condicionamento?
O condicionamento é, de fato, diferente da chuva que cai ou do vento que sopra?



Se o condicionamento é apenas um padrão de pensamentos e comportamentos, quem ou o que acredita que ele precisa desaparecer? Quem está resistindo ao que já é?



Quando o condicionamento aparece, ele realmente separa você de algo? Ou é apenas mais um fenômeno acontecendo, como qualquer outro?


E se a “plenitude” já incluísse o condicionamento exatamente como ele é? Como algo poderia estar separado disso?


Você mencionou recentemente que a dor no seu nervo ciático (ou era de hérnia de disco?) já não tem tanto peso, porque você não a vê mais como 'sua' dor, mas simplesmente como uma dor se manifestando. Como os seus condicionamentos são diferentes disso? Não seriam eles também apenas pensamentos e sensações transitórios que surgem e se dissipam, sem um 'eu' por trás deles tentando controlá-los?



“Aconteceu uma coisa bem trivial comigo, mas que me fez pensar nessa possibilidade... Você pode até rir, porque chega a ser besta, mas me deu um estalo na hora ...
Eu estava passeando com um de meus cachorros e passamos debaixo de uma mangueira (árvore) que tinha uma manga linda num galho alto. Tentei arremessar outras mangas verdes que estavam no chão para tentar derrubá-la, mas não obtive êxito. Pensei, como iria ser bom pegar aquela manga.
Continuei o passeio e depois fiz o mesmo trajeto com outro dos meus cachorros... No meio do nada, apareceu uma manga tão linda quanto aquela que tentei pegar no meio fio, bem ali entre a calçada e a rua. Olhei para todos os lados e não havia nenhuma mangueira ali, a única possibilidade seria de alguém estar carregando e ter deixado cair sem perceber, porque ninguém deixaria uma manga linda daquelas para trás...
Na hora me veio o trecho do livro do Jed Mckenna... Não foi interessante??? Entre eu tentar pegar a manga na árvore e a outra aparecer, não se passaram nem 10 minutos...”


Achei essa história bem interessante! Quando você tentou pegar a manga (a primeira), houve esforço, tentativa, uma ação voltada para alcançar algo. Mas, você relaxou dessa ideia e seguiu, então, uma manga apareceu ou passou a ser percebida, de maneira quase "mágica". Às vezes, o esforço e a resistência para alcançar algo são justamente o que criam a sensação de falta ou separação.

Imagino que o "estalo" que você mencionou tenha a ver com essa percepção: talvez você tenha se dado conta de que não há separação em nada. Quando a mente solta a ideia de controle e de esforço, as coisas se desdobram naturalmente, sem a necessidade de "agir" ou forçar.. Isso é um reflexo de como tudo está interconectado e se manifesta de acordo com o fluxo da vida, sem a necessidade de separação ou resistência. Faz sentido? Foi isso? Me conte!

Você percebe alguma diferença entre a expectativa de algo e a simples abertura para que as coisas se manifestem como elas são?

O que você percebe sobre o esforço versus o não-esforço agora?
May.

"The moment I am aware that I am aware I am not aware. Awareness means the observer is not"
― Jiddu Krishnamurti

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Franchi
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Re: Seeking for oneness

Postby Franchi » Fri Dec 27, 2024 2:59 pm

Bom dia, May !!!
Tudo se manifestando bem por aqui !!! E por aí ???
Que bom que as coisas estão mais calmas agora, para podermos conversar.
Olha só, que legal !!! Sempre estamos achando pontos comuns.
E se essa ideia de “plenitude” não dependesse de nenhuma mudança no condicionamento?
O condicionamento é, de fato, diferente da chuva que cai ou do vento que sopra?
Faz bastante sentido a plenitude não depender da mudança, pois o que é pleno contempla tudo!!!
Nem um pouco diferente ... O condicionamento também é uma manifestação, porém acredito que esse condicionamento, mesmo que seja contínuo, comece a se distanciar da percepção que tenho, pois cada vez é mais notório que por ter sua base no ego, é um castelo de areia.

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Se o condicionamento é apenas um padrão de pensamentos e comportamentos, quem ou o que acredita que ele precisa desaparecer? Quem está resistindo ao que já é?
Resquícios do ego, da individualidade... A mente fazendo um esforço para se manter identificada.

Quando o condicionamento aparece, ele realmente separa você de algo? Ou é apenas mais um fenômeno acontecendo, como qualquer outro?
É mais um fenômeno, que não me separa de nada, mas ainda cria uma certa ideia de que uma etapa precisa ser superada, mesmo que isso não seja um fato.

E se a “plenitude” já incluísse o condicionamento exatamente como ele é? Como algo poderia estar separado disso?
Refletirei sobre isso... Mas faz muito sentido.

Você mencionou recentemente que a dor no seu nervo ciático (ou era de hérnia de disco?) já não tem tanto peso, porque você não a vê mais como 'sua' dor, mas simplesmente como uma dor se manifestando. Como os seus condicionamentos são diferentes disso? Não seriam eles também apenas pensamentos e sensações transitórios que surgem e se dissipam, sem um 'eu' por trás deles tentando controlá-los?
Hérnia de disco!!! Sim, o processo é semelhante . Acho que preciso rever esta percepção de que seria necessário deixar de sentir esse condicionamento, pois acredito que você esteja certo em relação a necessidade de controle se manifestando.
Achei essa história bem interessante! Quando você tentou pegar a manga (a primeira), houve esforço, tentativa, uma ação voltada para alcançar algo. Mas, você relaxou dessa ideia e seguiu, então, uma manga apareceu ou passou a ser percebida, de maneira quase "mágica". Às vezes, o esforço e a resistência para alcançar algo são justamente o que criam a sensação de falta ou separação.
Eu entendo, mas ainda não tenho a capacidade de assimilar isso. Ou seja, correlacionar um evento desses com a unidade das coisas. Mas pode ser sim um indício !!!!!
Imagino que o "estalo" que você mencionou tenha a ver com essa percepção: talvez você tenha se dado conta de que não há separação em nada. Quando a mente solta a ideia de controle e de esforço, as coisas se desdobram naturalmente, sem a necessidade de "agir" ou forçar.. Isso é um reflexo de como tudo está interconectado e se manifesta de acordo com o fluxo da vida, sem a necessidade de separação ou resistência. Faz sentido? Foi isso? Me conte!
Na verdade, o estalo que eu tive foi relacionado ao fato de que se estamos tentando buscar esse "alinhamento" com o fluxo do Universo, com a manifestação, acabamos "usufruindo" melhor de nossas possibilidades.
Como disse anteriormente, acho que ainda não consigo ter a certeza de que não há separação em nada. Ainda existe resistência aparecendo aqui.
Eu acho que aquela minha ideia de que esse fluxo tem uma lógica ou segue determinadas diretrizes que talvez não tenhamos como interpretar, ainda me atraí muito .
Você percebe alguma diferença entre a expectativa de algo e a simples abertura para que as coisas se manifestem como elas são?
Completamente!!!! Me sinto muito mais relaxado e tranquilo em relação a tudo e, para ser sincero, muitas vezes me sinto até alheio a tudo que me rodeia.
O que você percebe sobre o esforço versus o não-esforço agora?
O não esforço é o nosso natural... O esforço sempre imperou por conta da ignorância. É tudo muito mais simples quando entendemos que tudo está se manifestando independente do que queremos ou de como gostaríamos que fosse.

Espero que você tenha tido um ótimo Natal!!!

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Maylson
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Re: Seeking for oneness

Postby Maylson » Sat Dec 28, 2024 4:57 am

Boa noite, Franchi!


Por aqui tudo tranquilo! 😊
O natal foi ótimo! Comi um tamto! rsrs

“Faz bastante sentido a plenitude não depender da mudança, pois o que é pleno contempla tudo!!! Nem um pouco diferente ... O condicionamento também é uma manifestação, porém acredito que esse condicionamento, mesmo que seja contínuo, comece a se distanciar da percepção que tenho, pois cada vez é mais notório que por ter sua base no ego, é um castelo de areia.”
Concordo contigo! O condicionamento é apenas uma expressão da totalidade, não diferente do latido do seu cachorro, do sorriso de seus filhos ou da dor física que surge e passa. Esses fenômenos acontecem AGORA, na experiência direta, sem a necessidade de um "eu" para controlá-los ou interpretá-los. Quando o "eu" é reconhecido como apenas uma ideia, o condicionamento perde sua aparente força, porque sua base (essa narrativa imaginária) se desfaz. Ele nunca foi sólido, apenas parecia, exatamente como você colocou: um castelo de areia que só existe na história contada pela mente.

Essa ideia de que condicionamentos precisam ser quebrados, assim como a ideia de separação, só tem força dentro do mundo das narrativas. Tudo isso depende da crença em um "eu" central, que fabrica a ilusão de "eu aqui" e "o mundo lá". Mas observe agora, nesse momento, onde estão esses condicionamentos? Onde está essa separação, nesse momento? Onde está esse “Eu”? Aqui e agora, onde e como tudo isso se manifesta?

“Refletirei sobre isso... Mas faz muito sentido.”
Como poderiam os condicionamentos e tudo o que se manifesta estar, de alguma forma, separados da “totalidade/plenitude”?


“Eu entendo, mas ainda não tenho a capacidade de assimilar isso. Ou seja, correlacionar um evento desses com a unidade das coisas. Mas pode ser sim um indício !!!!!”

Você não precisa, não pode e nem consegue fazer essa correlação, porque ela é apenas uma ideia tentando controlar o que já é. Mas é possível simplesmente observar isso agora, sem esforço algum! A própria tentativa de fazer a correlação fortalece a ideia de separação. Isso acontece por que ao tentar conectar ou controlar eventos e experiências, a mente pressupõe que há algo separado a ser compreendido ou controlado. A ideia de "correlação" parte da suposição de que há uma divisão entre as coisas que precisam ser reunidas, o que reforça a percepção de um "eu" que deve controlar ou compreender o que está acontecendo. Quando voce relaxa e permite que as coisas simplesmente sejam, sem a necessidade de ligá-las ou controlá-las, a separação começa a desaparecer, revelando que tudo é uma única manifestação. Da mesma forma que uma manga suculenta apareceu no seu caminho, sem esforço algum, rs.

Sendo mais direto: Se há condicionamentos ou resistência, está tudo bem! Como poderia ser diferente do que já é? Você não precisa fazer nada. Não é necessário se apegar à crença de que algo precisa ser quebrado para alcançar algo. A resistencia e condicionamentos vão durar o tempo que durarem.

“ Me sinto muito mais relaxado e tranquilo em relação a tudo e, para ser sincero, muitas vezes me sinto até alheio a tudo que me rodeia.”
Alheio como? e a que? Me fala um pouco mais sobre essa sensação?
May.

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Re: Seeking for oneness

Postby Franchi » Mon Dec 30, 2024 3:41 pm

Olá, May !!!
Que bom que você aproveitou também... Nessa época é inevitável que os exageros aconteçam, mas pelo menos agora não precisamos mais nos culpar... kkkkk... Culpar a quem???
Concordo contigo! O condicionamento é apenas uma expressão da totalidade, não diferente do latido do seu cachorro, do sorriso de seus filhos ou da dor física que surge e passa. Esses fenômenos acontecem AGORA, na experiência direta, sem a necessidade de um "eu" para controlá-los ou interpretá-los. Quando o "eu" é reconhecido como apenas uma ideia, o condicionamento perde sua aparente força, porque sua base (essa narrativa imaginária) se desfaz. Ele nunca foi sólido, apenas parecia, exatamente como você colocou: um castelo de areia que só existe na história contada pela mente.

Essa ideia de que condicionamentos precisam ser quebrados, assim como a ideia de separação, só tem força dentro do mundo das narrativas. Tudo isso depende da crença em um "eu" central, que fabrica a ilusão de "eu aqui" e "o mundo lá". Mas observe agora, nesse momento, onde estão esses condicionamentos? Onde está essa separação, nesse momento? Onde está esse “Eu”? Aqui e agora, onde e como tudo isso se manifesta?
Não estão mais em lugar algum... Isso é bastante presente quando estou em um ambiente de quietude e tranquilidade.
Vez ou outra ainda me pego fazendo algum tipo de análise ou reflexão sobre o que precisaria ser mudado ou não, mas agora vem e vai embora rapidinho...
Não há nada a mudar e está tudo acontecendo no agora, como tem que ser...
Não é mais necessário se enganar com a possibilidade de controlar algo, que não existe.
Como poderiam os condicionamentos e tudo o que se manifesta estar, de alguma forma, separados da “totalidade/plenitude”?
Não há como ...
Você não precisa, não pode e nem consegue fazer essa correlação, porque ela é apenas uma ideia tentando controlar o que já é. Mas é possível simplesmente observar isso agora, sem esforço algum! A própria tentativa de fazer a correlação fortalece a ideia de separação. Isso acontece por que ao tentar conectar ou controlar eventos e experiências, a mente pressupõe que há algo separado a ser compreendido ou controlado. A ideia de "correlação" parte da suposição de que há uma divisão entre as coisas que precisam ser reunidas, o que reforça a percepção de um "eu" que deve controlar ou compreender o que está acontecendo. Quando voce relaxa e permite que as coisas simplesmente sejam, sem a necessidade de ligá-las ou controlá-las, a separação começa a desaparecer, revelando que tudo é uma única manifestação. Da mesma forma que uma manga suculenta apareceu no seu caminho, sem esforço algum, rs.

Sendo mais direto: Se há condicionamentos ou resistência, está tudo bem! Como poderia ser diferente do que já é? Você não precisa fazer nada. Não é necessário se apegar à crença de que algo precisa ser quebrado para alcançar algo. A resistencia e condicionamentos vão durar o tempo que durarem.
Entendo, May, são as pequenas armadilhas da mente.
Acredito que a minha tentativa de entender ou correlacionar, na verdade era mais uma manifestação de resistência, mas compreendo claramente que isso não é possível e nem necessário.
O fluxo é contínuo e natural e basta não nos esforçarmos para que tudo faça sentido.
Ainda surgem dúvidas de forma esporádica, na forma de pensamentos que vem e se vão, mas no final sei que são apenas nuvens passando pelo céu.
Sim é exatamente isso, as dúvidas e resistências não me incomodam mais e sei que elas estão aí porque assim tem que ser, então não tenho mais nenhum tipo de ansiedade em relação a isso.
Não há nada para acontecer ou para mudar.
Alheio como? e a que? Me fala um pouco mais sobre essa sensação?
Não sei se conseguirei te explicar, mas é uma sensação de estar ali, mas ao mesmo tempo não estar.
Como se de alguma maneira as coisas estivessem acontecendo mas minha atenção estivesse mais diluída, como se estivesse assistindo a um filme e não vivenciando os acontecimentos.

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Re: Seeking for oneness

Postby Maylson » Fri Jan 03, 2025 2:45 am

Oi, Franchi! Boa noie!

Como você está se sentindo? Tudo tranquilo nesse início de ano?

Que bom que você aproveitou também... Nessa época é inevitável que os exageros aconteçam, mas pelo menos agora não precisamos mais nos culpar... kkkkk... Culpar a quem???
Hahaha! Sim, concordo! Não existe ninguém a ser culpado!
Como foi sua experiência neste final de ano, (um período que costuma envolver tantas tradições e expectativas)? Como foi vivenciar tudo isso sem a necessidade de buscar perfeição ou se ajustar a um 'ideal'? Percebeu como as expectativas e o apego ao 'papel' ou ao 'eu' influenciavam sua perspectiva?

“Não sei se conseguirei te explicar, mas é uma sensação de estar ali, mas ao mesmo tempo não estar. Como se de alguma maneira as coisas estivessem acontecendo mas minha atenção estivesse mais diluída, como se estivesse assistindo a um filme e não vivenciando os acontecimentos."
Isso é comum quando ha uma desidentificação com o "eu" e os acontecimentos. Quando o "eu" se dissolve, a percepção pode parecer mais impessoal, como se os eventos estivessem acontecendo sem um observador fixo. Mas é importante perceber que tanto o "observador" quanto o "observado" são uma coisa só tudo é uma única manifestação. O "observador" pode ser apenas mais uma identificação, assim como o "eu" separado. Ao tentar se identificar com o "observador", a mente ainda cria a ilusão de separação. Na prática, não há um sujeito que observa; tudo é parte do mesmo fluxo. Quando isso se percebe, a vivência acontece como um todo, sem divisões.
May.

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Re: Seeking for oneness

Postby Franchi » Fri Jan 03, 2025 3:52 pm

Olá, May !!!

Feliz Ano Novo !!!
Como você está se sentindo? Tudo tranquilo nesse início de ano?
Sim, tudo tranquilo. Agora que as festas passaram e a casa está mais vazia de novo, tudo vai retomando sua rotina.
Hahaha! Sim, concordo! Não existe ninguém a ser culpado!
Como foi sua experiência neste final de ano, (um período que costuma envolver tantas tradições e expectativas)? Como foi vivenciar tudo isso sem a necessidade de buscar perfeição ou se ajustar a um 'ideal'? Percebeu como as expectativas e o apego ao 'papel' ou ao 'eu' influenciavam sua perspectiva?
Na verdade, já há algum tempo que não me importam muito estas datas... Minha vida é como um fluxo contínuo com suas tarefas rotineiras, então já não tenho aquele sentimento porque acho tudo muito simbólico e as vezes até um tanto quanto comercial e forçado... Mas não deixo de aproveitar a oportunidade para comemorar com pessoas queridas, não vou ser o chato que fica suscitando que o tempo não é linear e que tudo não passa de uma tentativa de nossa mente de organizar os acontecimentos... kkkkkkkkkk
Então, sem surpresas...
Lógico que tudo fica muito mais leve e natural quando buscamos perceber que tudo se manifesta independente de nossa vontade ou controle, do jeito que tem que ser.
Isso é comum quando ha uma desidentificação com o "eu" e os acontecimentos. Quando o "eu" se dissolve, a percepção pode parecer mais impessoal, como se os eventos estivessem acontecendo sem um observador fixo. Mas é importante perceber que tanto o "observador" quanto o "observado" são uma coisa só tudo é uma única manifestação. O "observador" pode ser apenas mais uma identificação, assim como o "eu" separado. Ao tentar se identificar com o "observador", a mente ainda cria a ilusão de separação. Na prática, não há um sujeito que observa; tudo é parte do mesmo fluxo. Quando isso se percebe, a vivência acontece como um todo, sem divisões.
Acredito que ainda tenha dificuldade em perceber essa unidade entre o observador, o observado e a observação em si... Mesmo tendo a sensação de que tudo é uma narrativa e de vivenciar esta sequência de acontecimentos de forma mais impessoal, parece que falta algo para sentir esta unidade.

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Re: Seeking for oneness

Postby Maylson » Sat Jan 04, 2025 11:35 pm

Ola, Franchi! Boa noite! Como estão as coisas por ai nesse final de semana? :)

“Mas não deixo de aproveitar a oportunidade para comemorar com pessoas queridas, não vou ser o chato que fica suscitando que o tempo não é linear e que tudo não passa de uma tentativa de nossa mente de organizar os acontecimentos... kkkkkkkkkk”

Sim! Não vejo como seria interessante, em nenhum aspecto, sair disseminando esse discurso, hahaha. Para mim, reconhecer que o tempo é uma ilusão só torna a experiência de viver momentos assim ainda mais leve. É como estar verdadeiramente presente, sem a necessidade de se agarrar a nada ou carregar o peso de histórias e narrativas que só existem na mente.

“Acredito que ainda tenha dificuldade em perceber essa unidade entre o observador, o observado e a observação em si... Mesmo tendo a sensação de que tudo é uma narrativa e de vivenciar esta sequência de acontecimentos de forma mais impessoal, parece que falta algo para sentir esta unidade.”

Está tudo bem! Essa sensação de que 'falta algo' é apenas uma narrativa criada pela mente, algo que aprendemos a carregar ao longo da vida. Somos condicionados, tanto social quanto religiosamente, a ter fé e esperança, a acreditar que precisamos de algo no futuro, algo que ainda não temos. Mas, quando começamos a perceber isso, vemos que essa 'falta' não é real. Ela é só mais um pensamento, uma crença que se manifesta agora, criando a sensação de separação onde não há nenhuma. Perceber que o 'eu' não existe, que não há ninguém que possa realmente controlar nada, é um dos primeiros passos (por assim dizer) para despertar para essa perspectiva não-dual. A partir disso, a ideia de separação vai se desmoronando, dando espaço para a experiência do que já está aqui, agora. E, ao perceber isso, a busca por algo a mais começa a desaparecer.

Mas me diga: Você ainda tem alguma dúvida sobre a não existência do 'EU'? Consegue perceber isso com clareza na sua experiência direta? Ao observar suas reações e pensamentos, consegue identificar algum momento em que o 'EU' se apresenta como algo separado? Ou, ao contrário, já começa a perceber que tudo é apenas uma sequência de experiências, sem um 'eu' que as controle?
May.

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Re: Seeking for oneness

Postby Franchi » Mon Jan 06, 2025 9:06 pm

Boa tarde, May!!!
Foi tudo bem, sim !!! Agora o ritmo normal do pós festas começa a se manifestar por aqui.
E com você por aí ??
Sim! Não vejo como seria interessante, em nenhum aspecto, sair disseminando esse discurso, hahaha. Para mim, reconhecer que o tempo é uma ilusão só torna a experiência de viver momentos assim ainda mais leve. É como estar verdadeiramente presente, sem a necessidade de se agarrar a nada ou carregar o peso de histórias e narrativas que só existem na mente.
Sim é verdade. Acho que nessa fase inicial um sentimento de vazio de vez em quando aparece, pelo fato de ter uma visão de vida totalmente diferente da maioria das pessoas, mas como todas as narrativas e reflexões, é apenas um movimento temporário.
Ainda estou tendo que administrar essa sensação do estar mais presente e de me comportar mais naturalmente, sem ficar pensando ou ponderando, pois isso tem me dado uma liberdade muito grande e parece que as vezes isso se extravasa de algumas maneiras não muito benéficas, como o exagero com bebidas alcóolicas.
Mas aí fico pensando que se não há ninguém no controle e as coisas simplesmente acontecem, será que a reflexão posterior como uma espécie de ressaca moral é apenas mais uma narrativa???
Está tudo bem! Essa sensação de que 'falta algo' é apenas uma narrativa criada pela mente, algo que aprendemos a carregar ao longo da vida. Somos condicionados, tanto social quanto religiosamente, a ter fé e esperança, a acreditar que precisamos de algo no futuro, algo que ainda não temos. Mas, quando começamos a perceber isso, vemos que essa 'falta' não é real. Ela é só mais um pensamento, uma crença que se manifesta agora, criando a sensação de separação onde não há nenhuma. Perceber que o 'eu' não existe, que não há ninguém que possa realmente controlar nada, é um dos primeiros passos (por assim dizer) para despertar para essa perspectiva não-dual. A partir disso, a ideia de separação vai se desmoronando, dando espaço para a experiência do que já está aqui, agora. E, ao perceber isso, a busca por algo a mais começa a desaparecer.
Muito esclarecedor, May!!! Acho que você acertou o ponto... É exatamente isso... O vazio que tenho sentido de vez em quando vem desta ausência da expectativa ao qual somos condicionados, que aos poucos está sendo desfeita. Talvez exista uma resistência se apresentando no sentido de impor a necessidade de haver essa expectativa futura. Esse algo que parece estar ausente, mas que nunca existiu de fato.
Mas me diga: Você ainda tem alguma dúvida sobre a não existência do 'EU'? Consegue perceber isso com clareza na sua experiência direta? Ao observar suas reações e pensamentos, consegue identificar algum momento em que o 'EU' se apresenta como algo separado? Ou, ao contrário, já começa a perceber que tudo é apenas uma sequência de experiências, sem um 'eu' que as controle?
Tudo ainda é muito gradual. As vezes na experiência direta ainda sinto oscilações e resistência que se apresentam em forma de dúvidas e questionamentos. Mas é tudo sem base, porque intelectualmente tudo faz muito sentido na perspectiva não dual.
Cada vez fica mais claro que esta sequência de experiências e acontecimentos segue seu fluxo próprio e que a sensação de controle era algo muito ilusório.
Ainda tenho um pouco de dificuldade em entender o sentido deste fluxo também, se é que há algum. Mas isso vem da formação baseada na crença do darma/carma, que também se mostrou como mais uma camada da ilusão do controle e da justificativa dos acontecimentos.
No mais vamos seguindo o fluxo...

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Re: Seeking for oneness

Postby Maylson » Wed Jan 08, 2025 3:56 am

Boa noite, Franchi! Tudo bem?

“Ainda estou tendo que administrar essa sensação do estar mais presente e de me comportar mais naturalmente, sem ficar pensando ou ponderando, pois isso tem me dado uma liberdade muito grande e parece que as vezes isso se extravasa de algumas maneiras não muito benéficas, como o exagero com bebidas alcóolicas.
Mas aí fico pensando que se não há ninguém no controle e as coisas simplesmente acontecem, será que a reflexão posterior como uma espécie de ressaca moral é apenas mais uma narrativa???"

Essa liberdade que voce menciona é o que surge quando não há esforço para controlar. Tanto o "estar mais presente" quanto o "exagero" com bebidas acontecem espontaneamente, sem um "eu" que os cause. Do mesmo jeito, a chamada "ressaca moral" é apenas um conjunto de pensamentos e sensações que aparecem no momento presente. Não são um problema, a menos que sejam carregados como uma história de culpa.. Essa história de culpa é o que dá peso à experiência, criando a ilusão de que existe um "eu" separado que poderia ou deveria ter feito algo diferente.

O ponto essencial aqui é que o "exagero" nao é causado pela ausência de controle, porque nunca houve um controlador real. É só a expressão espontânea de condições presentes no momento: desejos, impulsos, hábitos... A liberdade de não haver controle não “gera” o comportamento, ela apenas expõe que todos os comportamentos sempre surgem por si mesmos, sem um "eu" por trás.

A mente, então, cria histórias como “exagerei porque estou sem controle” ou “estou abusando dessa liberdade”... Mas essas narrativas só aparecem depois, tentando explicar algo que já aconteceu, não são a causa de nada.

Se você observar agora, a "ressaca moral" não é nada além de pensamentos julgando algo que já passou. Sem esses pensamentos, há apenas o que está acontecendo agora, talvez uma sensação física da ressaca ou uma emoção, mas nada pessoal..

Repare: o que acontece no agora não precisa de um controlador, nem de justificativa. Mesmo a reflexão sobre isso está acontecendo aqui e agora. Tudo se resolve no instante presente, onde nada está realmente fora do lugar.

“O vazio que tenho sentido de vez em quando vem desta ausência da expectativa ao qual somos condicionados, que aos poucos está sendo desfeita. Talvez exista uma resistência se apresentando no sentido de impor a necessidade de haver essa expectativa futura. Esse algo que parece estar ausente, mas que nunca existiu de fato.”

Sim! E esse vazio não é algo a ser temido ou preenchido. O que você sente como "resistência" pode ser apenas a mente tentando trazer de volta algo familiar: a expectativa de que algo precisa acontecer ou ser alcançado, algum tipo de fé ou esperança...

Esse "algo" que parece faltar é uma construção da mente. Não há nada faltando. O vazio que surge ao deixar ir as expectativas é simplesmente a liberdade de viver sem a pressão de um futuro fixo. A mente então cria histórias sobre essa sensação de "vazio", como se fosse um problema a ser resolvido, mas na verdade, é só um espaço natural onde tudo é permitido, sem a necessidade de ser preenchido.

“Cada vez fica mais claro que esta sequência de experiências e acontecimentos segue seu fluxo próprio e que a sensação de controle era algo muito ilusório.
Ainda tenho um pouco de dificuldade em entender o sentido deste fluxo também, se é que há algum. Mas isso vem da formação baseada na crença do darma/carma, que também se mostrou como mais uma camada da ilusão do controle e da justificativa dos acontecimentos.
No mais vamos seguindo o fluxo...”

Voce agora tocou em um ponto importante para o nosso diálogo!

Você já percebeu que a mente busca sempre um sentido, um referencial, uma justificativa para tudo?

Mas o que há de errado com o não saber?

Essa necessidade de entender, de ter uma explicação para o fluxo, é só a mente tentando controlar, tentando moldar o que é livre. O fluxo da vida não precisa de um sentido fixo para acontecer; ele simplesmente é.

O que você está realmente buscando ao tentar entender o "porquê" de tudo?
Será que não é apenas mais uma camada do controle, da necessidade de ter uma história para as coisas? No fundo, nada precisa ser compreendido. O fluxo segue sem que ninguém o direcione ou explique.

Talvez a pergunta seja: e se o não saber fosse a resposta?

Se o vazio da mente, que não pode controlar nem compreender, fosse o espaço de liberdade?

O que acontece se você se permitir estar nesse não saber, sem tentar preencher esse espaço com explicações ou expectativas?
May.

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Re: Seeking for oneness

Postby Franchi » Wed Jan 08, 2025 3:19 pm

Olá, May !!!
Tudo bem sim, fora o momento de transição que está acontecendo onde estes questionamentos e dúvidas se apresentam e formam uma névoa de vez em quando, mas acredito fazer parte do processo.
Aliado a isso, período de férias das crianças, o que significa quase ou nenhum tempo para ficar em silêncio e assimilar todos os movimentos que surgem, muita agitação e stress para administrar em casa.
Ou seja, o processo fica mais turbulento, mas ao mesmo tempo acontecem mais narrativas para admirarmos e vivenciarmos, o que traz mais experiências nos cenários que se apresentam.
Essa liberdade que voce menciona é o que surge quando não há esforço para controlar. Tanto o "estar mais presente" quanto o "exagero" com bebidas acontecem espontaneamente, sem um "eu" que os cause. Do mesmo jeito, a chamada "ressaca moral" é apenas um conjunto de pensamentos e sensações que aparecem no momento presente. Não são um problema, a menos que sejam carregados como uma história de culpa.. Essa história de culpa é o que dá peso à experiência, criando a ilusão de que existe um "eu" separado que poderia ou deveria ter feito algo diferente.
Não saberia como endereçar melhor esta questão... Perfeito !!!! Acho que há resquícios daquela disciplina imposta antigamente, endereçada por crenças de necessidade de evolução e de "limpeza e purificação"... Daí vem uma sombra de sentimento de culpa.
O ponto essencial aqui é que o "exagero" nao é causado pela ausência de controle, porque nunca houve um controlador real. É só a expressão espontânea de condições presentes no momento: desejos, impulsos, hábitos... A liberdade de não haver controle não “gera” o comportamento, ela apenas expõe que todos os comportamentos sempre surgem por si mesmos, sem um "eu" por trás.
A liberdade que se apresenta quando acompanhamos o fluxo é algo as vezes assustador e gera a impressão de podemos estar usando um conceito para deixar o "trem desgovernado", mas aí vem a questão de tudo estar acontecendo dentro de um contexto, e que não há partes individuais se manifestando, mas apenas o todo fluindo.
A mente, então, cria histórias como “exagerei porque estou sem controle” ou “estou abusando dessa liberdade”... Mas essas narrativas só aparecem depois, tentando explicar algo que já aconteceu, não são a causa de nada.
Exatamente, são narrativas posteriores e que de forma alguma são consideradas no momento dos acontecimentos.
Se você observar agora, a "ressaca moral" não é nada além de pensamentos julgando algo que já passou. Sem esses pensamentos, há apenas o que está acontecendo agora, talvez uma sensação física da ressaca ou uma emoção, mas nada pessoal..
Isso mesmo, talvez a sensação física desagradável impulsione a mente a fazer esta "cobrança", tentando imprimir um tom de pessoalidade.
Repare: o que acontece no agora não precisa de um controlador, nem de justificativa. Mesmo a reflexão sobre isso está acontecendo aqui e agora. Tudo se resolve no instante presente, onde nada está realmente fora do lugar.
Entendo.
Sim! E esse vazio não é algo a ser temido ou preenchido. O que você sente como "resistência" pode ser apenas a mente tentando trazer de volta algo familiar: a expectativa de que algo precisa acontecer ou ser alcançado, algum tipo de fé ou esperança...
Exatamente isso... Como se fosse errado não ter expectativas... Acho que ainda vem do condicionamento passado e não passa de mais uma narrativa.
Esse "algo" que parece faltar é uma construção da mente. Não há nada faltando. O vazio que surge ao deixar ir as expectativas é simplesmente a liberdade de viver sem a pressão de um futuro fixo. A mente então cria histórias sobre essa sensação de "vazio", como se fosse um problema a ser resolvido, mas na verdade, é só um espaço natural onde tudo é permitido, sem a necessidade de ser preenchido.
Fico muito feliz de você já ter alcançado essa percepção e deve ser incrível ter este entendimento estabelecido e sendo vivenciado...Acredito que naturalmente chegue a esta conclusão também, assim que todo o condicionamento e resistência se exaurirem.
Voce agora tocou em um ponto importante para o nosso diálogo!

Você já percebeu que a mente busca sempre um sentido, um referencial, uma justificativa para tudo?
Já percebi sim e como sempre fui uma pessoa lógica e centrado em metas e objetivos, digo o meu personagem, tenho bastante dificuldade em lhe dar com essa necessidade.
Mas o que há de errado com o não saber?
Estou aprendendo que não há nada de errado...
Essa necessidade de entender, de ter uma explicação para o fluxo, é só a mente tentando controlar, tentando moldar o que é livre. O fluxo da vida não precisa de um sentido fixo para acontecer; ele simplesmente é.
Faz todo o sentido!!!
O que você está realmente buscando ao tentar entender o "porquê" de tudo?
Será que não é apenas mais uma camada do controle, da necessidade de ter uma história para as coisas? No fundo, nada precisa ser compreendido. O fluxo segue sem que ninguém o direcione ou explique.

Talvez a pergunta seja: e se o não saber fosse a resposta?
Sim, é isso, a necessidade de ter uma história, um motivo para tudo... Ainda tenho um pouco de dificuldade com toda essa liberdade e incerteza que se apresentam...
Se o vazio da mente, que não pode controlar nem compreender, fosse o espaço de liberdade?
As vezes tudo parece tão surreal quanto o próprio universo ... Acho que este vazio da mente significa o fim dos condicionamentos .
O que acontece se você se permitir estar nesse não saber, sem tentar preencher esse espaço com explicações ou expectativas?
É o que pretendo vivenciar !!!! Vou me desapegar destas explicações e expectativas...

Agradeço a você por essa conversa, foi de extrema importância para mim.
Preciso muito do seu conhecimento nesta fase que estou passando.
Gostaria muito de pedir uma gentileza, sei que você já me disse que não preciso de nenhuma leitura ou material complementar e que basta focar no momento e na experiência imediata, mas me faz muito bem ler assuntos que são consonantes a tudo que estou aprendendo e vivenciando. Você tem algum livro para me indicar? Já li os da LU e os do Jed MCkenna, mas se tiver algum que foi importante para você ou que você recomendaria, seria ótimo.

Franchi

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Re: Seeking for oneness

Postby Maylson » Thu Jan 09, 2025 2:47 am

Oi Franchi, boa noite! Como está se sentindo agora, nesse momento?

Tudo bem sim, fora o momento de transição que está acontecendo onde estes questionamentos e dúvidas se apresentam e formam uma névoa de vez em quando, mas acredito fazer parte do processo. Aliado a isso, período de férias das crianças, o que significa quase ou nenhum tempo para ficar em silêncio e assimilar todos os movimentos que surgem, muita agitação e stress para administrar em casa. Ou seja, o processo fica mais turbulento, mas ao mesmo tempo acontecem mais narrativas para admirarmos e vivenciarmos, o que traz mais experiências nos cenários que se apresentam.

Franchi, deixe de lado os conceitos por um momento, observe atentamente e me diga: o que é isso que você chama de 'processo'? Ele é algo real acontecendo com 'alguém', ou apenas uma ideia sendo narrada agora?

Sem essa história de 'processo', o que resta, aqui e agora? Existe mesmo um 'você' atravessando tudo isso, ou só o movimento natural da vida?

“Acho que há resquícios daquela disciplina imposta antigamente, endereçada por crenças de necessidade de evolução e de "limpeza e purificação"... Daí vem uma sombra de sentimento de culpa.”

Sim, aparentemente, ainda existe essa narrativa na sua percepção... Mas, agora, neste momento, sem recorrer ao passado, onde estão esses resquícios?

Esses 'resquícios' de disciplina, crenças e culpa... quem exatamente os carrega?

Será que há realmente um 'alguém' aqui que precisa se purificar ou evoluir? Ou isso não é apenas mais uma história sendo contada, um pensamento surgindo?

Se deixarmos de lado toda essa bobagem de conceitos espirituais, o que estamos realmente observando aqui e agora?

Tenho insistido muito e batido nessa tecla, mas não vejo outra forma de você perceber isso a não ser vendo diretamente na sua experiência. Só observando isso diretamente, sem as histórias, é que a clareza pode surgir. Caso contrário, seria apenas perpetuar mais narrativas e se apegar ainda mais a conceitos.

“A liberdade que se apresenta quando acompanhamos o fluxo é algo as vezes assustador e gera a impressão de podemos estar usando um conceito para deixar o "trem desgovernado", mas aí vem a questão de tudo estar acontecendo dentro de um contexto, e que não há partes individuais se manifestando, mas apenas o todo fluindo.”
O ponto aqui é: existe um 'alguém' acompanhando o fluxo, ou existe apenas o 'fluxo'?

Existe uma entidade separada do todo, tentando se encaixar num fluxo/totalidade, ou isso não é apenas uma ideia ou história sendo contada?

Vamos mais a fundo: se tudo está acontecendo dentro de um contexto maior, quem exatamente é o 'alguém' que tem medo de perder o controle?

E quando você diz que não há partes individuais se manifestando, mas o todo fluindo, você percebe que até essa ideia de 'controle' ou 'autonomia' também faz parte desse todo/fluxo?

Se o medo, a insegurança, a liberdade... são todos movimentos do 'todo', não separados... Uma pergunta importante: você se identifica com o movimento ou com a história do 'eu' tentando controlar?"

“Isso mesmo, talvez a sensação física desagradável impulsione a mente a fazer esta "cobrança", tentando imprimir um tom de pessoalidade.”
Muito bem colocado! A mente trabalha com referenciais. Uma vez que uma sensação é associada a um conceito, pronto: a história começa a se formar... here it goes...

“Fico muito feliz de você já ter alcançado essa percepção e deve ser incrível ter este entendimento estabelecido e sendo vivenciado...Acredito que naturalmente chegue a esta conclusão também, assim que todo o condicionamento e resistência se exaurirem.”

Mas, me diga, quem exatamente está esperando que o condicionamento e a resistência se exauram para chegar a essa percepção? Não seria mais uma ideia ou história que a mente cria, dizendo que é necessário 'tempo' ou 'processo'?

Onde estão esse tempo e esse processo, se não nas narrativas? O que são eles, senão meros conceitos?

E se essa percepção que você fala já está aqui, no momento presente, além de qualquer resistência ou condicionamento? Não percebe que a ideia de um futuro onde isso 'acontece' é também apenas mais uma história sendo contada?"

“As vezes tudo parece tão surreal quanto o próprio universo ... Acho que este vazio da mente significa o fim dos condicionamentos.”
Sim, esse 'vazio' pode parecer surreal, mas ele é simplesmente a ausência das histórias e identificações que a mente cria. O 'vazio' não está preenchido com mais conceitos ou com a ideia de 'fim dos condicionamentos', mas sim com a clareza de que quando a mente se aquieta, o que resta não é um vazio 'cheio de nada', mas simplesmente o que já está aqui, sem as projeções da mente, sem o apego às historias.

A mente sempre quer colocar rótulos e fazer do vazio algo a ser alcançado, mas, se o observarmos diretamente, será que esse vazio não é apenas a presença do momento, sem a identificação com 'condicionamentos' ou 'processos'?

“Agradeço a você por essa conversa, foi de extrema importância para mim.
Preciso muito do seu conhecimento nesta fase que estou passando.”
Fico feliz que a conversa tenha sido significativa, mas quero deixar claro: não se trata de mais conhecimento. O que está acontecendo aqui é o oposto – é sobre abandonar a ideia de saber, é sobre mergulhar no 'não saber'. A mente sempre tenta entender, rotular e controlar, mas o ponto é justamente ir além disso. Não há nada a ser compreendido, não há respostas a serem encontradas. Só há a presença do que é, sem explicações, sem narrativas, sem a necessidade de se 'resolver'. O que você está buscando não está em mais conhecimento, mas em abrir mão de todo esse esforço de entender. É só nesse 'não saber' que a clareza pode surgir.

Gostaria muito de pedir uma gentileza, sei que você já me disse que não preciso de nenhuma leitura ou material complementar e que basta focar no momento e na experiência imediata, mas me faz muito bem ler assuntos que são consonantes a tudo que estou aprendendo e vivenciando. Você tem algum livro para me indicar? Já li os da LU e os do Jed MCkenna, mas se tiver algum que foi importante para você ou que você recomendaria, seria ótimo.
Honestamente, não tenho um livro específico que tenha sido profundamente impactante. Na verdade, percebi mudanças na minha percepção quando parei de ler livros e comecei a observar a minha experiência direta. Essa questão do consumo de conteúdo é complexa, principalmente porque não existe uma 'receita de bolo' para esse despertar. Cada indivíduo tem uma percepção única e, ao tentar transmitir isso a outros, acaba expondo de acordo com seu universo de percepção, que é humanamente limitado. Por isso, alguns conteúdos ressoam e outros não. Comigo, o que mais ressoou foi Allan Watts (muito didático e poético, eu diria), Nisargadatta Maharaj (radical e direto), e lembro que eu gostava de assistir alguns vídeos, como os do canal Soawake (Josh Putman, muito didático e empático), e Angelo Dilullo, do canal Simply Always Awake (tem vídeos sobre todos os tópicos de não-dualidade).
May.

"The moment I am aware that I am aware I am not aware. Awareness means the observer is not"
― Jiddu Krishnamurti

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Re: Seeking for oneness

Postby Franchi » Thu Jan 09, 2025 3:15 pm

Bom dia, May!!!
Estou bem, nesse momento. (rs)
Franchi, deixe de lado os conceitos por um momento, observe atentamente e me diga: o que é isso que você chama de 'processo'? Ele é algo real acontecendo com 'alguém', ou apenas uma ideia sendo narrada agora?
Não tenho a menor ideia, mas quando você questiona me parece mais um movimento de resistência, mais uma tentativa de postergar a aceitação da realidade... Mais uma narrativa ...
Sem essa história de 'processo', o que resta, aqui e agora? Existe mesmo um 'você' atravessando tudo isso, ou só o movimento natural da vida?
só resta a realidade imediata... um você se segurando a uma bóia de salva vidas, não querendo ser engolido pelo turbilhão da verdade... lógico, tudo seguindo o movimento natural da vida.
Sim, aparentemente, ainda existe essa narrativa na sua percepção... Mas, agora, neste momento, sem recorrer ao passado, onde estão esses resquícios?
apenas na memória, em alguma narrativa persistente.
Esses 'resquícios' de disciplina, crenças e culpa... quem exatamente os carrega?
nem eu sei mais... porque já não acredito mais nisso.
Será que há realmente um 'alguém' aqui que precisa se purificar ou evoluir? Ou isso não é apenas mais uma história sendo contada, um pensamento surgindo?
Ninguém em absoluto. Como sempre, mais uma história, mais um pensamento.
Se deixarmos de lado toda essa bobagem de conceitos espirituais, o que estamos realmente observando aqui e agora?
A vida acontecendo e sendo percebida na experiência imediata.
Tenho insistido muito e batido nessa tecla, mas não vejo outra forma de você perceber isso a não ser vendo diretamente na sua experiência. Só observando isso diretamente, sem as histórias, é que a clareza pode surgir. Caso contrário, seria apenas perpetuar mais narrativas e se apegar ainda mais a conceitos.
Sim, May, eu entendo e se você não insistir, talvez eu realmente fique preso a essas narrativas e fique criando ou ressuscitando conceitos.
O ponto aqui é: existe um 'alguém' acompanhando o fluxo, ou existe apenas o 'fluxo'?
Existe apenas o fluxo.
Existe uma entidade separada do todo, tentando se encaixar num fluxo/totalidade, ou isso não é apenas uma ideia ou história sendo contada?
Acredito que ainda exista uma entidade separada, mesmo que de forma ilusória, que luta para entender direito tudo o que está acontecendo, se apegando nesta história de processo ou de graduação, mesmo sabendo que isso não é verdade. Pode ser resistência, movimento ou seja lá o nome que podemos dar, mas o fato é que não tenho ainda esta percepção de estar integrado a tudo, sendo na verdade parte desta unidade.
Vamos mais a fundo: se tudo está acontecendo dentro de um contexto maior, quem exatamente é o 'alguém' que tem medo de perder o controle?
Acredito que não seja uma questão de medo de perder o controle... Acho que é algo mais relacionado a insegurança, e o alguém é este ser que ainda não se sente parte de uma unidade.
E quando você diz que não há partes individuais se manifestando, mas o todo fluindo, você percebe que até essa ideia de 'controle' ou 'autonomia' também faz parte desse todo/fluxo?
Entendo sim, só é dificil de conceber de vez em quando.
Se o medo, a insegurança, a liberdade... são todos movimentos do 'todo', não separados... Uma pergunta importante: você se identifica com o movimento ou com a história do 'eu' tentando controlar?"
Não sei ao certo, porque mesmo essa identificação ainda oscila para mim.
Mas, me diga, quem exatamente está esperando que o condicionamento e a resistência se exauram para chegar a essa percepção? Não seria mais uma ideia ou história que a mente cria, dizendo que é necessário 'tempo' ou 'processo'?
Sim, sem dúvida é mais uma história... Ainda sinto tudo muito fragmentado e talvez essa espera seja a postergação que mantém a narrativa em círculos.
Onde estão esse tempo e esse processo, se não nas narrativas? O que são eles, senão meros conceitos?
Sim, são meros conceitos. Na realidade imediata eles não existem.
E se essa percepção que você fala já está aqui, no momento presente, além de qualquer resistência ou condicionamento? Não percebe que a ideia de um futuro onde isso 'acontece' é também apenas mais uma história sendo contada?"
Pode até estar, mas a verdade é que ainda não a percebo. Sim, todas as projeções e expectativas são histórias, narrativas...
Sim, esse 'vazio' pode parecer surreal, mas ele é simplesmente a ausência das histórias e identificações que a mente cria. O 'vazio' não está preenchido com mais conceitos ou com a ideia de 'fim dos condicionamentos', mas sim com a clareza de que quando a mente se aquieta, o que resta não é um vazio 'cheio de nada', mas simplesmente o que já está aqui, sem as projeções da mente, sem o apego às historias.
Entendo isso conceitualmente, mas neste exato momento, ainda não tenho esta clareza.
A mente sempre quer colocar rótulos e fazer do vazio algo a ser alcançado, mas, se o observarmos diretamente, será que esse vazio não é apenas a presença do momento, sem a identificação com 'condicionamentos' ou 'processos'?
Concordo, mas parece fácil quando na verdade fica bastante conturbado quando estamos em uma fase quando várias coisas que demandam uma ação de nossa parte estão acontecendo. Isso parece que nos abstrai um pouco do momento e nos leva a fazer projeções.
Fico feliz que a conversa tenha sido significativa, mas quero deixar claro: não se trata de mais conhecimento. O que está acontecendo aqui é o oposto – é sobre abandonar a ideia de saber, é sobre mergulhar no 'não saber'. A mente sempre tenta entender, rotular e controlar, mas o ponto é justamente ir além disso. Não há nada a ser compreendido, não há respostas a serem encontradas. Só há a presença do que é, sem explicações, sem narrativas, sem a necessidade de se 'resolver'. O que você está buscando não está em mais conhecimento, mas em abrir mão de todo esse esforço de entender. É só nesse 'não saber' que a clareza pode surgir.
Talvez eu tenha me expressado mal, quando na verdade preciso de sua experiência e não de conhecimentos. Entendo que por vezes o conhecimento pode até atrapalhar, ainda mais nesta percepção da realidade imediata, sem rótulos, conjecturas e coisas do gênero.
Honestamente, não tenho um livro específico que tenha sido profundamente impactante. Na verdade, percebi mudanças na minha percepção quando parei de ler livros e comecei a observar a minha experiência direta. Essa questão do consumo de conteúdo é complexa, principalmente porque não existe uma 'receita de bolo' para esse despertar. Cada indivíduo tem uma percepção única e, ao tentar transmitir isso a outros, acaba expondo de acordo com seu universo de percepção, que é humanamente limitado. Por isso, alguns conteúdos ressoam e outros não. Comigo, o que mais ressoou foi Allan Watts (muito didático e poético, eu diria), Nisargadatta Maharaj (radical e direto), e lembro que eu gostava de assistir alguns vídeos, como os do canal Soawake (Josh Putman, muito didático e empático), e Angelo Dilullo, do canal Simply Always Awake (tem vídeos sobre todos os tópicos de não-dualidade).
Agradeço muito pelas suas dicas, conheço todas as fontes... (rs), com exceção do Josh Putman.... Allan Watts me "chocou" muito pela sua praticidade e simplicidade, quando eu ainda estava muito preso aos conceitos do Advaita Vedanta... Nisargadatta sempre trouxe coisas muito surpreendentes para mim porque foi minha primeira leitura sobre Não Dualismo... Talvez seja muito interessante ler novamente "Eu sou aquilo" depois de tantos anos. Angelo Dilullo foi outro autor que me chacoalhou, porque achei ele meio com jeito de maluco, mas dizendo coisas que faziam muito sentido. Talvez com o tempo reveja todo este material sobre outro prisma.
Ontem comecei a ler "The transparency of things" do Rupert Spira e me surpreendi com a abordagem mais direta e objetiva que eles está usando neste livro, pois ele sempre foi um cara muito politicamente correto e que usava uma sutileza muito grande e ponderada para fazer suas colocações.

Bom, seu amigo aqui está um pouco emperrado e acho que a insegurança que se manifesta ainda está muito atrelada a falta de certeza sobre tudo. Sempre me identifiquei muito com o não dualismo de forma conceitual, mas depois que fui entender o tamanho da "bagunça" que é a vida e o "universo" quando nos despimos de nossas crenças e conceitos. Bagunça é maneira de dizer, quando na verdade as coisas ficam muito mais simples e descomplicadas. Viver o não dualismo é algo muito diferente de tudo o que já aprendemos e pensamos que era verdade. Além do quê, é uma jornada solitária...

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Re: Seeking for oneness

Postby Franchi » Thu Jan 09, 2025 8:58 pm

overseeking is an addictive behavior. it is a sense that we must move out into the realm of the outer world to find a missing peace because there is just a sense that something is missing until that sense of something is missing begins to dissolve into this present moment then lacking will drive the seeking machine
Josh Putman

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Re: Seeking for oneness

Postby Maylson » Fri Jan 10, 2025 8:47 pm

Boa tarde, Franchi!


Como foi a semana? Como estão as crianças ai nesse periodo de férias?

“Sim, são meros conceitos. Na realidade imediata eles não existem.”
Sim, não existe nada além da realidade imediata! Qualquer conceito de um "além", de um "depois" ou de um "mais" só pode surgir aqui e agora. Esta é a única realidade disponível: o que aparece neste instante, exatamente como aparece.
Procurar por algo além do imediato é a mente fabricando uma distância ou um "outro lugar", mas essa distância também faz parte do que está presente. Mesmo a busca por um "além" é apenas mais uma expressão da própria realidade imediata. Não há "fora" dela. Basta olhar para sua experiência direta, nada além disso é necessário para perceber isso!

“Concordo, mas parece fácil quando na verdade fica bastante conturbado quando estamos em uma fase quando várias coisas que demandam uma ação de nossa parte estão acontecendo. Isso parece que nos abstrai um pouco do momento e nos leva a fazer projeções.”

Sim, isso é algo comum. Quando muitas demandas surgem, a mente tende a entrar em um fluxo de projeções e planejamentos, como se estivesse tentando controlar ou organizar o “caos”. Mas o curioso é que, mesmo nessas fases intensas, toda essa "confusão" só está acontecendo aqui e agora.
O que chamamos de abstração ou projeção é apenas mais um movimento aparecendo. As ações, os pensamentos sobre o futuro, as emoções que surgem... tudo isso é parte do momento presente, não algo separado dele. A ilusão acontece quando acreditamos que somos as projeções ou que precisamos lutar contra elas para voltar ao agora.
Na prática, é menos sobre tentar "parar" as projeções e mais sobre perceber que elas não te levam para longe. Mesmo no meio da “confusão”, você pode notar que tudo está exatamente onde sempre esteve: acontecendo agora.

“Bom, seu amigo aqui está um pouco emperrado e acho que a insegurança que se manifesta ainda está muito atrelada a falta de certeza sobre tudo. Sempre me identifiquei muito com o não dualismo de forma conceitual, mas depois que fui entender o tamanho da "bagunça" que é a vida e o "universo" quando nos despimos de nossas crenças e conceitos. Bagunça é maneira de dizer, quando na verdade as coisas ficam muito mais simples e descomplicadas. Viver o não dualismo é algo muito diferente de tudo o que já aprendemos e pensamos que era verdade. Além do quê, é uma jornada solitária...”

Essa sensação de "emperramento" acontece especialmente quando a insegurança ainda está vinculada à busca por certezas. O objetivo aqui não é entregar respostas definitivas ou certezas, na verdade, é desmantelar justamente a necessidade de que elas existam, rsrs.

Quanto à sensação de solidão, quando você se desprende das crenças e conceitos, também dissolve a separação que cria a ideia de estar só. A vida, com todas as suas nuances, está plenamente presente aqui, incluindo essa sensação de "jornada". E isso já é o suficiente.

O ponto talvez seja não esperar por certezas ou pela dissolução total da insegurança, mas se abrir para a experiência como ela é, com tudo o que traz, inclusive o desconforto. Se há solidão, abrace-a, seja a solidão; se há desconforto, abrace-o, seja o desconforto. É a única maneira de perceber que essas sensações não são os conceitos que achamos que são, e, assim como tudo que se manifesta, são impermanentes. Talvez assim você possa perceber que até mesmo essa sensação de "jornada solitária" é apenas mais um movimento acontecendo no agora, sem ninguém que realmente a carregue.


“overseeking is an addictive behavior. it is a sense that we must move out into the realm of the outer world to find a missing peace because there is just a sense that something is missing until that sense of something is missing begins to dissolve into this present moment then lacking will drive the seeking machine”

Sim,, essa busca pode ser um vício, como se a próxima "dose" estivesse sempre fora do alcance... É como se a mente projetasse um vazio no momento presente e então, acreditasse que precisa preenchê-lo buscando algo "lá fora". Esse senso de falta, essa sensação incômoda de que algo está ausente, é o combustível dessa “máquina da busca”.Ou seja, o próprio esforço de buscar reforça a ilusão de que há algo a ser encontrado.


Um amigo me enviou esse video e acho que voce pode gostar, pois aborda essas questões:
https://www.youtube.com/watch?v=QJkBL2LSfZc
May.

"The moment I am aware that I am aware I am not aware. Awareness means the observer is not"
― Jiddu Krishnamurti

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Re: Seeking for oneness

Postby Franchi » Fri Jan 10, 2025 9:10 pm

Boa tarde, May !!!
Essa foi toma lá, dá cá !!!! (rs.)
A semana tem sido ótima e proveitosa.
As crianças estão como deveriam estar, terríveis !!!! (rs.)
Mas estamos todos bem!!!
E você por aí, já retornou ao ritmo normal ?
Sim, não existe nada além da realidade imediata! Qualquer conceito de um "além", de um "depois" ou de um "mais" só pode surgir aqui e agora. Esta é a única realidade disponível: o que aparece neste instante, exatamente como aparece.
Procurar por algo além do imediato é a mente fabricando uma distância ou um "outro lugar", mas essa distância também faz parte do que está presente. Mesmo a busca por um "além" é apenas mais uma expressão da própria realidade imediata. Não há "fora" dela. Basta olhar para sua experiência direta, nada além disso é necessário para perceber isso!
Concordo plenamente! As coisas estão começando a clarear e a encaixar mais no meu entendimento e percepção.
Sim, isso é algo comum. Quando muitas demandas surgem, a mente tende a entrar em um fluxo de projeções e planejamentos, como se estivesse tentando controlar ou organizar o “caos”. Mas o curioso é que, mesmo nessas fases intensas, toda essa "confusão" só está acontecendo aqui e agora.
O que chamamos de abstração ou projeção é apenas mais um movimento aparecendo. As ações, os pensamentos sobre o futuro, as emoções que surgem... tudo isso é parte do momento presente, não algo separado dele. A ilusão acontece quando acreditamos que somos as projeções ou que precisamos lutar contra elas para voltar ao agora.
Na prática, é menos sobre tentar "parar" as projeções e mais sobre perceber que elas não te levam para longe. Mesmo no meio da “confusão”, você pode notar que tudo está exatamente onde sempre esteve: acontecendo agora.
Sim, tudo faz parte do agora e desde que mantenhamos a atenção no momento, aquele ar de urgência maximizado pelas projeções deixa de ter o seu peso, passando a se tornar mais um movimento...
Se está tudo acontecendo junto é porque assim tem que ser e não há nenhum drama nisso. Let it flow .. Let it be ...
Essa sensação de "emperramento" acontece especialmente quando a insegurança ainda está vinculada à busca por certezas. O objetivo aqui não é entregar respostas definitivas ou certezas, na verdade, é desmantelar justamente a necessidade de que elas existam, rsrs.
Não faz mais sentido esta busca sobre ter certeza ou a necessidade de ter certeza... Parece que houve alguma mudança neste paradigma e a verdade é que pouco importa o que o certo ou não... Só importa o que é...
Quanto à sensação de solidão, quando você se desprende das crenças e conceitos, também dissolve a separação que cria a ideia de estar só. A vida, com todas as suas nuances, está plenamente presente aqui, incluindo essa sensação de "jornada". E isso já é o suficiente.
É verdade, porque solidão no caso seria referente a poder compartilhar tudo isso sobre a vida e o universo com alguém, porque é tudo muito empolgante. Mas agora entendo que mesmo cada um tendo suas crenças, filosofias, religiões, doutrinas, comportamentos e condutas, ninguém precisa compartilhar nada com ninguém, porque tudo se manifesta como tem de ser e em última instância, quem vai compartilhar o que com quem???
O ponto talvez seja não esperar por certezas ou pela dissolução total da insegurança, mas se abrir para a experiência como ela é, com tudo o que traz, inclusive o desconforto. Se há solidão, abrace-a, seja a solidão; se há desconforto, abrace-o, seja o desconforto. É a única maneira de perceber que essas sensações não são os conceitos que achamos que são, e, assim como tudo que se manifesta, são impermanentes. Talvez assim você possa perceber que até mesmo essa sensação de "jornada solitária" é apenas mais um movimento acontecendo no agora, sem ninguém que realmente a carregue.
Não há mais nada para esperar, May, só para vivenciar ... O que vier será benvindo, e se houver alguma oscilação, será benvinda também.
Sentimentos, pensamentos, sensações, mente, o que importa ??? Só a consciência permanece, só a consciência é.
Sim,, essa busca pode ser um vício, como se a próxima "dose" estivesse sempre fora do alcance... É como se a mente projetasse um vazio no momento presente e então, acreditasse que precisa preenchê-lo buscando algo "lá fora". Esse senso de falta, essa sensação incômoda de que algo está ausente, é o combustível dessa “máquina da busca”.Ou seja, o próprio esforço de buscar reforça a ilusão de que há algo a ser encontrado.
Estes dizeres foram como um interruptor para mim... Me notei claramente nesta busca desenfreada por algo que não precisava mais, porque já tinha ... É como aquela analogia de procurar os óculos que estão em sua cabeça, ou o colar que está em seu pescoço...

Vou assistir ao vídeo e depois comento com você !!! Agradeço pelo link!!!

Tenha um ótimo final de semana!!!


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