Comprendo o que estás a dizer - acho eu!Estou olhando para vários objetos em uma estante. A experiência é uma só: padrões de cor. Creio que o problema é que estou me esforçando para ver a experiência como uma coisa só, e fico fixado neste pensamento/emoção.
Mas não percebo porque é que pensas que tens de te esforçar para ver a experiência como sendo uma coisa só.
Precisamente, a dificuldade é 0. E depois os pensamentos parecem dividir a realidade em partes.Na verdade, a dificuldade em ver a experiência como uma só é 0. Quando olho, lá está. Aí entra um pensamento/emoção dizendo que estou vendo vários objetos.
Os pensamentos são como são e fazem o que fazem.
Achas que isso é um problema? Que não devia ser assim? Mas porquê?
Não percebo porque é que te esforças para alterar a tua perceção!
De onde é que vem essa ideia de que ter a perceção de uma realidade fragmentada é um problema e devia mudar?
Oh meu Deus! Mas porque é que deveria ser de outra maneira?Outra instância. Minha esposa está na sala comigo. Estou novamente “tentando” vê-la como parte da experiência. É claro e óbvio (dificuldade 0) que aquela imagem faz parte da experiência, assim como o som que emite quando fala, o toque quando estamos em contato, etc. Porém, surge um pensamento dizendo que estou vendo algo separado. Surge também uma irritação por estar vendo objetos separados e não conseguir ver a experiência (minha esposa, os objetos na sala, meu próprio corpo, etc.) apenas como padrões de cores.
Lembrei-me agora que faço parte de um grupo no Facebook onde o objetivo é fazer o "Inquiry into the Ten Fetters", um inquérito semelhante a este, de origem budista, onde é feita uma "deconstrução" da realidade com vista a obter a iluminação, após inquirir sobre as várias ilusões que formam aquilo a que chamamos realidade. Mas isto é feito depois de verem que o eu é uma ilusão.
Repara que se é verdade que o eu separado é uma ilusão, tudo o que te acontece a ti e aos outros faz parte dessa ilusão. O que inclui ser fisgado pelas histórias. Ser fisgado pelas histórias é uma das formas de manifestação da ilusão.Sim, tenho essa expectativa. Afinal, como ver a ilusão do eu separado e ainda ser fisgado pelas histórias? Ser fisgado não significa justamente acreditar na existência deste eu separado?
Quando sabes que um arco iris é uma ilusão provocada por certas condições atmosféricas não deixas de olhar para o céu e de pensar "olha um arco iris!". A ilusão continua a aparecer e a parecer real.
O que é que se esquece? É um eu real?O que eu quis dizer é que por vezes, momentaneamente “esqueço-me” disto e sou fisgado pelo pensamento, acreditando em seu conteúdo.
O que é que é fisgado por um pensamento? É um eu real?
É possível ver, cheirar, tocar, ouvir um eu?
Além de pensamentos sobre pensamentos -- vês alguma evidência de que este eu que se esquece é mais do que um pensamento?
O que é que vê, o que é que sabe, o que é que acredita?Exemplos são ver objetos separados e não padrões de cores (posso até vê-los como separados, mas saber que são apenas uma experiência) e acreditar que sou eu quem toma uma decisão quando a mesma surge sozinha do nada.
Não penses nas respostas.
Olha à tua volta.
Vês alguma evidência que um eu está presente aqui, agora?
Abraço,
S

