À procura do entendimento

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Re: À procura do entendimento

Postby Canfora » Thu Nov 22, 2018 1:11 pm

O eu para mim é a solidez do corpo.
Observa. O que é que vês? Isso é uma característica do corpo ou um eu real?
Para mim o eu está junto ao estômago.
E esse eu é real? Como é que sabes que há um eu junto ao estômago? Consegues ver, sentir, ouvir, tocar este eu que dizes que está junto ao estômago?

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Re: À procura do entendimento

Postby Tigwar » Fri Nov 23, 2018 2:04 am

O eu para mim é a solidez do corpo.
Observa. O que é que vês? Isso é uma característica do corpo ou um eu real?
Vejo sensações em todo o corpo, algumas mais intensas. É uma característica do corpo.

Para mim o eu está junto ao estômago.
E esse eu é real? Como é que sabes que há um eu junto ao estômago? Consegues ver, sentir, ouvir, tocar este eu que dizes que está junto ao estômago?
Parece que está cá há tanto tempo que não o largo. Não o consigo sentir.

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Re: À procura do entendimento

Postby Canfora » Fri Nov 23, 2018 4:18 pm

Se não sentes esse eu, como é que sabes que existe? Tenho a impressão de que estás a imaginá-lo.

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Re: À procura do entendimento

Postby Tigwar » Fri Nov 23, 2018 6:27 pm

Se não sentes esse eu, como é que sabes que existe? Tenho a impressão de que estás a imaginá-lo.

Há aqui algo que gostava de esclarecer. Tenho respondido com base na intuição ou seja com base no "feeling". No entanto suspeito que pode haver aqui alguma distorção e que possa estar a fazer auto sabotagem.
Quando sinto que estou muito consciente o meu modo de operar costuma ser agir com base nas sensações do corpo, porque a mente entra em conflito e confusão. É frequente não saber como proceder nas decisões de rotina.

Voltando à resposta anterior quando digo que "Está cá à tanto tempo que não o largo" é uma resposta intima. O "não o consigo sentir" nem por isso.

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Re: À procura do entendimento

Postby Canfora » Sat Nov 24, 2018 3:13 pm

Pensa em como é que sabes se algo é real ou não. E aplica aquilo que te permite saber a diferença nesta exploração sobre o eu.

Por exemplo, é fácil saber que o Pai Natal não existe e é fácil confirmar a existência de um copo no teu armário da cozinha.

Ver se um eu existe segue os mesmos princípios. É seguir o mesmo processo que te permite saber que o Pai Natal é uma personagem inventada ou verificar se as chaves da tua casa estão no sítio onde as costumas colocar.

Tens de usar os sentidos. Para ver a diferença entre algo inventado e algo concreto.

Para saberes onde estão as chaves olhas e pronto, lá estão elas (ou não e nesse caso continuas à procura até as encontrares).

Não precisas de usar a intuição, não precisas de tomar decisões, etc, etc.

Aquilo a que chamamos realidade está sempre disponível aqui e agora, à frente dos nossos narizes, basta olhar, ouvir, sentir, tocar, saborear. E é essa realidade que tens de observar para veres se um eu é real. Isto porque se um eu real existe tem de estar aqui, agora, tem de ser algo separado, sólido, permanente. Tem de ser fácil de encontrar, tal como as chaves ou o copo. E se não existe, não está aqui.

Pare veres se um eu é real ou não tens de procurá-lo e, quando pensas que o encontras-te ou que algo é o eu, tens de observar se é um eu ou não.

Compreendes o que digo ou tens dúvidas?

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Re: À procura do entendimento

Postby Tigwar » Sun Nov 25, 2018 4:12 pm

Pensa em como é que sabes se algo é real ou não. E aplica aquilo que te permite saber a diferença nesta exploração sobre o eu.

Por exemplo, é fácil saber que o Pai Natal não existe e é fácil confirmar a existência de um copo no teu armário da cozinha.

Ver se um eu existe segue os mesmos princípios. É seguir o mesmo processo que te permite saber que o Pai Natal é uma personagem inventada ou verificar se as chaves da tua casa estão no sítio onde as costumas colocar.

Tens de usar os sentidos. Para ver a diferença entre algo inventado e algo concreto.

Para saberes onde estão as chaves olhas e pronto, lá estão elas (ou não e nesse caso continuas à procura até as encontrares).

Não precisas de usar a intuição, não precisas de tomar decisões, etc, etc.

Aquilo a que chamamos realidade está sempre disponível aqui e agora, à frente dos nossos narizes, basta olhar, ouvir, sentir, tocar, saborear. E é essa realidade que tens de observar para veres se um eu é real. Isto porque se um eu real existe tem de estar aqui, agora, tem de ser algo separado, sólido, permanente. Tem de ser fácil de encontrar, tal como as chaves ou o copo. E se não existe, não está aqui.

Pare veres se um eu é real ou não tens de procurá-lo e, quando pensas que o encontras-te ou que algo é o eu, tens de observar se é um eu ou não.

Compreendes o que digo ou tens dúvidas?
Sim. Francamente não vejo nenhum eu

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Re: À procura do entendimento

Postby Tigwar » Sun Nov 25, 2018 4:13 pm

Pensa em como é que sabes se algo é real ou não. E aplica aquilo que te permite saber a diferença nesta exploração sobre o eu.

Por exemplo, é fácil saber que o Pai Natal não existe e é fácil confirmar a existência de um copo no teu armário da cozinha.

Ver se um eu existe segue os mesmos princípios. É seguir o mesmo processo que te permite saber que o Pai Natal é uma personagem inventada ou verificar se as chaves da tua casa estão no sítio onde as costumas colocar.

Tens de usar os sentidos. Para ver a diferença entre algo inventado e algo concreto.

Para saberes onde estão as chaves olhas e pronto, lá estão elas (ou não e nesse caso continuas à procura até as encontrares).

Não precisas de usar a intuição, não precisas de tomar decisões, etc, etc.

Aquilo a que chamamos realidade está sempre disponível aqui e agora, à frente dos nossos narizes, basta olhar, ouvir, sentir, tocar, saborear. E é essa realidade que tens de observar para veres se um eu é real. Isto porque se um eu real existe tem de estar aqui, agora, tem de ser algo separado, sólido, permanente. Tem de ser fácil de encontrar, tal como as chaves ou o copo. E se não existe, não está aqui.

Pare veres se um eu é real ou não tens de procurá-lo e, quando pensas que o encontras-te ou que algo é o eu, tens de observar se é um eu ou não.

Compreendes o que digo ou tens dúvidas?
Sim. Francamente não vejo nenhum eu.

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Re: À procura do entendimento

Postby Canfora » Mon Nov 26, 2018 10:20 am

E o que é que pensas e sentes sobre isso?

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Re: À procura do entendimento

Postby Tigwar » Mon Nov 26, 2018 1:41 pm

Estou bastante feliz e contente :)

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Re: À procura do entendimento

Postby Tigwar » Tue Nov 27, 2018 12:12 am

Sinto-me um bocado maluco para ser sincero

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Re: À procura do entendimento

Postby Canfora » Tue Nov 27, 2018 1:54 pm

Bom, porque é que dizes isso? O que é que dirias que aconteceu? Consegues descrever?

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Re: À procura do entendimento

Postby Tigwar » Tue Nov 27, 2018 5:08 pm

Bom, porque é que dizes isso? O que é que dirias que aconteceu? Consegues descrever?
Secalhar estou a complicar. Opa há momentos em que todo flui desobstruído outros em que há muita confusão e falta de direçao. Tipo um certo desinteresse pela maioria das coisas.

Ao longo desta "caminhada" tem surgido muita dúvida, suponho que isso faça parte. É curioso e quase cómico é que quando penso assunto passado uns dias já o vejo numa perspetiva diferente.

O que sinto é uma enorme vontade de realização, de libertação. Achas que o que estamos aqui a fazer vai de encontro a esta "urgência"?

Grato.

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Re: À procura do entendimento

Postby Canfora » Wed Nov 28, 2018 12:30 pm

Sim, eu acho que quem começa a fazer esta exploração sente a urgência de se realizar, de se libertar. Eu sentia. Assim como a necessidade de mudar, de deixar de ser como sou. Mas, de certa forma, esta exploração não leva propriamente à realização, à libertação, à mudança. A imagem que me aparece sempre quando penso nisto da urgência da busca é a de um balão muito cheio, prestes a rebentar, o qual, à medida que esta exploração avança, vai perdendo gradualmente ar.
É improvável que esta exploração te leve a uma meta onde alcances a realização definitiva e a libertação absoluta. Mas é muito possível que, a determinada altura, o balão fique vazio, deixes de sentir essa urgência e te burrifes para esse ideal de alcançar a perfeição. O que é muito libertador! Este não é um caminho que leva à transcendência, é um caminho que leva a uma maior compreensão e aceitação.
Ao longo desta "caminhada" tem surgido muita dúvida, suponho que isso faça parte. É curioso e quase cómico é que quando penso assunto passado uns dias já o vejo numa perspetiva diferente.
Sim, é normal. As nossas perspectivas mudam. Mas repara que a "paisagem" é sempre a mesma. O que existe está presente aqui e agora. É o que neste momento podes ver e sentir - independentemente da tua perspectiva atual. E é nessa "paisagem" que podes ver aquilo para que eu estou a apontar. A perspectiva pessoal vai continuar a aparecer, mas é sempre possível ver o que está aqui, tal como é.

Mas para isso tens de por de lado aquilo que pensas sobre o que está aqui e as tuas expetativas sobre o que gostarias que acontecesse, assim como os teus medos.

Basta olhar. Se um eu existe, tem de estar aqui. Assim sendo, se um eu real existe, tens de conseguir encontrá-lo. O que é que acontece quando procuras um eu? O que é que vês? O que é que não vês?

Essse eu que tem dúvidas, se sente confuso e procura realizar-se e libertar-se... consegues encontrá-lo?

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Re: À procura do entendimento

Postby Tigwar » Thu Nov 29, 2018 1:11 am

Obrigado Canfora


Observo a confusão e vejo sensações na cabeça. As sensações estão a mudar, não sou "eu". Observo o campo visual, estou a escrever, os dedos estão a pressionar as teclas, mas existe um pensamento que diz que sou "eu" que estou a escrever. Observo esse pensamento. Não vejo ninguém.
Sinto o calor do aquecedor na cara, a cara reage ao calor. Não é a minha cara.
Observo a dor no interior do "estômago". É uma dor que está presente de forma aparentemente contínua. Observo com mais atenção, e reparo que é só uma dor.

Fico um bocado triste por não haver nenhum eu. Quero alguma coisa que "justifique" a minha dor, e não encontro nada para me agarrar. Observo a tristeza, não há nada que fique triste.

Observo o desejo profundo de realização. Redirecionar-me para a dor na zona do estômago. Surge o pensamento que "só posso ser realizado se me libertar desta dor no estômago". Observo de novo a dor e não há nenhum eu.
Há sensações por todo o corpo, umas mais subtis e agradáveis outras grosseira. Não encontro ninguém que esteja a sentir as sensações. Surge um pensamento de "confusão". Observo o pensamento, e redireciona-me para sensações subtis no interior da cabeça. Não são minhas as sensações.
Há a visão com as diferentes cores, com a sua riqueza. "Quem está a ver?" Não há ninguém que esteja a ver
Há o olfato - cheiro o gorro que tinha vestido. "Quem está a cheirar?" Há simplesmente cheiro, ninguém está a cheirar
Surge o pensamento de "ter percebido o exercício". Imediatamente surge a emoção de confusão que, ao observar, noto que são sensações no interior na cabeça.


Estou um bocado perplexo com tudo isto xD
Tenho os meus thoughts no assunto, mas vou ver primeiro o que tens a dizer sobre isto.

Um abraço,
F

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Re: À procura do entendimento

Postby Canfora » Thu Nov 29, 2018 3:54 pm

Viva F,

Ena, tens jeito para isto. Obrigada pelo teu post.

Comentários. Fiquei com a impressão que estás um bocadinho preso ao "pensamento a preto e branco". Ou seja, ou sim ou sopas. Quando escreves que "não há nada" passas do "há um eu" para um "não há nada". O que não corresponde propriamente àquilo a que podemos chamar verdade. Se eu te pedir para me mostrares este "não há nada" torna-se óbvio que o "nada" só existe de uma forma conceptual, como uma ideia que é oposta à ideia de que há algo.

Mas quando passamos de "sou um eu" para "não existe um eu", corremos o risco de, tal como dizes criar confusão, medo, perplexidade, dúvidas. Provavelmente porque é por demais evidente que tu existes. A questão é se este "tu" que existe é um eu, um sujeito, uma coisa separada da vida, independente, permanente.

Engraçado como reparaste que o que está a acontecer não é pessoal nem está "linkado" a um eu. Pergunto-me porque é que te sentiste um bocado triste. Este eu que acreditavas que era algo de sólido, pessoal, vai continuar a surgir como a ilusão que é. Quando as condições estão "alinhadas", a ilusão do eu acontece. Tal como a ilusão do arco-íris ou aquelas miragens de água na estrada nos dias quentes. Repara que, se é verdade que um eu real não existe, tudo o que experimentaste anteriormente aconteceu sem a existência de um eu real. Apesar de este eu parecer tão real.

Espero não ter complicado. Se tens dúvidas sobre o que escrevi diz, se faz favor.
Tenho os meus thoughts no assunto
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Bjs,
S


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