Alguém para me guiar nesta busca?

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Canfora
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Re: Alguém para me guiar nesta busca?

Postby Canfora » Fri Dec 28, 2018 7:38 pm

Olá Viajante.

Bonito post! Entretanto descobriste mais alguma coisa?
No fim fica essa sensação de ser esse que de alguma forma está, no mínimo, percebendo a experiência e pensando. Existe alguma identificação com os pensamentos ainda.
Achas que isto é um problema? O que é que se identifica com os pensamentos?
Não é o eu angustiado que cria a sensação, mas a sensação que cria o eu angustiado :)
E as sensações têm a capacidade ou o poder de criar algo?

Abraço,
S

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Re: Alguém para me guiar nesta busca?

Postby Viajante » Fri Dec 28, 2018 11:40 pm

Olá Sandra!

Obrigado por responder mesmo nesses dias de festividade, espero que tenha tido um ótimo Natal!

Vou tentar manter uma comunicação diária, ou no máximo a cada dois dias, daqui pra frente. É hora de ver isso de uma vez por todas.
Bonito post! Entretanto descobriste mais alguma coisa?
Acho que as coisas estão ficando mais claras. Na experiência imediata só existe o que é visto, ouvido, pensado, sentido, cheirado e saboreado. O que parece criar a ilusão é não ver os pensamentos apenas como pensamentos (rótulos), e acabar sendo absorvido pelo seu conteúdo, acreditando nele.

Tenho visto como a mente parece ser uma máquina que passa o dia rotulando partes da experiência, sem inteligência alguma, que esses rótulos parecem ser frutos de puro condicionamento , e que na maioria das vezes eles estão equivocados, ou são no mínimo uma simplificação grosseira da realidade que tentam descrever.

Estive também procurando o "doer" em cada sentido, e ele não é encontrado. Além disso tenho percebido que é útil separar claramente as sensações dos pensamentos associados a elas, percebendo que possuem existências independentes.
Achas que isto é um problema? O que é que se identifica com os pensamentos?
Na experiência imediata, nada se identifica com os pensamentos. As vezes é possível ver um segundo pensamento dizendo "eu tive esse pensamento", o que claro não passa de outro pensamento. As vezes também percebo uma sensação no peito e na garganta associados a esse "eu tive esse pensamento", e nessas horas separar o pensamento da sensação ajuda a clarear as coisas.

Ainda assim, de alguma forma ainda me identifico a maior parte do tempo com os pensamentos. E também percebo como a ilusão fica mais forte quando estou em alguma interação social. As vezes existe uma breve experiência de não-dualismo, mas ainda não totalmente clara.
E as sensações têm a capacidade ou o poder de criar algo?
Não. Os pensamentos sobre o eu são apenas rótulos associados a elas.

Meu foco tem sido tentar perceber a realidade sem ser absorvido pelo conteúdo dos pensamentos, mas não tem sido uma tarefa fácil. Nessas horas também noto vários pensamentos tentando atrapalhar a investigação, tais como "você ainda não tem o número de horas de meditação necessárias para manter a atenção necessária nessa investigação", mas ajuda quando percebo esses pensamentos apenas como pensamentos.

Até mais,
Cordialmente,
Viajante

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Re: Alguém para me guiar nesta busca?

Postby Viajante » Sat Dec 29, 2018 8:32 pm

Atualizando.

Quando me pergunto, "na experiência imediata, existe um eu fazendo essa investigação?", consigo ver que há apenas pensamentos sobre esse "eu", uma história de um "eu" fazendo a investigação. Parte dessa história, inclusive, é que "eu estou percebendo a mim fazendo essa investigação" - um truque interessante da mente. Mas no fim tudo não passa de pensamentos, e não é possível ver um "eu" por trás de nenhum deles.

Entretanto, apesar de perceber que não há nada tangível por trás dessa história, nada acontece. Não sei se expectativas estão atrapalhando a percepção clara das coisas. No passado já tive, com sua ajuda, uma experiência de no-self, que durou alguns poucos segundos, onde ficou absolutamente claro que o "eu" não passava de uma história, e que o passado e futuro não existiam. Não sei se esperar que isso aconteça novamente está a me atrapalhar.

A investigação continua.

Até mais,
Cordialmente,
Viajante

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Re: Alguém para me guiar nesta busca?

Postby Viajante » Sun Dec 30, 2018 12:24 am

Também tenho percebido um certo medo ao tentar ver esse nada que aparentemente está por trás dessa ideia de "eu" - um aperto no estômago, peito e um nó na garganta.

Perdão pela quantidade de informações.
Cordialmente,
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Re: Alguém para me guiar nesta busca?

Postby Canfora » Thu Jan 03, 2019 3:22 pm

Olá Viajante, desejos de um excelente 2019 e desculpa por demorar a responder. A minha rotina foi alterada pela época festiva.

Obrigada pelos teus posts. Estás a ir no bom caminho mas aqui e ali vão aparecendo umas ideias feitas que provavelmente merecem alguma reflexão.
de alguma forma ainda me identifico a maior parte do tempo com os pensamentos.
A que é que chamas identificar-te com os pensamentos? Consegues descrever o que acontece em termos de experiência?
Além disso tenho percebido que é útil separar claramente as sensações dos pensamentos associados a elas, percebendo que possuem existências independentes.
Como é que sabes que existe separação entre pensamentos e sensações? O fato de serem aparentemente diferentes, significa que existe uma separação real entre sensações e pensamentos?

O que é que entendes por separação? Consegues dar-me alguns exemplos de separação?
Também tenho percebido um certo medo ao tentar ver esse nada que aparentemente está por trás dessa ideia de "eu" - um aperto no estômago, peito e um nó na garganta.
Dirias que o nada existe? Pensas que é possível veres que não és nada?

Por trás desse medo, o que é que está? Se olhares para o medo, o que vês? Quando observas, este eu que aparentemente está em risco e sente medo pode ser encontrado em algum lado?

Abraço,
S

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Re: Alguém para me guiar nesta busca?

Postby Viajante » Sat Jan 05, 2019 12:49 am

Olá Sandra, um incrível 2019 para você também, de coração!
A que é que chamas identificar-te com os pensamentos? Consegues descrever o que acontece em termos de experiência?
Os pensamentos surgem e acredito que são meus pensamentos. Noto que continuo sempre a interpretar a experiência da seguinte forma: "Sou o corpo - no mínimo o cérebro e o que mais for necessário para ele funcionar. O corpo então possui consciência, e nela cria uma representação de si mesmo, e do ambiente, para poder se guiar. Assim, eu sou o corpo, usando essa representação do ambiente para me guiar". E por interpretar dessa forma, acaba não importando muito se os pensamentos parecem surgir do nada, sem um "doer", eles acabam sempre sendo "meus".

Eu sei que isso é puramente teórico. Mas no fim sempre penso que imaginar algo diferente disso seja "wishful thinking".
Como é que sabes que existe separação entre pensamentos e sensações? O fato de serem aparentemente diferentes, significa que existe uma separação real entre sensações e pensamentos?
Boa pergunta. De fato é difícil dizer que existe uma separação real entre eles apenas por serem aparentemente diferentes. Essa separação parece ser uma projeção da mente, que cria dois conceitos.
O que é que entendes por separação? Consegues dar-me alguns exemplos de separação?
Entendo por separação existências independentes entre si. Um exemplo sou eu e o ambiente. Mas me perguntar se eu, meus pensamentos, e o ambiente somos separados por parecerem diferentes, me fez pensar..
Dirias que o nada existe? Pensas que é possível veres que não és nada?
Penso que o nada não existe. Penso que no máximo é possível perceber que não há um "eu" onde eu imaginava que estaria. Mas também imagino que dê para se ter a experiência do "vazio" que a maioria dos autores cita.
Por trás desse medo, o que é que está? Se olhares para o medo, o que vês? Quando observas, este eu que aparentemente está em risco e sente medo pode ser encontrado em algum lado?
É possível apenas encontrar pensamentos sobre esse eu e sensações na garganta, peito e estômago.
Cordialmente,
Viajante

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Re: Alguém para me guiar nesta busca?

Postby Viajante » Mon Jan 07, 2019 3:01 am

Olá Sandra, atualizando:
A que é que chamas identificar-te com os pensamentos? Consegues descrever o que acontece em termos de experiência?
Tenho me questionado o que faz com que aquilo que é visto, ouvido, sentido ou pensado pareçam "meus" ou "eu" e não simplesmente imagens, sons, sensações e pensamentos.

As vezes consigo perceber como a mente sutilmente rotula essas percepções com um pensamento dizendo que "eu" estou os percebendo. Os rótulos as vezes são a imagem desse corpo vendo, ouvindo, sentindo. Perceber como o que é pensado passa a ser "meu" ou "eu" parece ser um pouco mais difícil.

Também percebo como rotular algo como "meu" ou "eu", não o torna meu ou eu.

Parece que também existe essa crença de que um eu é necessário para que essas percepções aconteçam. Mas tem ficado mais evidente que isso não é verdade.
Cordialmente,
Viajante

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Re: Alguém para me guiar nesta busca?

Postby Canfora » Mon Jan 07, 2019 4:46 pm

Olá Viajante!
Os pensamentos surgem e acredito que são meus pensamentos. Noto que continuo sempre a interpretar a experiência da seguinte forma: "Sou o corpo - no mínimo o cérebro e o que mais for necessário para ele funcionar. O corpo então possui consciência, e nela cria uma representação de si mesmo, e do ambiente, para poder se guiar. Assim, eu sou o corpo, usando essa representação do ambiente para me guiar". E por interpretar dessa forma, acaba não importando muito se os pensamentos parecem surgir do nada, sem um "doer", eles acabam sempre sendo "meus".

Eu sei que isso é puramente teórico. Mas no fim sempre penso que imaginar algo diferente disso seja "wishful thinking".
Compreendo. Mas olhando com maior profundidade, o que é que faz com que o corpo seja "eu"?
Olhando por partes, um dedo, a pele, um osso, podem ser um eu?
Vês alguma razão lógica para dizer que corpo = eu?
De fato é difícil dizer que existe uma separação real entre eles apenas por serem aparentemente diferentes. Essa separação parece ser uma projeção da mente, que cria dois conceitos.
Parece ser ou é? Não é a atenção separada que lhes dás que faz com que pareçam ser separados?
Neste momento estão a acontecer dezenas de coisas à tua volta.
O fato de só te aperceberes de algumas faz com que as outras estejam de alguma forma "separadas" do que está a acontecer?
Entendo por separação existências independentes entre si. Um exemplo sou eu e o ambiente. Mas me perguntar se eu, meus pensamentos, e o ambiente somos separados por parecerem diferentes, me fez pensar..
Ah! Mas tu não és também esse ambiente? O corpo não é também "ambiente"?
Observa o que está aí. Existe algo no que te rodeia que não faça parte do ambiente? O ambiente não é um todo, completo, inseparável?
Penso que o nada não existe. Penso que no máximo é possível perceber que não há um "eu" onde eu imaginava que estaria. Mas também imagino que dê para se ter a experiência do "vazio" que a maioria dos autores cita.
Penso que se pode imaginar essa experiência. Mas experimentar o vazio? Não sei se é possível. Talvez. Mas como saber se existe algo que supostamente não tem existência?
É possível apenas encontrar pensamentos sobre esse eu e sensações na garganta, peito e estômago.
Muito bem. O medo diminui ou desaparece depois de veres que o eu não pode ser encontrado?
Tenho me questionado o que faz com que aquilo que é visto, ouvido, sentido ou pensado pareçam "meus" ou "eu" e não simplesmente imagens, sons, sensações e pensamentos.

As vezes consigo perceber como a mente sutilmente rotula essas percepções com um pensamento dizendo que "eu" estou os percebendo. Os rótulos as vezes são a imagem desse corpo vendo, ouvindo, sentindo. Perceber como o que é pensado passa a ser "meu" ou "eu" parece ser um pouco mais difícil.

Também percebo como rotular algo como "meu" ou "eu", não o torna meu ou eu.

Parece que também existe essa crença de que um eu é necessário para que essas percepções aconteçam. Mas tem ficado mais evidente que isso não é verdade.
Sim, parece que um eu tem de existir. Esse parecer, essa rotulação que fazemos, faz com que o eu pareça ser real. Existe algo em especial que te faça acreditar que um eu tem de existir? Por exemplo, na crença de que o corpo é um eu, o corpo faz algo que te leve a acreditar que é o eu? Dirias que a respiração, o sentir, o ver, a sensação de estar dentro do corpo te mantem preso à ilusão? Observa o corpo durante alguns minutos antes de responderes! :)

Abraço,
S


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